Chefe da Nissan avisa que não adianta ir contra os chineses, em 2 a 3 anos eles irão até mesmo começar a produzir dentro dos Estados Unidos

Carro esportivo Nissan vermelho com inscrição Nismo e um homem ao lado, em um estande automotivo; um SUV Pathfinder aparece ao fundo.
Executivo da Nissan posa ao lado de um modelo esportivo da marca; a empresa prevê a chegada de fabricantes chinesas ao México em dois ou três anos.

A próxima grande disputa da indústria automotiva mexicana pode começar dentro de poucos anos, e a Nissan já está reduzindo custos para enfrentar fabricantes chinesas produzindo localmente.

Christian Meunier, presidente da Nissan Americas, estima que empresas chinesas começarão a fabricar veículos no México dentro de dois a três anos.

Durante encontro realizado em 28 de setembro na sede global da Nissan, em Yokohama, o executivo afirmou que a empresa precisa estar preparada antes dessa mudança.

A estratégia inclui uma revisão agressiva dos custos e do desenvolvimento de produtos, especialmente no México, mercado considerado essencial para enfrentar concorrentes locais mais baratos.

Segundo Meunier, competitividade de custos será uma das principais regras do setor pelos próximos cinco anos, exigindo mudanças também de fabricantes ocidentais e japonesas.

BYD Dolphin Mini rosa visto de frente, com faróis estreitos, rodas pretas e teto com sensor
Hatchback da BYD, fabricante chinesa citada pela Nissan como concorrente, em meio ao avanço das marcas chinesas na América Latina.

O executivo considera a cadeia de fornecedores da Nissan eficiente, mas reconhece que seus custos ainda não permitem competir diretamente com empresas como a BYD.

Parte da preocupação vem do crescimento acelerado das marcas chinesas na América Latina, onde preços menores vêm aumentando rapidamente sua presença comercial.

Meunier afirma que algumas empresas do setor classificam essa situação como dumping e relaciona parte da vantagem das fabricantes chinesas aos incentivos recebidos na China.

A previsão da Nissan é que marcas chinesas também acabem chegando aos Estados Unidos, embora Meunier não espere uma entrada relevante antes de pelo menos cinco anos.

Atualmente, fabricantes e entidades do setor norte-americano apoiam medidas para manter restrições a veículos chineses, enquanto senadores de ambos os partidos promovem legislação permanente nesse sentido.

SUV elétrico Geely EX5 prateado, visto de frente e pela lateral direita, com o nome do modelo visível na placa.
Geely EX5 prateado em imagem de divulgação; a Geely está entre as fabricantes chinesas que buscam ampliar a presença na América do Norte.

Donald Trump, por outro lado, declarou recentemente que aceitaria fabricantes chinesas produzindo nos Estados Unidos caso instalassem fábricas e contratassem trabalhadores norte-americanos.

O presidente também afirmou que não deseja ver veículos chineses fabricados no México sendo posteriormente enviados ao mercado dos Estados Unidos.

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México e Canadá aparecem justamente como possíveis bases para fabricantes chinesas que procuram ampliar sua presença na América do Norte sem depender diretamente das exportações da China.

Fabricantes como Chery, BYD, Leapmotor e Geely já buscam crescimento comercial nesses mercados, embora nenhuma delas tenha iniciado produção local de veículos até agora.

A produção mexicana teria outra vantagem importante, pois evitaria a tarifa de 50% aplicada pelo México às importações de automóveis provenientes da China.

General Motors e seus parceiros chineses também mantêm negociações avançadas para fabricar veículos da Wuling no México, criando uma possível primeira operação desse tipo na região.

Curiosamente, a própria Nissan pretende utilizar automóveis produzidos na China como parte de sua resposta ao crescimento das marcas chinesas na América Latina.

A empresa quer aproveitar capacidade disponível em suas fábricas mantidas por joint ventures chinesas e utilizar a experiência local em veículos eletrificados para abastecer outros mercados.

A picape Frontier Pro fabricada na China já está sendo lançada no México e deverá chegar a outros países latino-americanos entre este ano e o próximo.

O sedã elétrico N7 produzido na China também será exportado para a região, onde a procura por automóveis de fabricantes chinesas vem crescendo rapidamente.

Para Meunier, em determinados mercados será necessário justamente utilizar produtos desenvolvidos e fabricados na China para disputar compradores diretamente com concorrentes chineses.

A expectativa de fábricas chinesas no México aumenta a urgência dessa estratégia, pois a competição deixaria de depender apenas de importações e passaria a envolver produção regional de baixo custo.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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