*Destaque Combustíveis

Carros Flex: como funciona, como abastecer

Carros Flex: como funciona, como abastecer

Uma motorização flex já se tornou praticamente uma obrigatoriedade entre os carros mais populares oferecidos em nosso mercado – tanto é que muitos carros foram lançados como monocombustível e se tornaram flex pouco tempo depois, como é o caso do Chery QQ. Embora a gasolina seja o combustível mais vantajoso para carros de passeio em boa parte do território nacional, o etanol ainda tem inúmeros consumidores e também oferece a vantagem de dispor de mais potência e torque em diversos modelos.


O primeiro automóvel flex oferecido no mercado brasileiro foi o Volkswagen Gol de terceira geração, lançado em 2003. Este modelo era dotado de um motor 1.6 Total Flex de até 97 cavalos com gasolina e 98 cv com etanol. A taxa de compressão era de 10:1, a mesma do propulsor a gasolina que equipava o carro. Para beber os dois combustíveis, este propulsor recebeu uma série de alterações, com um novo sistema de partida a frio, válvulas injetoras maiores, válvulas de escape com material sletite, comando de válvulas com novo momento de abertura e fechamento, válvulas exclusivas, entre outros.

Este modelo foi lançado justamente na época em que o etanol era vantajoso em praticamente todo o Brasil. Porém, seguindo a lei da oferta/demanda, o preço do combustível foi nas alturas e se aproximou do valor cobrado pela gasolina. Como citamos no primeiro parágrafo, o etanol já deixou de ser vantajoso em boa parte do País e, além disso, não oferece mais uma boa relação custo-benefício, visto que o carro é mais econômico com o combustível fóssil.

Os carros bicombustíveis são equipados com motores dotados de um sistema de alimentação convencional, mas dotados de bicos injetores maiores em cerca de 30% (os mesmos usados em modelos movidos somente a etanol, que eram comuns antigamente) e com mais vazão.


A taxa de compressão também é diferente e se posiciona entre a taxa de propulsores somente a gasolina (que costuma ser de algo em torno de 9:1) e os movidos apenas a etanol (12:1). No entanto, a taxa de compressão varia de carro para carro. Como exemplo, o Volkswagen up! 1.0 MPI (aspirado) tem taxa de 11,5:1, enquanto o do Chevrolet Onix igualmente 1.0 (e tabém aspirado) tem 12,6:1.

Carros Flex: como funciona, como abastecer

Além do sensor no tanque de combustível, há a sonda lambda, um sensor de oxigênio que fica no sistema de escape do veículo. Ele analisa os gases queimados após a explosão de combustível no interior do propulsor, já que a gasolina e etanol emitem gases resultantes diferentes. Caso haja muito ar ou muito combustível na queima, esse sistema emite um sinal à central eletrônica do motor para receber uma quantidade menor ou maior de oxigênio.

A sonda lambda deve ser aquecida a cerca de 300º C para entrar em funcionamento. No caso de propulsores mais antigos, esta sonda era aquecida por meio dos próprios gases de escape, mas sofria com o tempo necessário para que ela pudesse ser aquecida o suficiente para que entrasse em funcionamento. Em unidades mais modernas, a sonda lambda conta com uma resistência que promove o aquecimento em questão de segundos.

Muitos motores flex contam ainda com um reservatório de gasolina para partidas a frio com etanol (o famoso “tanquinho”). Ele é necessário em propulsores que não dão conta de entrar em funcionamento somente com a explosão gerada pelo contato do etanol frio com a faísca da vela. Ao dar a partida do conjunto, a gasolina do reservatório é injetada na admissão e melhora o arranque e o funcionamento da unidade antes de chegar na temperatura adequada.

Tal sistema não é muito eficiente pelo fato de que a partida a frio não é tão bem controlada nos primeiros instantes de funcionamento do propulsor, já que a sonda lambda leva alguns segundos para entregar todo o seu “desempenho”. Esses problemas são notados mais em carros com propulsores de concepção mais antiga.

