Antigos Clássicos

Carros: projetos brasileiros

Aero-Willys-1 Carros: projetos brasileiros

Ao longo da história da indústria automobilística brasileira, iniciada em 1957, tivemos altos e baixos. Momentos de euforia contrastam com momentos de extremo marasmo onde se levavam anos até termos um novo carro no mercado. Se hoje nossa indústria passa por transformações profundas com a implementação de novas fábricas, devemos lembrar que já tivemos um mercado concentrado e fechado.



E ao longo de todos estes anos, podemos destacar projetos brasileiros ou feitos principalmente para o Brasil. Bons ou nem tanto, eles ajudam a entender o momento que passávamos e os erros e acertos os quais o país cometeu. É público e notório que hoje sofremos uma “invasão” de asiáticos, sejam de coreanos, seja de chineses. E nossa indústria, se por um lado tem experiência e boas idéias, por outra não pode ficar parada olhando esta invasão.

A indústria automobilística brasileira já tem 54 anos e ao longo deste mais de meio século nasceu, engatinhou e pode-se dizer que anda, mas com certa dificuldade. E olhando os vários projetos a seguir, podemos ver que ela poderia ter crescido mais. Para a lista a seguir, foi usado o critério de, além de ser produzido aqui, tem que ter uma grande parte do projeto realizado aqui ou até mesmo feito principalmente para cá.

1962 – Aero Willys 2600

Importância: Primeiro “projeto” brasileiro

Quase todos os carros produzidos no Brasil eram projetos descartados na Europa ou EUA, ou ainda eram produzidos, mas há algum tempo. A Simca começou a produzir uma variação do Vedette, a DKW tinha o modelo 1000 na europa, aqui como Universal e depois sedã e Vemaguet, a VW com a Kombi e o sedan, a FNM com o FNM 2000 e Willys com o Jeep Universal, a Rural e seu automóvel, o Aero Willys, um projeto de 1952.

Conhecido como “Aero Bolha” aqui no Brasil, teve sucesso em seu mercado, de automóveis “médios”, já que não era tão pequeno quanto o VW e o DKW, nem tão grande quanto os americanos (principalmente GM e Ford) que eram vendidos aqui, uma vez que a importação era liberada. Era o Willys Ace, produzido nos EUA entre 1952 e 1955.

Mas já em 1962, como modelo 1963, foi lançado o primeiro projeto feito para o Brasil. Surgiu um carro de linhas retas, grade dividida em duas, traseira ainda com o estilo rabo de peixe, mas com orientação retilínea. Era sem dúvida mais moderno.

Tido como um projeto brasileiro oficialmente, na verdade era um “jeitinho brasileiro”. Este projeto, apesar de inédito, nada mais era que um projeto feito para substituir o Willys Ace em 1955, mas que foi engavetado. Curiosidade: Após uma remodelação e um novo nome, Itamaraty, ele ganhou como opcional um ar condicionado, pela primeira vez em um nacional.

1963 – IBAP Democrata

Democrata-2 Carros: projetos brasileiros

Importância: Produção de um automóvel brasileiro por uma empresa brasileira

Em 1962 a IBAP, Indústria Brasileira de Automóveis Presidente, apresentou o Democrata, um cupê de linhas modernas, carroceria em fibra de vidro e motor traseiro. O projeto era nacional e o motor, italiano. Com certa semelhança ao Tucker, a fábrica foi criada vendendo títulos de propriedade que garantiam desde descontos a compra do carro à facilidades na abertura de uma revendedora.

O automóvel em si era realmente um passo a frente face ao que tínhamos até então. Motor 2.5 de 4 cilindros, suspensões independentes e câmbio de 4 marchas (Simca e Aero Willys tinham três). Embora a história já rolasse desde 1962, os 5 carros produzidos foram apresentados em 1967. Talvez nunca saibamos ao certo o que ocorreu, mas é fato que a história de uma indústria automobilística genuinamente nacional é velha. Curiosidade: Ele é parecido em tudo com o Chevrolet Corvair, o Chevrolet mais controverso da história.

1964 – DKW Fissore

Fissore-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Projeto brasileiro com desenho italiano

Em 1964, a DKW tinha algum sucesso no mercado brasileiro. Longe da VW em vendas, tinha algum prestígio graças a sua mecânica simples e relativamente robusta, algo que a Simca por exemplo não era. Com a ideia de atingir uma camada superior do mercado, foi pensado o uso da mecânica dos DKWs, já com vários avanços e uma carroceria que fizesse o cliente acreditar estar em algo mais moderno.

O que surgiu então foi o DKW Fissore, um compacto e moderno cupê de linhas retas, ampla área envidraçada e um perfil que lembrava muito os BMWs. Era um nacional bonito e inserido nas linhas mais modernas de então. O nome veio da empresa que desenhou o carro, a carrozziere Fissore.

O preço alto (apesar de ser pequeno), perto do valor cobrado por Simca e Aero Willys o deixou como sendo apenas uma vaga lembrança. Curiosidade: Sua carroceria demandava horas de acertos com estanho, o que deixava a produção lenta e custosa.

1964 – Brasinca 4200 GT/Uirapuru

Uirapuru-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Esportivo brasileiro

Ainda em 1964 foi apresentado um esportivo de linhas muito interessantes, motor dianteiro, tração traseira. Isso era comum até. O que não era comum era a origem deste carro. Brasil. Apesar de ser um fora de série, era um projeto de boa envergadura: Carroceria de aço, estrutura onde o habitáculo era envolvido por uma célula de sobrevivência (que depois se convencionou a chamar de monocoque) e até mesmo barras de proteção para acidentes.

Em relação a mecânica, usava motor do Chevrolet Brasil, um caminhão. Estranho? Quais eram as opções? O Motor 2600 do Aero Willys ou o V8 do Simca. Não, obrigado.

Seu desenho com frente longa e traseira truncada e curta foi estranhamente próximo ao inglês Jensen Interceptor, lançado em 1966. Curiosidade: Ainda hoje existe uma história de que o MoMA, Museu de Arte Moderna ne Nova York, queria um em seu acervo.

1966 – Simca Esplanada/Regente

Importância: Reestilização brasileira com versão esportiva maquiada

Nem todos os carros que falaremos são exemplo de bom gosto ou bom projeto. Este caso é um exemplo. Com a compra da Simca francesa pela Chrysler, já na segunda metade da década de 60, a aquisição da unidade brasileira era uma questão de tempo.

Com um veículo antigo em produção, mas já bem melhor em qualidade, a Simca do Brasil quis modernizar a linha então composta por Chambord, Tufão, Emi-Sul e Jangada (que eram todos o mesmo carro menos a Jangada, a versão perua).

