
Jim Farley transforma a revisão do acordo comercial norte-americano em uma cobrança direta contra fabricantes que vendem muito nos EUA, mas importam demais.
O CEO da Ford quer que um novo pacto regional favoreça quem monta veículos nos Estados Unidos e pressione rivais dependentes de produção externa.
A administração Trump decidiu não renovar o United States-Mexico-Canada Agreement em sua forma atual, mantendo conversas com México e Canadá.
A justificativa oficial envolve corrigir “deficiências” do acordo, incluindo déficits comerciais, regras de conteúdo das peças e maior vantagem para os EUA.
Farley aproveita esse cenário para defender uma regra capaz de tornar mais difícil competir importando grande parte dos carros vendidos no mercado norte-americano.
À CNBC, o executivo afirmou ser “imperativo” que qualquer novo acordo facilite, e não complique, a disputa contra montadoras norte-americanas.
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A frase veio acompanhada de uma referência a marcas que importam do Japão, da Coreia do Sul e de outros centros globais de produção.
A mensagem é clara: para Farley, rivais que abastecem quase metade das vendas com importados não deveriam jogar pelas mesmas condições da Ford.
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A Ford deveria apoiar penalidades para montadoras que vendem nos EUA com carros importados?
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A CNBC apontou que a GM importou 1,17 milhão de veículos no ano passado, número equivalente a 41% de suas vendas domésticas.
Essa conta inclui modelos importantes como Chevrolet Trax e Equinox, além da maior parte da linha Buick oferecida atualmente aos consumidores norte-americanos.
A Toyota também entra no centro da discussão, mesmo mantendo diversas unidades produtivas instaladas dentro dos Estados Unidos.
Segundo os dados citados, a marca japonesa importou mais de 1,19 milhão de veículos em 2025 para abastecer suas lojas no país.
Esse volume significa que 47% dos veículos vendidos pela Toyota nos Estados Unidos vieram de fora, porcentual próximo da metade de sua operação local.
Para a Ford, esse quadro cria uma disputa desigual contra uma fabricante que diz bancar custos mais altos para manter produção doméstica relevante.
A própria empresa afirma montar “mais de seis veículos na América para cada um que importa”, indicador usado para sustentar sua posição.
A Ford também declara ter produzido mais de 2 milhões de veículos nos Estados Unidos no ano passado, superando qualquer outra montadora nesse recorte.
Outro dado destacado pela marca é que 83% dos veículos vendidos por ela no mercado norte-americano são feitos dentro do próprio país.
Esse argumento ganha força porque fabricar nos Estados Unidos costuma sair mais caro do que operar em países de salários menores, como o México.
Farley parece sugerir que o acordo revisado deve reconhecer essa diferença, seja por incentivos aos fabricantes locais ou por barreiras aos importadores.
A proposta, porém, tende a ser delicada para Canadá e México, já que a indústria automotiva regional funciona com cadeias produtivas profundamente conectadas.
O ponto central é que a Ford não quer apenas proteção comercial, mas uma vantagem concreta sobre rivais que lucraram usando produção fora dos EUA.
A revisão do pacto, portanto, vira palco para uma disputa maior sobre quem deve ser recompensado por produzir localmente e quem deve pagar por importar.
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