No entanto, boa parte dos motores mais novos já são dotados de uma tecnologia de partida a frio que permite a partida do motor em temperaturas mais baixas mesmo se houver etanol em proporções acima de 85% no tanque principal. Ele aquece o etanol antes de ser injetado, com o uso de uma vela em cada bico injetor. Quando recebe corrente elétrica, a vela aquece e o combustível já está pronto para ser injetado na partida a frio.

Carros Flex: como funciona, como abastecer

Essas velas são acionadas e monitoradas por uma unidade de controle de aquecimento. O combustível é injetado de forma pulverizada. Além da partida a frio, o sistema aquece as velas também para os primeiros momentos de funcionamento do veículo, para evitar o mau funcionamento do conjunto. Isso tudo é resultante de aprimoramentos na ECU (unidade de comando eletrônica), bomba de combustível, sonda e injetores.

Posso misturar gasolina com etanol no meu carro flex?

Ao contrário do que muitos dizem, é sim possível utilizar gasolina e etanol em um mesmo veículo (desde que seja flex, obviamente). O sistema bicombustível foi projetado para trabalhar com os dois combustíveis separadamente ou ao mesmo tempo, sem resultar em complicações como perda de durabilidade do aparato.

No entanto, você deve analisar qual combustível é mais vantajoso, sobretudo para o seu bolso, levando em consideração que o etanol possui em média 70% do poder calorífico da gasolina. Para isso, basta pegar o preço da gasolina e multiplicar por 0,7. O resultado obtido será o preço máximo que o etanol vale a pena. Por exemplo, se gasolina custa R$ 4 o litro, multiplique por 0,7 e você terá R$ 2,8 como resultado. Ou seja, caso o etanol tenha preço de R$ 3,00 no mesmo posto de combustível, a gasolina é a melhor opção.

Outra questão é que, caso você misture os combustíveis com a gasolina ocupando a maior parte da proporção, o seu carro terá um desempenho aquém do esperado caso seja abastecido somente com etanol. O consumo também será afetado, já que você não terá a mesma eficiência entregue somente pela gasolina. Ou seja, neste caso, é realmente melhor você optar somente por um combustível.

E você, possui um automóvel flex estacionado na garagem? Já fez um teste para analisar qual é o combustível mais vantajoso para o seu bolso?

Carros Flex: como funciona, como abastecer
Nota média 5 de 1 votos

  • A.T.

    O interessante seria medir o consumo, em condições semelhantes de uso, para os dois combustíveis – e calcular o melhor para o bolso. Há veículos que a relação inicial de 0,7 (baseada no combustivel) pode ser diferente em função do projeto ou ajustes do motor.

    • Raimundo A.

      Já li matérias sobre testes com motores mais novos e consideram 65%.
      Sinceramente, eu só começo a ver graça usando etanol se o motor tiver bloco de alumínio, partido a frio por aquecimento, injeção direta para efetivar mais a queima do etanol ou mesmo gasolina comprometida na relação.
      A gasolina com etanol que temos em motores apenas a gasolina vide os primeiros Fire da Fiat, com o tempo ver silencioso do escapamento com corrosão, junta do cabeço ou mesmo o bloco com pontos de corrosão não seria novidade.
      A partida a frio, tanquinho, para veículos com mais de seis anos é um tormento e não precisa está tão frio.
      Para o etanol quando economicamente valer a pena, o conjunto mecânico pra mim precisa ser mais avançado em tecnologia e materiais. Não sendo, evito para não ver a vida útil de certos componentes reduzida ou problemas mais sérios e caros surgirem.

  • Aristeu Junior

    Só não concordo com essa conta dos 70%

    Ela valia antes quando a gasolina tinha menos etanol do que tem hoje. Além disso, a taxa de compressão dos carros flex é bem variada.

    O ideal é abastecer um mesmo valor com etanol e a com gasolina pra ver qual combustível rodou mais.