Surge então o Esplanada e o Regente, uma interpretação dos automóveis americanos da época, em uma carroceria já bem antiga. A dupla de faróis era moderna demais para uma lateral irregular (garrafa de Coca-Cola). Surge ainda um esportivo, o GTX, um Esplanada maquiado com pintura preto fosco em várias partes e câmbio de quatro marchas no assoalho. Sim, a história de maquiar um carro e chama-lo de esportivo é velha. Curiosidade: Uma das cores oferecidas no GTX era a cobre turbina, a mesma cor do Crhysler Turbine de 1963, que usava duas turbinas para movimentar-se e teve cerca de 50 unidades produzidas.

1966 – Puma GT

Puma-GT Carros: projetos brasileiros

Importância: Esportivo brasileiro surgido com ajuda de uma montadora

Em 1966 surge um carrinho pequeno e esportivo que teve desenvolvimento feito por Rino Malzonni dois anos antes para as pistas, onde a Vemag tinha especial interesse. Como o objetivo de vencer os Willys Interlagos (Renault Alpine na França), foi dada especial atenção a este carrinho com mecânica DKW com carroceria em fibra de vidro.

Em 66 é lançada a versão de rua, ainda chamada de GT Malzoni. Em 1967 é criada a Puma Veículos e seu nome passa a ser Puma GT. O sucesso do carrinho coincide com a venda da DKW para a VW e em 1968 o Puma passa a ter a mecânica VW.

Ao longo de sua trajetória seu desenho variou pouco (mesmo que não conhece carros sabe reconhecer um “puminha”) e é feito até hoje, sob licença, na África do Sul. Curiosidade: A Puma disponibilizava, como opcional, várias receitas para deixar o motor a ar mais potente. A cilindrada podia chegar até a 2100cm³

1968 – Ford Corcel

Corcel-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Projeto francês que foi inteiramente modificado no Brasil

A Ford lançara em 1967 o Galaxie, um carro grande tipicamente americano. Seu sucesso foi imediato, mas seu público era pequeno. Há tempos a Ford desejava ter uma maior penetração no mercado, mas precisaria de um carro menor e mais barato.

A solução veio com a compra da Willys. A princípio a compra de Willys era infundada. Fora o Jeep e a Rural, que faziam sucesso em um setor do mercado, a Willys tinha o Aero, um carro antigo sem qualquer possibilidade de aproveitamento e o Dauphine/Gordini, carros pequenos que gozavam de uma reputação péssima.

O real motivo apareceu então no projeto que estava em gestação. Um carro que teria tamanho pouco superior ao Fusca. Este carro a princípio foi criado para ser um concorrente do Fusca, mas as contas não mostravam isso e foi alçado a categoria médio.

O carro em questão era o Renault 12, um sedã de 4 portas, motor e tração dianteiros. Quando a Ford viu os desenhos, porém, viu ali que beleza não era um dos seus predicados e tratou de reprojetá-lo. Surgiu o Corcel, 2 e 4 portas e a Belina, a perua.

Em comparação com o projeto francês podemos dizer que desta vez o Brasil ganhou de lavada. Curiosidade: A Belina, oferecida a partir de 1970, teve como opcional durante pouco tempo uma lateral com imitação de madeira.

1968 – Chevrolet Opala

Opala-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Projeto europeu com adequação para uma mecânica americana

A Chevrolet, assim como a Ford, produziam caminhões há anos no Brasil. E tanto uma como a outra entraram no ramo de “fabricantes” de automóveis ao mesmo tempo. A Chevrolet, por sua vez, apresentou um carro de projeto alemão, uma variação do Opel Record lançado um ano antes na Alemanha.

Os motores usados, porém, eram de 1.5; 1.7 e 1.9. Este último rendia 90cv. Com vistas no mercado brasileiro, a Chevrolet viu que motores pequenos para um carro médio-grande aqui não seriam bem recebidos. Neste caso partiu-se para um 6 cilindros pequeno usado no Impala e que acabou gerando também o 4 cilindros, fruto da mesma arquitetura.

Com peças intercambiáveis, garantiu o uso dos dois motores no Opala. Curiosidade: por ser um projeto alemão, a carroceria toda do Opala tem parafusos em milímetros e por ser um projeto americano, os motores tem as medidas dos parafusos em polegadas.

1970 – Karmann Ghia TC

Karmman-Ghia-TC-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Esportivo só vendido no Brasil

A Karmann Ghia produzia seu modelo aqui no Brasil desde 1962. Suas linhas era belas, mas começaram a cansar. Fazer aqui o Type 34, um Karmann Ghia maior produzido na Alemanha, não estava em cogitação. Valendo-se de uma séria de peças já utilizadas no Karmann Ghia (como as portas), a equipe de design da VW deu cara de Porsche 911.

O resultado foi bom, sem dúvida. Além de ganhar a praticidade da terceira porta, o desenho ficou mais retilíneo, algo desejável a época. E apesar de ter sido uma reestilização ampla, não parece. Curiosidade: Tanto o Karmann Ghia, quanto o TC e o SP 1 e 2, que tinham suas carrocerias produzidas em São Bernardo do Campo, eram estampados em peças únicas.

A carroceria destes carros tem apenas as partes móveis separadas (portas e capô). Não havia como trocar um para lama, por exemplo, em uma eventual batida.

1972 – SP1 e SP2

SP-2-3 Carros: projetos brasileiros

Importância: Projeto de um esportivo nacional feito por uma multinacional

A VW do Brasil era a marca mais vendida. O Fusca era de longe o mais vendido carro nacional, a Kombi não tinha rivais e a Variant fazia sucesso entre as peruas. Por ser um mercado tão importante, a VW alemã permitiu uma ousadia da filial brasileira.

Com vistas ao sucesso comercial do Puma e outros esportivos fora de série, surgiu a idéia de fazer um biposto sobre a mecânica VW a ar. Não podemos falar exatamente que a VW não tinha um esportivo. Existia o Karmann Ghia brasileiro desde 1962, mas este além de ser um 2+2, já não tinha o fator novidade há muito tempo.

O que surgiu foi algo de tirar o fôlego… Biposto, frente longa, traseira curta, perfil baixo, para-brisa inclinado, para choques envolventes… Nada no Brasil era tão ousado. Era o VW mais bonito do mundo. Ao contrario dos seu concorrentes, ele não contava com a leveza da fibra de vidro.

O motor 1600 muito insuficiente e o 1700, insuficiente. Um bonito carro, sem dúvida, mas sua mecânica sem dúvida o sepultou. Curiosidade: A marca chegou a cogitar um SP 3, que teria motor refrigerado a água do Passat, mas não saiu do papel. Mas a concessionária Dacon chegou a fazer alguns carros assim

Brasilia-2 Carros: projetos brasileiros

1973 – VW Brasília

Importância: Projeto nacional de um carro espaçoso

O sucesso do Fusca era enorme ainda. Mas, não querendo dormir sobre os louros da vitória, a VW começou a projetar um carro que poderia dar continuidade a este sucesso. A mecânica VW a ar já não era uma unanimidade nem na fábrica, visto que neste mesmo ano é apresentado o Passat, com motor e tração dianteira e ainda arrefecido a água.

