CEO da Ford admite temor real com a China, minimiza Tesla e faz uma confissão que expõe o tamanho da virada no setor automotivo

Jim Farley, homem de terno azul, diante de um painel com o logotipo da Ford.

Durante anos, a discussão sobre o futuro do carro elétrico nos Estados Unidos girou em torno da Tesla, mas a Ford agora enxerga um adversário bem diferente.

Jim Farley, CEO da Ford, afirmou que já não está mais preocupado com a possibilidade de a Tesla dominar sozinha a conversão total da indústria americana aos EVs.

Segundo o executivo, a atenção da empresa está concentrada nas montadoras chinesas, que avançam rapidamente em tecnologia, engenharia e qualidade, elevando o nível da concorrência global.

Farley disse ter sido humildado depois de dirigir por seis meses, em 2024, um sedã elétrico Xiaomi SU7, experiência que ajudou a recalibrar sua visão estratégica.

No podcast Rapid Response, em entrevista ao apresentador Bob Safian, o chefe da Ford afirmou que a disputa decisiva agora passa por enfrentar os fabricantes chineses.

Ele declarou que americanos interessados em ver a indústria do país superar a China no setor automotivo deveriam observar menos a Tesla e mais esse novo bloco rival.

Sem atacar diretamente Elon Musk ou sua empresa, Farley reconheceu o bom trabalho da Tesla, mas observou que a marca não tem exatamente um produto atualizado.

O executivo elogiou de forma específica a BYD, que superou a Tesla em 2025 e se tornou a maior fabricante mundial de EVs a bateria.

Farley destacou a estrutura de custos da BYD, sua competitividade, gestão da cadeia de suprimentos, capacidade de manufatura e propriedade intelectual como referências difíceis de ignorar.

Na avaliação dele, a Ford precisa absorver a competitividade de custos da BYD e combiná-la com a futura plataforma UEV em segmentos estratégicos.

Farley afirmou que consumidores americanos querem EVs de nova geração em formato de picapes e utilitários, com preços em torno de US$ 30.000 (R$ 149.200).

Para ele, a grande contribuição da China foi obrigar montadoras do mundo todo a reduzir custos de desenvolvimento, abandonando qualquer acomodação diante do avanço asiático.

O CEO lembrou que a Ford já enfrenta marcas chinesas diretamente na Europa e também no mercado de picapes na Austrália e na Tailândia.

Ainda assim, ressaltou que a indústria chinesa opera em outra escala, vendendo cerca de 29 milhões de veículos por ano, contra 16,3 milhões no mercado americano no ano passado.

Farley disse que a China possui capacidade instalada para produzir 50 milhões de veículos, o que deixaria fábricas pela metade se dependessem só da demanda interna.

Segundo ele, isso não é excesso sem propósito, mas parte de uma estratégia que já transformou o país no maior exportador mundial, com exportações 43% maiores neste ano.

O executivo também afirmou que a capacidade exportadora chinesa seria suficiente para abastecer todo o mercado da América do Norte, além de citar subsídios médios de até US$ 5.000 (R$ 24.900) por veículo.

Ao comentar a própria Ford, Farley admitiu que modelos como os EVs anteriores foram concebidos da maneira errada, perderam muito dinheiro e levaram a marca a priorizar utilitários mais acessíveis e produtos com identidade mais forte, decisão que também ajudou a selar o fim do Escape em favor do Bronco Sport.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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