Chery Cielo: detalhes, motor, equipamentos e manutenção

Chery Cielo: detalhes, motor, equipamentos e manutenção

O Chery Cielo foi um modelo médio da marca chinesa no Brasil. Surgiu como um hatchback e também sedã, feitos sobre uma nova plataforma que a montadora de Wuhu, revelou em 2008 na China.


O modelo chegaria ao mercado brasileiro em 2010, sendo um produto que mudou a concepção dos carros chineses em termos de estilo no Brasil. Desenhado por Pininfarina, era mais europeu que asiático no visual.

Depois do Tiggo 3 e Chery Face, esse foi o terceiro modelo da Chery no Brasil, ainda bem antes de fábrica em Jacareí ou associação com a CAOA.

Apesar do belo estilo, especialmente do hatch, o Chery Cielo pecou em muitos detalhes e na aparente falta de qualidade que a marca apresentava até então.

Chery Cielo: detalhes, motor, equipamentos e manutenção

Isso não só minou suas vendas, mas ajudou a retardar bastante a evolução da Chery no Brasil, que continuaria sendo apenas uma mera coadjuvante por muitos anos após sua saída de linha.

O que era para ser um sucesso, principalmente em ganho de imagem para a marca, se tornou um fracasso. O Chery Cielo tentou unir sua imagem ao famoso nadador César Cielo, mas não deu certo.

Saiu de cena em 2012, após pouco mais de dois anos de mercado, deixando para trás uma imagem ruim e reforçando a ideia na mente de muita gente, de que carro chinês não presta.

Leia também sobre o Chery S18.

Chery Cielo

Chery Cielo: detalhes, motor, equipamentos e manutenção

O Chery Cielo é um modelo de porte médio, que foi fabricado pela Chery na China, entre 2008 e 2015. No Brasil, foi importado por pouco tempo e basicamente teve apenas uma única versão.

Com design feito pelo estúdio italiano Pininfarina, o modelo chegou em configurações sedã e hatch, numa combinação que lembrava muito rivais como Ford Focus e Chevrolet Vectra.

Diferente destes, no entanto, a Chery não vislumbrou performance e apostou apenas no custo baixo, com os preços começando na casa dos R$ 41.990.

Chery Cielo: detalhes, motor, equipamentos e manutenção

Por conta disso, o Chery Cielo teve apenas motor 1.6 aspirado e transmissão manual. O pacote do equipamentos era apenas mediano, suficiente para não se igualar aos carros populares, mas longe de inovar.

Tendo bom aspecto visual, o compacto apresentava algumas soluções interessantes e outras bem simples. Ele era mais evoluído em termos técnicos que o monovolume Face e que o SUV Tiggo 3.

Formou uma dupla que poderia ter sido muito boa por aqui, especialmente num mercado que ainda tinha carros populares com menos que o básico e por um preço ruim.

Chery Cielo – Design

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Era 2010 e a Chery emplacava de uma vez o Face e o Cielo. Este último era o que enchia os olhos dos consumidores, afinal, tinha porte e pose de carro superior e mais caro.

O design do Chery Cielo foi bem feliz. A frente tinha faróis grandes e duplos, que usava uma solução interessante para as lanternas, numa lente que brilhava como um todo.

A grade tinha barras cromadas no capô e parte inferior, com a grelha estilizada e o antigo logotipo da Chery. Essa peça se moldava ao para-choque, formando um “V” central.

Abaixo, ficavam em conjuntos laterais, os repetidores de direção e faróis de neblina. O conjunto era bem atraente visualmente para a época.

Chery Cielo: detalhes, motor, equipamentos e manutenção

A carroceria tinha capô com poucos vincos e o teto era suavemente curvado no hatch. Os retrovisores eram arredondados levemente e tinha detalhes cromados.

Na base das portas, frisos laterais portavam repetidores de direção. A curvatura suave da carroceria se acentuava nas colunas C. As portas traseiras tinham maçanetas embutidas nas colunas, diferente das dianteiras.

Além dessa particularidade, o Chery Cielo tinha ainda luz auxiliar de freio em lente oval e bem pronunciada, montada numa cobertura própria entre teto e vigia traseira.

O vidro traseiro formava a parte superior da tampa, fusionada com a inferior, que era de aço. No entanto, não tinha limpador traseiro, uma das falhas do modelo por aqui.

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O motivo é que hatch e perua provocam efeito de turbilhonamento de ar na traseira em movimento, fazendo com que a sujeira se acumule no vidro. Por isso, o limpador é fundamental. Sem isso, ele se igualava a um carro popular de frota.

Entretanto, o Chery Cielo tinha altos e baixos. No primeiro caso, as lanternas traseiras eram realmente chamativas, no bom sentido. Apesar das luzes comuns para freio e pisca, a iluminação nas extremidades era feito por LEDs.

O para-choque traseiro era bem limpo, mas tinha molduras com refletores para se harmonizar com as que existiam no protetor frontal.

Se não fosse pelo motor, essa solução seria muito boa. Dois escapes cromadas ajudavam a embelezar a traseira do Chery Cielo em versão hatch, sendo isso exclusivo dessa variante.

Para terminar, as rodas de liga leve aro 16 polegadas tinham bom aspecto com seis raios. Os pneus eram 205/55 R16. Sem dúvida, a Pininfarina fez jus ao nome com esse design bem acertado.

Cielo Sedan

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O Chery Cielo chegou da China em duas “embalagens”. Além do hatch, tinha o sedã. Este era um pouco mais sóbrio, como manda o figurino dos três volumes.

Assim como o hatch, o sedã aproveitou-se bem das linhas italianas e apresentava o mesmo visual até as colunas C. Estas eram menos inclinadas e buscavam formar a tradicional proeminência traseira.