Mas ainda assim, ela poderia gerar bons frutos. Se o Fusca e a Kombi faziam inegável sucesso, a Variant se garantia, a linha de “médios” da VW não. O TL não era nem sombra para seu concorrente Corcel, assim como acontecera com o 1600 4 portas, aqui conhecido como “Zé do Caixão”.

Por mais sucesso que o Fusca fizesse, mais hora isto ia acabar. Surge das pranchetas dos projetistas brasileiros o projeto de um carro pequeno, com o comprimento menor que o do Fusca, mas muito mais espaçoso. Ficaria acima do Fusca em preço, mas entregaria mais.

Surge a Brasília, um projeto genuinamente nacional. Tamanho compacto, teto alto e amplo espaço interno em linhas modernas. Sucesso imediato. Curiosidade: Foi produzida no México também. Muitos vão se lembrar de um episódio do Chaves onde mostra que o Sr. Barriga tinha uma.

1974 – Alfa Romeo 2300

Alfa-Romeo-2 Carros: projetos brasileiros

Importância: Projeto local de um carro esportivo de luxo

Comparado aos concorrentes, o FNM 2000 estava há anos luz em modernidade. Motor 4 cilindros, motor com duplo comando, válvulas de escape refrigeradas a sódio, câmbio de 5 marchas etc. O produto era invejável, mas o produtor, a Fábrica Nacional de Motores, uma estatal, deixava a desejar.

Com uma produção instável e uma assistência deficiente, sua reputação não era tão boa. Em 1974, porém, uma luz no fim do túnel. É lançado o Alfa Romeo 2300, um substituto ao 2000 (que depois foi chamado de 2150). Apesar do desenho ter forte inspiração na Alfetta italiana, era exclusivamente nacional.

Freios a disco nas 4 rodas, cintos de segurança de três pontos, etc… Não estávamos acostumados com isso. Durou até 1986 e ainda assim, quando foi retirado de linha, podíamos ver que ainda fazia muito boa figura. Curiosidade: Embora a Fiat tenha comprado a marca no Brasil em 1977, a mesma operação na Itália só aconteceu 10 anos depois.

1974 – Itaipu

Itaipu-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Carro elétrico nacional

A Gurgel já gozava de uma boa reputação. Seus utililtários, apesar de não serem 4×4, se viravam muito bem com a mecânica VW a ar e o Seletraction, um travamento manual independente das rodas traseiras. Mas o Sr. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel queria muito mais.

Em 1974 foi apresentado o projeto de um carro pequeno nacional, o Itaipu. Seu formato de caixote era extremamente compacto e apto para deslocamentos curtos na cidade, um conceito muito atual, ainda hoje. Curiosidade: O projeto incluía ainda um sistema integrado de estacionamento e recarga.

1976 – Bianco S e Miura

Bianco-2 Carros: projetos brasileiros

Miura-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Foras de série nacionais que mostravam a versatilidade brasileira

Carros fora de série são uma constante no cenário nacional até a reabertura das importações, em 1990. Com as importações suspensas, quem queria ter com carro diferenciado deveria ir para os fora de série. Quase que totalitariamente baseados na mecânica VW a ar e feitos em fibra de vidro, eram ousados e exclusivos.

O Bianco era um esportivo com desenho baseado em carros de corrida. Seu para brisa inclinado e extremamente curvo mostra como apesar das dificuldades, os produtores eram esforçados e quase sempre bem sucedidos em suas ousadias.

O Miura trazia uma proposta nova. Esportivo sim, mas com conforto. Era ele que trazia regulagem elétrica de inclinação do volante e na década de 80, computador de bordo com voz. Curiosidade: Tanto um como o outro, mesmo usando a mecânica VW à ar e carroceria de fibra de vidro, pesavam mais que o Fusca. O primeiro Miura pesava 994 quilos, muito para um esportivo com apenas 65 cv.

1978 – Ford Corcel II

Corcel-II-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Ampla modernização de um modelo já existente.

A Ford era muito bem sucedida entre os carros médios até aparecer o Passat. O VW apareceu e logo tornou evidente o quanto outrora moderno Corcel tinha envelhecido. A fase não era boa. A Ford havia apostado muitas fichas no Maverick para se contrapor ao Opala, mas o resultado não era o esperado.

A reação demorou, mas veio. O projeto brasileiro Corcel II era uma modernização ampla do antigo, que era na verdade um projeto Renault. Apesar de ter dimensões muito parecidas com o anterior, mesmo porque usavam a mesma plataforma, o resultado foi muito bom.

Um carro médio de linha retas e aspecto moderno. Apesar de ter perdido a versão 4 portas, a de duas tinha uma porta tão grande e pesada que crianças não precisavam rebater o banco para entrar no banco traseiro. A versão perua, a Belina, apesar de ter apenas 2 portas também fazia muito boa figura diante às concorrentes.

Mais tarde ainda este projeto gerou o Del Rey, um sedã mais requintado e uma pick up, Pampa. Curiosidade: Apesar de existirem projetos, um Corcel II de quatro portas sequer chegou a ser apresentado.

1978 – Pick Up Fiat

Pick-Up-Fiat-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Criar um novo segmento de mercado, o de pick ups pequenas

A Fiat foi a única montadora a se instalar aqui nas décadas de 70 e 80. Seu produto era o Fiat 147, uma variação do 127 italiano. Se na Itália ele era único, aqui ele constituiu família. E o primeiro integrante foi a variação pick up. Até então existiam as grandes, com a linha C/D-10/14/15 da Chevrolet e a linha F-100/F-1000.

Não existiam nem mesmo as médias. Ainda que pequena, a Fiat achou um nicho de mercado (e se tornou especialista nisto, achar nichos). Depois da Pick Up vieram a Fiorino, um furgão fechado, a Furgoneta, um furgão com bancos traseiros (de certa forma percursora das multivans), o sedã Oggi e a perua Panorama. Curiosidade: apesar de ser uma pick up, sua capacidade de carga era de apenas 380Kg além do motorista.

1980 –VW Gol

Gol-4 Carros: projetos brasileiros

Importância: Substituição do Fusca

Existiam projetos para substituição do Fusca desde o fim da década de 60. A Brasília de certa forma foi uma substituta. Mas o fato era que o tempo do Fusca já tinha passado e o reinado estava cada vez mais ameaçado. Chegaria uma hora que o preço, principal (e nesta época único) argumento do carro não seria mais suficiente.

Se na Europa já existiam Polo e Golf, por aqui se fazia necessário criar um carro pequeno que fosse mais moderno com o conceito completamente oposto ao Fusca, com seu motor e tração traseiros. Em 1980 é apresentado então o VW Gol, um carro pequeno, com forte inspiração no Scirocco alemão.

A mecânica a ar ainda era presente, mas agora com posicionamento dianteiro, assim como a tração. Após uma certa patinada, o carro ganhou fôlego e gerou, além do próprio sucesso, uma família de sucesso, com Voyage (sedã), Parati (perua) e Saverio (pick up). Curiosidade: Assim como no Uno, os primeiros Gols tinham o estepe alojado no cofre do motor.

