
Detroit ganhou uma espécie de prazo informal para reagir, pois a Ford acredita que fabricantes chinesas poderão chegar aos Estados Unidos dentro de cinco a dez anos.
Jim Farley, CEO da Ford, teria apresentado essa previsão a funcionários durante uma reunião interna acompanhada por outros executivos seniores da companhia.
Fontes ouvidas pela Reuters indicam que a liderança considera mais provável uma entrada próxima do fim desse intervalo, embora o cenário continue altamente incerto.
Atualmente, tarifas próximas de 100% tornam os automóveis chineses pouco competitivos nos Estados Unidos, somando custos elevados a diversas exigências regulatórias.
Regras para veículos conectados também restringem progressivamente programas e componentes chineses, fechando espaço para modelos desenvolvidos ou controlados por grupos do país asiático.

A Polestar, majoritariamente pertencente à Geely, deixará o mercado norte-americano após o ano-modelo 2026, mesmo produzindo o SUV 3 na fábrica da Volvo na Carolina do Sul.
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Parlamentares defendem medidas ainda mais rígidas, mas a direção da Ford evita construir sua estratégia supondo que essas proteções continuarão indefinidamente.
Bill Ford, presidente executivo da companhia, afirmou ao Wall Street Journal que as marcas chinesas não poderão ser mantidas fora para sempre.
Segundo o executivo, as fabricantes de Detroit precisam aprender a superar essas concorrentes usando eficiência, tecnologia e preços semelhantes aos oferecidos por elas.
A preocupação encontra respaldo na Europa, onde as empresas chinesas já respondem por aproximadamente um em cada dez automóveis vendidos.

A Jaecoo registrou seu primeiro veículo no Reino Unido em janeiro do ano passado e, somente 13 meses depois, colocou um SUV na liderança nacional.
Movimento semelhante ocorre na Austrália, onde a BYD Shark tornou-se a picape mais vendida, ampliando rapidamente a influência da fabricante chinesa.
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Marcas do país asiático também conquistaram participação relevante no México, vizinho direto dos Estados Unidos e possível plataforma para estudar preferências regionais.
O Canadá permitirá a entrada de quantidades limitadas de EVs chineses, criando outra oportunidade para essas empresas avaliarem a receptividade dos consumidores norte-americanos.
Diante desse avanço internacional, a Ford desenvolve uma nova família de EVs acessíveis, projetada para reduzir custos e simplificar os processos industriais.

Entre os produtos previstos está uma picape elétrica de aproximadamente US$ 30.000 (R$ 153.300), programada para chegar ao mercado em 2027.
A fabricante também mantém uma cooperação com a Geely na Europa, região onde a concorrência chinesa já obriga grupos tradicionais a reverem operações.
Essa aproximação mostra que a Ford pretende aprender com empresas chinesas ao mesmo tempo que se prepara para enfrentá-las em seu mercado doméstico.
Ainda não existe garantia de que BYD, Jaecoo ou outras marcas ocuparão estacionamentos norte-americanos até 2036, pois tarifas e regras podem permanecer.
Mesmo assim, Farley parece tratar o avanço chinês como uma possibilidade concreta, e não como uma hipótese distante limitada a outros continentes.
A experiência europeia, britânica, australiana, mexicana e canadense mostra que essas fabricantes conseguem crescer rapidamente sempre que encontram condições comerciais favoráveis.
Para a Ford, confiar apenas em tarifas poderia deixar Detroit despreparada caso Washington altere suas regras antes que a indústria local reduza custos.
O aviso interno funciona, portanto, como uma contagem regressiva para desenvolver automóveis mais acessíveis e processos capazes de competir sem proteção permanente.
