
A Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, enviou uma carta aberta ao público “pela manutenção dos compromissos assumidos com a indústria automotiva brasileira e preservação dos investimentos em novas tecnologias em curso”.
Nela, a entidade que reúne as principais e mais antigas montadoras instaladas no país, defende a manutenção do cronograma de recomposição tarifária estipulada pelo governo federal para as importações de carros eletrificados, que se encerra no dia 30 de junho.
Diante da tentativa da marca chinesa BYD de, junto ao governo, obter uma prorrogação dos incentivos fiscais para continuar importando carros da China com tarifa menor, a Anfavea reagiu com uma carta aberta.
A associação também defende a manutenção do “fim das cotas de importação de kits para a montagem de veículos sem o devido recolhimento de tributos.”
No texto, a Anfavea diz que “manter as medidas tal como foram anunciadas é assegurar a previsibilidade e a estabilidade das regras sobre as quais o setor automotivo decidiu investir no país.”
Embora reconheça que a recomposição tarifária durante o período de vigência do programa, iniciado em 2023 e aperfeiçoado em 2025, não prejudica o nível de abertura comercial necessário para estimular a entrada de novos competidores, a Anfavea deseja que a política para o setor volte ao status anterior.
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Após um ingresso massivo de novas marcas no país que, somente no primeiro trimestre deste ano adicionou onze novas marcas, a entidade não vê a necessidade de se prolongar incentivos para atrair novos players.
A Anfavea também reconheceu que tais investimentos de novos entrantes são capazes de gerar empregos de qualidade, renda para as famílias, inovação e desenvolvimento de longo prazo.
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Todavia, diante dos enormes estoques, que chegaram a 150 dias em maio de 2026, segundo a entidade, as montadoras observam que algumas das marcas que chegaram estariam adiantando seus recebimentos de veículos.
Na visão da Anfavea, enormes estoques distorcem a realidade comercial da oferta dessas novas marcas.
Já em relação à produção, a entidade quer mais ênfase nos investimentos, especialmente em eletrificação, em pesquisa e desenvolvimento locais, engenharia e inovação, fortalecimento da cadeia de fornecedores e de empregos mais qualificados.
Favorável à mudança e também a novas montadoras, a Anfavea resume seu posicionamento defendendo:
- Manutenção integral do cronograma de recomposição tarifária já estabelecido, sem postergações;
- Não renovação das cotas de importação com alíquota zero, encerradas em janeiro de 2026;
- Não criação de ex-tarifários ou mecanismos equivalentes à postergação do cronograma;
- Diálogo prévio com a indústria diante de qualquer mudança nas condições que fundamentaram os investimentos anunciados.
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