1982 – VW Parati

Parati-2 Carros: projetos brasileiros

Importância: Trazer o segmento de peruas ao mais jovens

A linha Gol já tinha sido ampliada com o lançamento do sedã, o Voyage e era natural ganhar uma perua. O que surgiu foi algo interessante. Com inspiração no Polo Wagon alemão, surge uma perua de amplos vidros laterais únicos (como na Variant), mas sem ter um desenho pesado.

Se antes perua era carro de família, esta passou a ser notada pelos mais jovens graças ao seu estilo mais sugestivo (até mais que o Gol). Tanto foi assim que logo se tornou líder em vendas, posto que só foi perdido em 2000 para a Palio Weekend. Era vista como “carro de surfista”. Curiosidade: Assim como o Voyage, ela foi exportada para os EUA e Canadá e se chamava VW Fox Wagon.

1985 – Fiat Prêmio

Premio-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Antecipar uma moda de estilo que vigoraria por quase toda a década seguinte

A linha Uno, assim como a linha 147, constituiu família aqui no Brasil também. E após o lançamento do Uno, em 1984, surge o sedã, também desenhado por Giorgio Giugiaro. O que foi lançado, porém diferia de todos os sedãs até então lançados.

Sua frente em cunha, assim como a do Uno, casava muito bem com uma traseira alta e curta. Se não fez sucesso (rivalizava com o Opala o posto de carro menos vendido), ao menos antecipou uma moda dentro de casa, com o Fiat Tempra, e mesmo fora dela, com o Polo sedã, por exemplo.

Curiosidade: Embora fosse um dos carros menos vendidos no mercado nacional, era curiosamente o segundo mais produzido, perdendo apenas para o Gol, graças às exportações, principalmente para a Europa.

1990 – Ford Verona/VW Apollo

Apolo-2 Carros: projetos brasileiros

Verona-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Introduzir o conceito de “clone” no mercado nacional

O mercado brasileiro ainda estava fechado às importações e isso criou um marasmo que nos deixava à parte no mundo. Só como exemplo, tivemos o lançamento do Uno em 1984 e outro carro novo mesmo foi só surgir em 1989, com o Kadett.

Havia anos que a Ford, já associada a VW formando a AutoLatina, testava variações do Escort. Quando todos esperavam o lançamento do Orion, versão sedã do Escort na Europa, surge o Verona, um três volumes de traseira alta e duas portas.

Seu desenho não era feio e trouxe alguma novidade ao mercado. E no mesmo ano surge um conceito novo para o Brasil, algo que ocorria com frequência nos outros mercados. O surgimento dos “clones”. Sem ter um médio no mercado desde o fim do Passat no ano anterior, a VW aproveitou o Verona e introduziu um painel mais arredondado, lanternas fumê, bancos recaro e um novo acerto de molas/amortecedores, criando um carro um pouco mais esportivo.

Como o motor era o mesmo, o AP 800, para combinar com a maquiagem esportiva foi introduzido câmbio com uma relação mais curta. E obteve um relativo sucesso no mercado, embora vendesse menos que seu irmão. Curiosidade: Apesar de serem carros caros, ambos foram receber direção hidráulica apenas em 1992, no fim de suas breves vidas.

Supermini-4 Carros: projetos brasileiros

Chegamos aos anos 90 e ao começo do século 21 em nossa série de matérias sobre projetos brasileiros. Aproveite!

1992 – Gurgel Supermini

Importância: Atualização de um projeto 100% brasileiro de uma empresa 100% brasileira

O sr. Gurgel tinha conseguido sucesso com a venda do BR-800, um pequeno carro com um motor de 800cc de pouco mais de 3m de comprimento. Para se capitalizar, o comprador comprava uma cota da fábrica e esta após algum tempo, devolvia o valor investido com o produto. O sucesso da empreitada foi enorme, mas o carrinho era muito inferior ao que tínhamos até então. Com o lançamento do Uno Mille em 1990, o fator preço deixou de ser sua arma, a única além do baixo consumo. Sabendo que seu projeto era inferior e feio, a Gurgel tratou de melhorar o carrinho e em 1992 surge o Supermini, um BR-800 amplamente reformado e anos luz do carro que o originou.

Se o BR-800 parecia um projeto da ex-URSS, o Supermini era muito mais simpárico e com boas idéias, como as portas com dobradiças inclinadas, que quanto mais abertas, maior era a diferença do bico inferior em relação ao solo. O interior ganhou um painel arredondado e tinha até mesmo contagiros. Pena que após vários problemas financeiros e políticos, a Gurgel pediu falência, em 1995. Curiosidade: Apesar de ser bem diferente do BR-800, seus faróis e lanternas são idênticos. Após 1993 porém, as lanternas traseiras passaram a ser da Pampa.

1993 – VW Logus/Pointer

Logus-4 Carros: projetos brasileiros

Pointer-3 Carros: projetos brasileiros

Importância: Primeiro projeto originado entre duas marcas associadas no Brasil

Se o Apollo era um Verona com maquiagem, a dupla que o substituiu era muito mais que isso. Partindo de um projeto da Ford europeia, o Escort, foram criados dois novos médios de desenhos diferentes e belos. Se o Escort e o Verona eram idênticos aos seus pares da Europa, o Logus e o Pointer eram criações nacionais e que conseguiram superar suas origens. O Escort foi apresentado no salão de 1992, trazendo um estilo em sintonia com o lançado poucos meses antes na Europa (algo raro). Logo após surge a variação sedã… mas com a marca VW. Surge o Logus, um três volumes duas portas de linhas arredondadas, frente em cunha e traseira alta. As lanternas traseira grandes e seus para choques envolventes eram muito bem inseridos. Seu sucesso foi imediato.

Após o lançamento do Verona, ainda em 93, com seu desenho idêntico ao Orion europeu, surge um hatch que completaria a linha. Do tamanho do Escort, surge o Pointer, um hatch de 5 portas com linhas mais esportivas ainda que o Logus, principalmente graças ao seu aerofólio estampado na tampa traseira. A dupla trouxe uma bem vinda ousadia aos pátios das concessionárias VW, que foi bem recebida. O que não contavam era com um projeto mediano, com sérios problemas nas suspenções e de ferrugem. E isso não foi bem recebido. Ambos morreram em 1996 após a dissolução completa da Autolatina. Curiosidade: Apesar de ter o desenho mais esportivo dos quatro, o Pointer pesava inacreditáveis 1.190Kg. Muito para um carro de pouco mais de 4 metros de comprimento.

1994 – VW Gol

Gol-Bolinha-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Um projeto amplamente reformado e que não podia dar errado

Em 1993, um ano antes, a GM sacudiu o mercado com o Corsa, um projeto em sintonia com o moderno mercado europeu. Se tínhamos como o mais moderno, o Uno, lançado 9 anos antes, como parâmetro, o que surgiu foi quase algo de outro mundo. Sucesso de público e de crítica, o Corsa deixou seus concorrentes em choque. A resposta da VW veio no ano seguinte.