    Outra coisa que notei é que após mudar da gasolina pro etanol e depois voltar a usar gasolina, o carro demora cerca de 2 tanques para voltar a ter o mesmo consumo que tinha antes

    • Evaldo Avelar Marques

      Também notei a mesma coisa. Acredito que no meu caso, seja por causa dos 15~18 litros de álcool puro que fica na reserva do tanque quando abasteço. Dai quando completa com gasolina, ela fica com uma porcentagem maior de álcool…

  • Ronaldo Prado

    no meu carro (zafira flex 2005) roda um pouco melhor com alcool. no meu caso fiz as contas e vi que se o alcool for até 80% da gasolina ainda vale a pena.

  • Fanjos

    Não uso álcool (mais do que tem na gasolina).
    Por mim dava fim no álcool e deixava só gasolina mesmo, mono combustível com menos álcool.
    O futuro é elétrico então esquece esse lixo de álcool

    • Até hoje não vi vantagem alguma nessa porcaria de combustível.

      • Douglas

        Dinheiro no bolso dos usineiros.

      • Leonardo M. G.

        Só vi vantagem naquele motor elétrico da Nissan abastecido com etanol 40%…

    • SDS SP

      O ideal seria a mistura E10 – E15 para garantir o poder antidetonante sem a necessidade de adicionar aditivos nocivos à gasolina.

      Infelizmente nossas refinarias operando no limite somado ao forte lobby dos usineiros, complicam as coisas.

      • Renato Duarte

        Lobby só existe,, por que não existe a livre concorrência,,

        • Diego Carvalho Godinho

          “Lobby só existe,, por que não existe a livre concorrência,,”

          KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, deve acreditar em unicórnios tbm.

        • Holandês Louco

          Nos EUA, existe livre concorrência no setor de combustíveis? e lobby no setor?

    • Geraldo Xavier

      Alcool só no copo

      • leomix leo

        Ou na caneca.😁😁😁🍺🍺🍺

        • Renato Duarte

          ou no carotinho :D :D :D

    • Renato Duarte

      eu só espero que a saúde do meu coração aguente as tarifas de energia quando os carros 100% elétricos forem maioria aqui no brasil.

    • Pedro Cunha

      O etanol, tecnicamente falando, é um excelente combustível, renovável, menos poluente e oferece melhor desempenho.
      Problema mesmo, RUIM MESMO é o brasil e o brasileiro, que precisa ter vantagem em tudo o tempo todo com seu governo manipulado por empresários e latifundiários.
      Com toda área cultivável que temos, poderíamos muito bem ao invés de ter um “E27”, ter algo mais limpo e que não sofresse as oscilações do mercado internacional do petróleo, algo como um “E85”, ou “E70”, “E75″…
      Mas daí tu fala em aumentar a área cultivável pra obter combustível, aparece um bando de boçal dizendo que vai faltar terra pra cultivar alimento, sendo que as grandes fazendas produzem mormente para exportação e até o trigo do pãozinho que mata a fome do infeliz é importado.

  • Douglas

    Os carros flex não possuem sensor no tanque, a não ser a boia.
    Na maioria dos carros flex a central calcula a proporção de álcool com base na leitura da sonda lambda mesmo.
    Os BMW flex e VW TSI flex é que são exceções e possuem um sensor que mede a proporção de álcool diretamente no combustível, mas não fica necessariamente no tanque, o do Up TSI fica na linha de combustível.

  • Eduardo Jorge R. A. Silva

    Em meus carros (Corsa G2 2011, Clio 2014 é mais recentemente Prisma Joy 2017) a eficiência do etanol é de constantes 75%, considerando uso sempre em estrada. Acredito que tal se deva pela maior taxa de compressão dos motores desses carros.

  • FPC

    Estou usando álcool direto desde março de 2017, na minha região sempre é de 65% a 70%, apesar de visitar o posto mais vezes eu noto uma diferença favorável no etanol.

    • Sedici

      Eu sentia tambem quando tinha um Siena fire 1.0, o bicho raramente via gasolina justamente por isso, parecia outro carro no Etanol.

