
A Audi encerrou uma parte importante de seu repertório recente, mas seu principal executivo já indica que essa ausência pode não ser definitiva.
A troca da nomenclatura A4 para A5 não trouxe apenas reposicionamento para os sedãs a combustão da marca alemã.
A mudança também marcou o fim dos últimos cupês e conversíveis convencionais oferecidos pela Audi em sua linha principal.
Gernot Döllner, CEO da Audi, reconhece que esses formatos ficaram sem espaço no momento atual, mas acredita em um retorno futuro.
A tendência não atinge apenas Ingolstadt, já que a Mercedes-Benz também reduziu sua oferta de carrocerias de apelo emocional.

Antes, a marca oferecia cupês e conversíveis derivados de Classe C, Classe E e Classe S, hoje consolidados na família CLE.
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BMW também atravessa incertezas, com futuro indefinido para Série 4 e Série 2 Coupé, enquanto o Série 8 já saiu de cena.
Durante uma entrevista coletiva na Alemanha no mês passado, Döllner explicou que a indústria vive um processo de consolidação global.
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Segundo ele, as fabricantes precisam administrar múltiplos sistemas de propulsão, o que reduz a liberdade para investir em carrocerias de menor volume.
A fala se refere à transição dos motores a combustão para EVs, híbridos e novas soluções técnicas ainda em avaliação.
Esse movimento ficou mais complexo porque várias marcas, incluindo a Audi, tiveram de ajustar planos de eletrificação inicialmente mais ambiciosos.
Ao mesmo tempo, a fabricante conduz uma ampla renovação de portfólio, o que naturalmente desloca recursos para plataformas e conjuntos mecânicos.
Nesse cenário, cupês e conversíveis acabam perdendo prioridade, principalmente por atenderem públicos menores em um mercado já bastante fragmentado.
Ainda assim, Döllner afirma acreditar que produtos mais emocionais voltarão a ganhar espaço no mercado automotivo global.
O executivo citou o futuro C-Sport, derivado do conceito elétrico Concept C, como um exemplo dessa nova fase de apelo emocional.
Ele também mencionou a família RS e admitiu imaginar novamente versões cupê ou conversível, embora outras decisões venham antes agora.
A declaração surgiu antes da revelação do Nuvolari, então o C-Sport era o principal cupê previsto no horizonte da marca.
Mesmo assim, a posição do CEO reacende a expectativa por modelos mais acessíveis e menos exclusivos dentro dessas carrocerias.
A linha RS atual já tenta resgatar envolvimento ao volante, especialmente com o RS 5 Sedan, apresentado como um Audi mais divertido.
Cupês e conversíveis, porém, oferecem outro tipo de atração, menos dependente de números de desempenho e mais ligado a estilo e liberdade.
Modelos como A5 Coupé e A5 Cabriolet não eram lembrados apenas por aceleração de 0 a 97 km/h ou potência.
Eles tinham valor por unir desenho elegante, condução prazerosa e, no caso dos conversíveis, a experiência de viajar ao ar livre.
O Audi TT, mesmo em versões básicas, representava bem essa ideia de personalidade visual acima da simples busca por desempenho extremo.
A leitura de Döllner também revela uma realidade incômoda para fabricantes premium, que têm grandes orçamentos, mas não recursos ilimitados.
A guinada rumo à eletrificação, seguida por ajustes estratégicos, consumiu investimentos que poderiam financiar projetos de menor retorno comercial.
Somado ao cenário econômico mais duro para compradores, isso explica por que tantas marcas passaram a priorizar modelos mais práticos.
Ainda que o retorno não tenha data, a Audi deixa aberta a porta para cupês e conversíveis voltarem a ocupar sua garagem.