Partindo da plataforma ampliada do Gol, um projeto de 1980, foi feito um novo carro. De linhas arredondadas e um espaço interno sem comparações com o projeto antigo, não só estremeceu o mercado como continuou garantindo a liderança. Conhecido como Gol “bolinha”, é em sua essência o que conhecemos hoje como Gol G4. Curiosidade: Devido a seu motor estar em posição longitudinal, quando o GTi ganhou um motor com 16v, o capô foi obrigado a ganhar uma “bolha” para acomodá-lo.

1996 – Fiat Palio

Palio-3 Carros: projetos brasileiros

Importância: Projeto de um novo carro que seria principalmente vendido no Brasil

O Fiat Palio foi um projeto tocado na Itália, é verdade, mas que teve forte influência brasileira. Apesar de ser um projeto mundial, era aqui seu principal mercado. O substituto do Uno era diferente do substituto da Europa, o Punto. Aqui deveria ser um projeto mais barato e mais robusto, além de ser um carro que geraria uma família completa. De desenho refinado, o Palio surgiu como um passo importante para a Fiat na busca pela liderança no mercado.

E se assim como o Uno ele constituiu família, difere dele devido ao sucesso que esta família faz até hoje, com Siena, Strada e Weekend. Curiosidade: Existe um outro integrante da família que não conhecemos, o Albea. Feito na plataforma da Weekend (com entre eixos 9 cm maior que o Palio/Siena), ele faz o papel de um carro médio em países como Turquia e Índia.

1996 – Chevrolet Corsa sedã

Corsa-sedan-2 Carros: projetos brasileiros

Importância: Projeto brasileiro sobre um já consagrado projeto

Assim como seu concorrentes Uno/Palio e Gol, o Corsa também teve aqui no Brasil, que ampliar seus usos. Se na Europa era vendido com 2 e 4 portas e Combo, um furgão para carga ou para passageiros, aqui ele ganhou uma simpática (porém pequena) pick up, um sedã e ainda ganharia em 1998 um perua.

Sendo essencialmente brasileiro, este projeto criou um sedã pequeno e de formas equilibradas, com traseira curta e alta e um terceiro vidro na coluna traseira, para deixar o desenho mais leve. Seu desenho fez tanto sucesso que outros países o produziram com sucesso, como o México e a China. Comparado ao Clio sedã por exemplo, fica fácil ver que este sucesso não foi à toa. Curiosidade: sua carreira embalou mesmo após o lançamento da versão 1.0, em 1998. E dura até hoje.

1999 – Fiat Palio Adventure

Adventure-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Criação de mais um nicho de mercado

Vários carros aqui citados criaram nichos de mercado. A Fiat pode ser acusada de tudo, menos de não ser corajosa. Criadora dos mercados de carros populares, pick ups pequenas, populares “de luxo” entre outros, este talvez seja a jóia da coroa.

Com vistas nas pessoas que sonhavam em ter um utilitário (que naquela época nem eram conhecidos como SUV) mas não tinham dinheiro para isso e somando ao fato de as pessoas que compravam os utilitários quase nunca se valiam da tração integral, ela travestiu uma Palio Weekend com quebra mato, pneus maiores e com alguma capacidade para enfrentar lama, suspensão mais alta e pronto, estava criado o novo mercado. O sucesso foi tão grande que virou um linha de veículos (pick up, Doblò e Idea) e foi intensamente copiada pela concorrência. Curiosidade: Quando foi lançada, a Adventure não era a mais cara da linha Weekend, isso cabia a versão Stile.

1999 – VW Gol G3

Gol-G3-3 Carros: projetos brasileiros

Importância: Atualização ampla de um projeto antigo

A VW não poderia levar outros 14 anos para atualizar seu campeão de vendas. Com a chegada do Golf, agora produzido no Brasil e logo após a introdução do Audi A3 nacional, o Gol não poderia ficar longe dos seus irmãos mais ricos. Em 1999 foi apresentado uma reestilização do Gol “bolinha”. Mas como era ampla, passou a ser chamada de G3. Seu exterior foi modificado menos que o visual sugeria, mas os faróis retangulares de superfície complexa assim como as lanternas traseira amplas trouxeram um frescor ao desenho.

Se a parte externa melhorou, a interna teve um salto de qualidade muito maior. Instrumentos idênticos aos dos irmão maiores, materiais mais nobres (nas versões mais caras) e novos cuidados construtivos davam um ar de projeto novo. Curiosidade: No começo existiam tantas opções que era possível montar tanto um 1.0 8v com rodas de liga leve aro 15”, interior preto e Air Bags quanto um 2.0 sem ter sequer limpador/lavador/desembaçador traseiro.

2000 – Chevrolet Celta

Celta-2 Carros: projetos brasileiros

Importância: Fazer um carro novo sobre uma plataforma antiga e com novos meios de produção

Após o boom de novas fábricas no Brasil, após a segunda metade da década de 90, o país estava vivendo uma ressaca. Vindo de três crises seguidas (a russa em 1997, a asiática em 1998 e a nossa em 1999), o mercado estava reduzido e não conseguia absorver toda a produção. Quanto mais barato era o carro, mais chances tinha de sobreviver, assim como a fábrica. Com os incentivos dados na época, a GM decidiu implementar uma nova fábrica no Rio Grande do Sul.

Esta fábrica faria um projeto novo e com um novo conceito de produção, onde vários fornecedores estariam sob o mesmo teto, agilizando assim a entrega e montagem dos componentes. Com o desejo de ser o carro mais barato do país (algo que não se realizou), o que surgiu foi um carro novo feito sobre uma plataforma já existente, a do Corsa lançado em 1994. O sucesso foi alcançado, sem dúvidas. Mas seu conceito é mais importante que o produto em si. Curiosidade: No lançamento era ofertado apenas um pacote de opcionais o qual entre os itens aparecia bateria com maior capacidade (45Ah). O ar condicionado passou a ser ofertado alguns meses depois.

2002 – Chevrolet Meriva

Meriva-2 Carros: projetos brasileiros

Importância: Um projeto brasileiro que era tão bom que quase foi roubado pelos europeus

O Corsa tinha ido lançado em sintonia com o europeu. Como já existia o Celta, aqui ele pode ficar em um patamar mais alto. O sedã era sucesso e foi lançado junto com o hatch. A pick up estava a caminho. Mas a perua não gozava do mesmo sucesso. Decidiu-se então a substituição por uma minivan pequena, menor que as Renault Scénic e Citroen Picasso e principalmente sua irmã Zafira. Com linhas de alguma forma já antecipadas por um carro conceito chamado Sabiá e exposto nos EUA, surge a Meriva, uma minivan menor de desenho harmônico e ousado.