  • Geraldo Xavier

    Meu primeiro flex foi um corsão 2008 econoflex. No início era vantagem usar o álcool pelo preço praticado no rj. Porém utilizei pouco esse combustível. O meu vira e mexe não ligava quando passava por um período desligado. O sistema dele só aciona a partida a frio com temperaturas abaixo de 8 graus. Nunca gastou nada do tanquinho. No rj o inverno nunca baixa de 10 graus. Levei em várias concessionárias e nenhuma delas resolveu o problema. Já sabia como fazer o carro pegar sem precisar resetar a central de tão crônico que era. Conclusão passei a utilizar gasolina e nunca mais tive problema. Carros gnv tinham o mesmo problema do meu, visto que as convertedoras sempre regulavam pra álcool e gnv.

    • leomix leo

      O meu foi um celta 10/11,em dias frios, mesmo com gasolina no tanquinho dava trabalho para pegar, às vezes o etanol velho no tanque colaborava.

      • Geraldo Xavier

        O meu só pegava se pisar fundo no acelerador e bombar o freio. Quem me ensinou foi o mecânico da seguradora. Procedimento pra desafogar o carro

  • Daniel dos Santos

    Ja estou no meu quinta carro flex desde a invensao deste sistema….desde la, usei alcool somente uma vez..

  • Louis

    Praticamente só ando no álcool. Na minha região, financeiramente é praticamente a mesma coisa que a gasolina, então uso o etanol por ser menos poluente. E prefiro dar dinheiro pra usineiro que pra PTbrás, Maduro, terroristas, etc.

  • João Andante

    Aqui em Campinas-SP nunca vi vantagem em usar etanol, pois faz muitos anos que o valor do mesmo é fixado em 70% do preço da gasolina. Se sobe um, sobe o outro, se desce um, idem para o outro, sempre de modo a ficar nos 70%. Nunca houve competitividade de verdade entre os dois combustíveis.

    • Sedici

      Também sou de Campinas, por isso estranhei o preço do Etanol ser tao baixo em relação à Gasolina em Cuiabá, onde passei o Ano novo. Paguei 2,49 o litro em posto BR… e no mesmo posto a gasolina comum batendo nos 4,19. Nesse caso nao tem duvida. Já em Campo Grande MS na volta, entrei na cidade pra buscar um posto mais em conta e tinha um Ipiranga vendendo o Alcool a 3,19 e a gasolina a 3,99. Aí fui de Gasolina.

  • kravmaga

    Só tive 1 carro flex até hoje, em mais de 26 anos tendo carros, graças a Deus. E só tive porque não havia alternativa. Só abastecia com gasolina mesmo.

  • Jose Walter Coimbra Moreira

    Meu polo 2009 abasteço somente no álcool e não coloco gasolina no tanquinho.Ele pega normal no inverno sem auxilio de gasolina e fica bem mais forte em subidas.Aqui na minha cidade ainda é mais vantajoso em relação a gasolina.

  • raf mandwolf

    Desde que me mudei pra São Paulo, tenho experimentado usar o etanol no meu Sandero (K4M, 1.6 16v). Infelizmente o etanol tem das suas comigo às vezes, seja com o carro se comportando meio estranho no começo de um dia frio, seja por… parecer mais áspero ou imprevisível no funcionamento. Já experimentei reprogramar a injeção, mas no fim da contas com gasolina ele acaba rodando bem mais suave – fora que o desempenho desse carro é honestamente muito bom.

    • FPC

      O carro anterior da minha esposa (Fox 1.6 8V) tinha esse probleminha também, mesmo esperando uns segundos antes de sair, mas já os nossos atuais ( dela Fox 1.6 16V e o meu up MPI ) não temos problemas, eu ligo ele e depois roda liso ate nos dias mais frios.

    • Sedici

      Mesmo caso do meu C4 hatch… nao se dá muito bem com o combustivel vegetal no começo do dia. Ou após longo periodo de inatividade.

  • eduardo_

    Não concordo e nem discordo, muito pelo contrário.

  • Ricardo

    Meu carro compensa colocar etanol, se barato. Misturar meio a meio não compensa pois o consumo fica igual à 100% etanol.

Quem somos

O Notícias Automotivas é um dos maiores sites automotivos do Brasil, trazendo todas as novidades sobre carros por mais de 12 anos. Saiba mais.

Notícias por email