O sucesso do desenho foi tanto que o pessoal da Opel não disse logo de cara que o desenho era brasileiro, algo que foi reconhecido depois. Devido ao seu equilíbrio nas linhas, faróis grandes mas proporcionais e lanternas emoldurando cuidadosamente o vigia traseiro, certamente ela terá lugar entre os clássicos brasileiros um dia. Curiosidade: Opcionalmente ela podia vir com um sistema de rebatimento do banco traseiro onde a parte central era suprimida e as laterais viravam duas confortáveis poltronas, mais distantes das portas.

Montana-1 Carros: projetos brasileiros

Projetos brasileiros. Não é porque fomos nos aproximando do século 21 e entramos nele que nossa indústria deixou de ter projetos exclusivos. Muitos modelos foram desenvolvidos para nosso mercado, e dentre eles alguns chegaram a ser enviados para venda em outras partes do mundo. Confira.

2003 – Chevrolet Montana

Importância: Trazer um desenho que aparentava ser maior do que realmente era

Se a pick up Corsa sempre foi equilibrada no desenho porém limitada quanto a capacidade de carga, sua sucessora resolveu a questão e trouxe formas e soluções ousadas que criaram seguidores. A Montana surge como a maior variação do Corsa.

Sua caçamba, alta e larga, impunha respeito e seus dois degraus laterais davam o tom de ousadia e traziam uma referência de pick ups antigas a ela. O desenho da caçamba recorreu ao uso da lateral reta para dar volume ao desenho e as portas pequenas era complementadas por janelas laterais fixas, dando um ar de cabine estendida. Substituída pela Montana feita com base no Agile, ela ainda assim, apesar de ter 8 anos, parece mais moderna que sua sucessora. Curiosidade: Foi o primeiro carro lançado a ter só versões com motor flexfuel, no caso o 1.8.

2003 – Ford EcoSport

Eco-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Criar um novo segmento de mercado

Todos queriam ter um “jipinho”, mas poucos podiam pagar. Isso era uma constatação antiga e que já tinha tido resposta por parte da Fiat, com a Adventure. Mas a Ford foi mais longe. Com base do Fiesta lançado no ano anterior, lançou um pequeno utilitário, com tudo que um fora de estrada exibia externamente: Suspensão alta, pneus de perfil alto, posição de dirigir acima dos outros carros e a cereja do bolo, um estepe pendurado na tampa traseira.

O sucesso foi imediato. Em pleno mercado retraído, havia filas de espera por um e até ágio. Um concorrente real só foi surgir agora, com o Renault Duster. Curiosidade: Vários projetos feitos sobre a base do EcoSport foram pensados, como um Eco de 2 portas e capota de lona e até mesmo uma pick up, que seria a substituta da Courier. Todos foram engavetados devido a capacidade de produção limitada da fábrica em Camaçari, BA.

2003 – VW Fox

Fox-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Tentar criar um sucessor para o Gol com novas idéias

Após o lançamento do Polo, em 2002, a VW já sabia que este seria muito caro para ter um sucesso tão grande quanto o do Gol. Partindo da mesma plataforma, foi criado então o Fox, um carro moderno mas que custaria menos e teria mais chances de sucesso no mercado. Assim como a Ford e a Chevrolet, a VW sabia que o consumidor queria um carro com posição de dirigir mais alta.

Interpretando isso, surge um carro compacto, com um perfil monovolume e soluções internas boas para dar mais espaço, como banco traseiro deslizante e gaveta abaixo do banco do passageiro. Ainda que não tenha conseguido substituir o Gol, obteve mais sucesso que o Polo e era até pouco tempo exportado para a Europa. Curiosidade: O CrossFox nasceu na verdade como um até despretensioso conceito, junto com o Fox Pepper, um Fox esportivo. Mas o sucesso foi tão grande que dois anos depois ele foi finalmente lançado.

2004 – Ford Fiesta Sedã

Fiesta-sedan-3 Carros: projetos brasileiros

Importância: Tentar conciliar uma traseira a um projeto bem feito sem estragar suas linhas

O Ford Fiesta, lançado em 2002, era belo. Seu perfil alto, quase como uma minivan, trazia ousadias como lanternas na coluna traseira e amplos faróis com canhões à amostra. A criação de um sedã sobre este desenho era arriscada e não muito bem sucedida pelo Polo (por problemas de proporção) e principalmente pelo Clio Sedã, quase um desastre.

Querendo ser um carro um pouco mais refinado, o Fiesta sedã surgiu com uma forte inspiração no Mondeo e trazendo luxos como braços pantográficos na tampa traseira. Alta e curta, sua traseira o deixou tão equilibrado quanto o hatch, com um peso apenas 20 kg maior. Curiosidade: Poucos sabem, mas em baixo do carpete do porta malas dele existem algumas cavidades para guardar pequenos objetos que juntas somam 9 litros de capacidade.

2005 – Chevrolet Vectra

Vectra-2 Carros: projetos brasileiros

Importância: Substituir um carro de sucesso sem estourar o orçamento

Estávamos vivendo a “geração perdida”. Se no fim da década de 90 tínhamos vários carros no mercado em sintonia com os mercados desenvolvidos, no meio dos anos 2000 a história era outra. Como existe um tempo longo entre a decisão de fabricar um carro em um país até sua efetiva comercialização, este tempo combinou os lançamentos com uma baixa no mercado.

Assim, no começo dos anos 2000 tínhamos vários carros à disposição de poucos compradores. Após 2003, mesmo com a economia entrando em rota de crescimento, tínhamos perdido projetos para outros países ou simplesmente perdido os projetos. Entre esses estava o Vectra. Lançado com toda a pompa e circunstância em 1996, em sintonia com a Europa, vendia uma fração dos seus tempos áureos.

Na Europa já tinha sido substituído (por um mais moderno, mas bem mais sem graça, é verdade) e que não poderia ser produzido aqui devido aos custos. Com o lançamento do Astra na Europa em 2003 (outro que perdemos), viu-se a oportunidade aí de fazer um sedã sobre ele. E assim foi feito. O nosso Vectra tornou-se um “Astrão” e ganhou após algum tempo a versão hatch chamada de GT… o Astra que tínhamos perdido. Curiosidade: Em alguns mercados da Europa era vendido o nosso Vectra, produzido na Polônia com a carroceria enviada daqui… Seu nome? Astrã sedã, oras.

2006 – Chevrolet Prisma

Prisma-2 Carros: projetos brasileiros

Importância: Ser um sedã independente, um passo além dos populares

Pelo menos é isso que queriam os marqueteiros da GM. Apresentado em 2006, o Prisma era um sedã. Mas nunca foi apresentado como a versão sedã do Celta. Com intuito de ser o próximo degrau após o carro popular, era só vendido com o motor 1.4. Apesar de seu desenho ser bonito (até mais que o do Celta que tinha acabado de ganhar uma reestilização), nunca foi exatamente um grande sucesso.

Seu irmão mais velho, o Classic, sempre foi mais barato e melhor acabado. Foi mais uma tentativa de vender o mesmo por mais. Alguns anos depois, em 2009 ele passa a contar também com o motor 1.0. Curiosidade: Para se diferenciar do Celta, ele nunca usou a nomenclatura do irmão, Life, Spirit e Super. Usava a do Corsa, Joy e Maxx.

2007 – Fiat Palio reestilizado pela terceira vez

Palio-2008-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Um projeto de sucesso que perdeu beleza e foi substituído pelo… modelo antigo

O Fiat Palio pode ser acusado de tudo, menos de ficar parado. A cada 3 ou 4 anos ele é inteiramente reformado. E a aguardada mudança de 2007 foi um balde de água fria. Sempre um carro bonito, onde a cada reestilização aparecia algo novo, a quarta reforma foi um ponto fora da curva. Os faróis grandes de dupla parábola deram lugar a um simples. Linhas mais retas na grade não agradaram. Mas quem foi severamente atacada foi a traseira.

Pela primeira vez as lanternas não eram os destaques. Ganharam orientação horizontal e muitos diziam ser cópias do Daihatsu Charade vendido aqui na primeira metade dos anos 90, o que não soava como elogio. Suas vendas caíram e apesar de pouco mais de um ano após a apresentação ter ganhado a frente do Siena, com faróis duplos e nova grade, o fato é que o estrago já estava feito. Curiosidade: Com o lançamento do novo Palio, este sim 2ª geração, o Fire continuará a ser vendido, e não esta versão, padrão que se repete desde a primeira reforma, em 2000.

2007 – VW Golf

Golf-4 Carros: projetos brasileiros

Importância: Reestilização de um carro usando como base linhas de duas gerações seguintes

O Golf é um carro aclamado tanto pela crítica, graças à sua dirigibilidade, quanto pelo público, por ser um produto sólido. Mas tudo tem limite. Já tínhamos perdido o Golf V e estávamos vendo o lançamento do Golf VI quando a VW quis dar um ar mais moderno ao nosso. Surge um carro de linhas desproporcionais, faróis grandes e lanternas idem. Se o formato deste par estava em sintonia com os VW vendidos no mundo, a carroceria não.

Se antes ele era antigo, agora continuava antigo e somava a isto desproporção. Seu conjunto mecânico, embora sem nada de especial (mas muito bem acertado), porém, ainda o sustenta. Curiosidade: No lançamento do Golf reestilizado, os projetistas diziam que a composição grade e para choque formavam um V e um W e as lanternas tinham os refletores feitos para parecerem turbinas de avião. Você viu isso?

2007 – Renault Sandero

Sandero-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Ser o primeiro projeto nacional da Renault

Embora fosse ser comercializado mesmo só em janeiro de 2008, o Sandero fez sua aparição pouco depois do lançamento do Logan. Se a Renault brasileira andava desgostosa graças aos acontecimentos (não produziria o Clio III, perdeu a produção do Modus, a Scénic já não era nem sombra do sucesso que tinha feito e o Megane não saiu da promessa de ser sucesso), ela transformou isso em ideias e fez um carro novo sobre a plataforma do Logan.

Enquanto todos esperavam um Logan sem traseira, eis que surge um hatch maior que todos seus concorrentes, de linhas recortadas e interessantes, com refinamentos de vincos que variavam luz e sombra. Sobre um projeto que tinha que ser obrigatoriamente barato, surge um compacto bonito que lembrava as linhas recortadas de Chris Bangle, designer da BMW. Curiosidade: O Sandero também está no Duster. Suas portas dianteira são exatamente as mesmas, o que obrigou as portas traseiras terem o mesmo vinco em forma de meia lua.

Ka-2 Carros: projetos brasileiros

Chegamos ao final de nossa série “Carros: projetos brasileiros”. Foram ao todo cinco matérias bem completas falando a respeito dos modelos desenvolvidos ou modificados aqui em nosso país, feitos para atender as necessidades locais.

2007 – Ford Ka

Importância: Fazer um carro completamente novo com peças que existiam na prateleira

Após o lançamento do Vectra, em 2005, virou moda entre as fábricas falar que não poderiam fazer carros equivalentes ao produzidos na Europa devido ao preço, que seria mais alto. O Ka seria substituído na Europa e aqui no Brasil ele não conseguia cumprir bem nenhum papel que foi lhe dado.

Era caro demais para ser um carro do seu tamanho, era pequeno demais para ser um carro único, era simples demais para ser um carro de nicho. Com o sucesso do Ford Fiesta, a Ford tomou algum fôlego e com as armas que tinha, fez quase um carro novo.

Com 85% das peças já existentes, o novo Ka é na verdade um novo arranjo com flores antigas. Sua base dianteira é a do Fiesta Street, assim como a parte traseira. Suas portas e para brisa são do Ka antigo. Até o EcoSport ajudou, com a caixa de direção.

O Fiesta Sedã contribuiu com a barra acima da placa traseira. O fato é que a receita foi bem cozinhada. Ainda é um carro bem equilibrado e seus concorrentes não são nenhum exemplo de modernidade (excetuando-se aqui o novo Uno). Curiosidade: A economia foi tão intensa que mesmo a almofada do volante, quando este é equipado com Air Bag, é a mesma de quando o carro foi lançado, 1997.

2007 – Fiat Siena

Siena-2 Carros: projetos brasileiros

Importância: Separar um sedã do hatch que o originou. E fazer mais sucesso que ele

Se o Palio caiu em desgraça após a sua terceira reestilização, o Siena se consagrou como um exemplo de superação. Exageros à parte, é interessante ver a trajetória deste sedã que nasceu como sendo o mais feio da família chegar a ser chamado (com exagero) de Alfa Romeo dos pobres.

O fato é que nesta reestilização a Fiat já ensaiava o descolamento do Siena frente ao Palio. Algo que chegará ao seu apogeu com a apresentação do novo Siena, programada para o ano que vem. Se o Palio foi criticado pelo acanhamento de seu novo desenho, o Siena ganhou faróis duplos e lanternas estreitas com um quê de Alfa Romeo.

Somando a isso uma profusão de cromados, o Siena acabou ficando com cara de carro caro. Curiosidade: A frente do Palio que não fez sucesso foi colocada no Siena EL, fazendo dele um carro mais barato e com um sucesso maior ainda.

2008 – Gol G5

Gol-G5-3 Carros: projetos brasileiros

Importância: Criar outro carro para substituir um projeto de sucesso, mas que já estava sem condições de brigar

O Gol, após uma patinada no começo da carreira, virou um sucesso no mercado nacional. Vários tentaram superá-lo, mas o fato é que poucos carros conseguiram tirar-lhe a primeira posição do ranking de vendas após ele ter conquistado o posto em 1987.

E ainda assim por dois meses no máximo. Substituir um carro com tamanha importância não era fácil, mas ficar onde estava não era uma opção. Afinal de contas, em pleno século XXI um carro pequeno com motor longitudinal e posição de dirigir torta não tinha cabimento.

Valendo-se da plataforma (melhorada) do Polo, a PQ-24, criou-se então um novo carro. Em um comprimento menor que o anterior, o espaço interno melhorou graças ao uso do motor transversal. A elogiada dirigibilidade do Polo foi mantida.

O acabamento continua simples, mas a modernidade do projeto está evidente. Curiosidade: O Gol G4 continua a ser produzido, mas ao contrário da linha Palio (até agora, sem contar este novo), a venda do projeto mais novo é bem maior que o antigo.

2008 – Peugeot Hoggar

Hoggar-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Marca que entra em uma seara até então desconhecida pelas mais novas no mercado brasileiro

Após o surgimento das novas fabricantes no Brasil, novidade iniciada em 97 com a Honda, elas tentavam entrar ou em um segmento novo (como a Renault com a Scénic, minivan média) ou em um que já existia mas com total dedicação a ele, como a Toyota com o Corolla.

Mas demoraram a entrar em alguns segmentos dominados pela quatro grandes. O último segmento a ser explorado por estas empresas foi o de pick ups pequenas. E quem tomou coragem foi a Peugeot. Usando como base um Peugeot 206, já reestilizado e chamado de 207 (o 207 real não poderia ser produzido aqui devido, adivinhem, aos custos), a fábrica francesa desenvolveu a Hoggar, a pick up 207.

Apesar de ter feito algum sucesso na crítica, devido à sua dirigibilidade acertada, sequer conseguiu superar a Ford Courier, a mais velha e menos vendida picape pequena. Mesmo assim, foi um passo ousado da Peugeot. Curiosidade: Apesar da base dianteira ser do 206, a base da caçamba vem da Partner, furgão de cargas (e pessoas dependendo da versão) da marca.

2009 – Chevrolet Agile

Agile-4 Carros: projetos brasileiros

Importância: Criação de um novo carro em uma plataforma antiga em um tempo de incertezas

A crise de 2008 foi forte e a GM nos EUA estava quase falida, tanto que precisou da ajuda do governo para não entrar em colapso. Sem saber o que fazer, mas sabendo que não teria ajuda da matriz durante um bom tempo, a Chevrolet daqui precisava renovar seus produtos. E rápido.

O primeiro fruto foi o controverso Agile. Tendo como base a plataforma mais do que amortizada do Corsa de 1994, surge um carro feito à imagem e semelhança dos seus concorrentes, Fox e Sandero, os quais o Corsa hatch não conseguia brigar.

De linhas desencontradas, ofereceu ao mercado espaço amplo, posição de dirigir mais alta e equipamentos até então inéditos no segmento, como controlador de velocidade e acendimento automático dos faróis. É o carro sem versão 1.0 mais vendido do mercado. Curiosidade: A versão pick up, a Montana, substituiu a antiga, mas a rigor ela é mais antiga. Quase uma pick up Corsa.

2009 – Mitsubishi Pajero TR4

TR4-1 Carros: projetos brasileiros

Importância: Reestilização de um projeto já antigo com capital nacional

A Mitsubishi Motors do Brasil produz utilitários aqui desde 1998, com a L200. Na verdade a Mitsubishi de nosso país paga royalties para a Mitsubishi do Japão. Sem poder alterar muito seus produtos, conseguia dar a eles uma reestilização acanhada e mesmo discutível, trocando os faróis retangulares por outros, redondos e envolvidos por uma moldura.

A TR4 já tinha passado por este processo mas em 2009 surge a segunda reestilização. Mais profunda, envolveu troca de toda a estamparia (menos o teto). Vincos foram suavizados, para choque redesenhados e a frente ganhou os mesmos faróis do Airtrek. E não é que ficou bom? Não é sempre que uma reestilização fica boa assim. Curiosidade: A TR4 chegou aqui como importada, e chamave-se Pajero iO.

2010 – Fiat Uno

Uno-5 Carros: projetos brasileiros

Importância: Fazer um projeto novo inspirando-se em um antigo

O Uno Mille é um importante carro no Brasil. Ele cumpre o papel que foi do Fusca no passado, que era ser o mais barato carro disponível. Desenhado por Giorgio Giugiaro, o Uno representou durante muito tempo o que havia de mais moderno no mercado nacional.

Criar um novo carro olhando para um projeto tão antigo quanto importante não era fácil. A Fiat do Brasil então criou o Novo Uno, uma reinterpretação do velho Uno, com linhas retas, espaço interno amplo e um ar de modernidade que há muito tinha se perdido.

Sustentado por uma agressiva campanha de marketing, o Novo Uno virou objeto de desejo de muitos e, devido às suas formas, chegou a ser comparado ao Kia Soul. O sucesso foi imediato e atrapalhou muito as vendas do Palio, o carro imediatamente superior na hierarquia da marca. Curiosidade: Opcionalmente ele tem o para brisa térmico, disponível para carros sem ar condicionado. Trata-se de micro filetes que esquentam o para brisa desembaçando-o, tal como o traseiro.

2010 – Citroën AirCross

Air-Cross-4 Carros: projetos brasileiros

Importância: Ser tão importante para a marca que foi lançado antes aqui

O AirCross não é exatamente um projeto brasileiro. Ele tem como origem o C3 Picasso, apresentado na Europa em 2008. Sua roupagem aventureira porém é tão extravagante que aqui ganhou outro nome (o que o faz ser outro carro para a marca).

Uma das exigências dos projetistas brasileiros era o estepe à amostra na traseira, coisa que os franceses demoraram a entender que era necessário para cá, ou então não seria um “aventureiro de verdade”.

O fato é que o AirCross não existe na Europa (se existir provavelmente será sem o estepe do lado de fora), mas já roda aqui. E se agora temos o C3 Picasso, ainda falta o C3, que deve aparecer só no ano que vem. Curiosidade: Tanto o AirCross quanto o C3 Picasso tem painel completamente diferente do C3 Picasso europeu, que tem instrumentos no centro do painel.

2011 – Chevrolet S-10/Colorado

S-10-3 Carros: projetos brasileiros

Importância: Projeto brasileiro que vai ser vendido mundialmente

A Chevrolet brasileira ficou incumbida de desenvolver o projeto de uma nova pick up média, que seria vendida mundialmente. Após anos de desenvolvimento, o que surge é uma picape interessante, equilibrada visualmente e inserida no novo desenho da marca.

Apresentada na Tailândia, sequer foi mostrada aqui, mas é um lançamento que está próximo. E ainda que haja alguma diferença, na essência será ela. E virá acompanhada da nova Blazer, outro projeto bem interessante. Ponto para os projetistas brasileiros e ponto para a Chevrolet do Brasil que andava meio desacreditada com o Agile, Montana e Cobalt.

Curiosidade: Ainda não sabemos se ela será chamada de S-10 ou Colorado. Provavelmente a Chevrolet não abandone o nome S-10, já bem consolidado e de sucesso.

Por Durval dos Santos Neto

  • luiz carlos pires

    carro antigo pra mim é um só ….OMEGA-SUPREMA de 1993 a1996, não tem discussão, é muito 10, desde que faça manutenções todas em geral.

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