O porta-malas era curto e tinha tampa com um bom vão. Esta vinha ainda com um defletor de ar natural na peça. Abrindo até o para-choque, este descrevia um arco suave que moldava a base das lanternas.

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Elas tinham formas triangulares e fluidas, que casavam bem com o estilo do carro. O Chery Cielo Sedan tinha também LEDs nessas lentes, assim como luzes comuns ao centro.

O para-choque era liso e tinha molduras como no hatch, mas não havia cortes para escape, saindo este por baixo da peça. Além disso, o sedã tinha ainda uma antena vistosa na parte traseira.

De resto, até as rodas, eram idênticas entre eles. Mais familiar, gerava um problema para quem ia ao revendedor, pois, ambos custando o mesmo preço, tinham cada um seus atributos e defeitos no visual, mas se equilibravam.

Chery Cielo – Interior

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Mesmo sendo um carro feito para ser barato, apesar de sua proposta, o Chery Cielo era sim bem desenhado. Por dentro, o ambiente refletia bem isso, apesar da baixa qualidade construtiva e montagem.

O painel tinha um semicírculo superior que podia ser visto exteriormente na maçaneta da tampa traseira. O “V” pronunciado do console central refletia o visual frontal do carro.

No cluster, o visual era simples e os mostradores analógicos, mas bem distribuídos e iluminados em vermelho. O volante de dois raios não tinha comandos adicionais, mas apenas ajuste de altura.

Os faróis eram ajustados no painel, abaixo, junto com os retrovisores. Não havia nada no semicírculo e um rádio 2din com CD player na parte central. Este poderia ter recebido uma central multimídia posteriormente.

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Os difusores de ar centrais eram pequenos, os botões abaixo eram estilizados, assim como os cromados do ar condicionado manual. Logo após, surgia um interessante porta-copos retrátil, algo parecido com o visto no Face.

Não havia portas USB no tamanho padrão atual e entre os bancos, havia acendedor de cigarros, cinzeiro e porta-moedas. Eles não tinham apoio de braço central, outro pecado.

O banco traseiro tinha apenas dois apoios de cabeça e cintos de três pontos somente nos laterais. As portas tinham o mesmo design em dois tons e os vidros elétricos eram one touch apenas para abaixar.

Chery Cielo: detalhes, motor, equipamentos e manutenção

Eles não eram iluminados como no Face. Havia luzes de leitura dianteiras e iluminação interna padrão. Os bancos eram revestidos em tecido bege, cor predominante no habitáculo do Chery Cielo.

O banco do motorista tinha ajuste de altura, mas de resto era um carro com ambiente simples, tendo ainda pinos nas portas. A alavanca de câmbio tinha uma boa aparência.

O porta-luvas era mediano. Muitos donos adicionaram couro às portas e bancos, deixando o ambiente mais agradável. No exterior, havia até opção de teto solar elétrico, aqui nunca oferecido.

Chery Cielo – Mecânica

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O motor do Chery Cielo era um membro da família SQR, desenvolvido pela marca em parceria com a austríaca AVL, resultando nos propulsores da linha Acteco, que é a divisão de powertrain da chinesa.

Feito totalmente em alumínio, o SQR481 tinha 1.6 litro e duplo comando de válvulas no cabeçote, acionados por correia dentada. Com injeção eletrônica multiponto, o propulsor aspirado da Acteco tinha 1.597 cm3.

O propulsor, cujo cárter também era em alumínio, entregava 119 cavalos a 6.150 rpm e 15 kgfm a 4.300 rpm. Era números humildes para um carro de aspiração dentro do portfólio da Chery.

Equipado com transmissão manual de cinco marchas, cujas relações eram bem longas, o Chery Cielo tinha desempenho fraco, indo de 0 a 100 km/h em 14 segundos com máxima de 170 km/h.

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Isso refletia no consumo urbano, de meros 7,1 km/l na gasolina, único combustível aceito. Na estrada, com giros mais baixos, fazia 13,5 km/l. Ou seja, era bom de estrada e ruim de cidade.

O Chery Cielo hatch media 4,280 m de comprimento, 1,792 m de largura, 1,467 m de altura e 2,550 m de entre eixos. O tanque tinha 57 litros, enquanto o porta-malas ostentava 337 litros.

O banco bipartido ajudava a ampliar esse volume que, em realidade, não era ruim. Já o sedã media 4,350 m de comprimento e 1,794 m de largura. Tinha o mesmo entre eixos e praticamente a mesma altura.

Ele pesava 1.375 kg, o que era bastante coisa, assim como 1.335 kg no hatch.

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Seu porta-malas tinha 395 litros e realmente decepcionava em espaço, perante outros sedãs. Ainda assim, o New Civic da época tinha apenas 370 litros…

Tal como o japonês, o Chery Cielo tinha suspensão traseira multilink, montada em um subchassi. Na frente, McPherson em outro subframe. Os freios tinham ABS e EDB, tendo também discos nas quatro rodas.

Apesar do conjunto, foi bastante criticado no conforto e estabilidade. Também apresentou defeitos de embreagem e fraqueza em performance, já que o motor exigia rotação alta para manter o embalo e o câmbio longo só atrapalhava.

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A Chery podia ter adicionado o motor SQR484 2.0 de 135 cavalos do Tiggo 3 da época, o que teria aliviado mais essa característica do Cielo. Mas, o produto caía na mesma relação que limitou JAC J5, Kia Cerato e outros sedãs médios até 1.6 litro.

O Chery Cielo era um carro medianamente completo (leia também a avaliação completa do Chery QQ). Ele tinha os itens essenciais, como ar condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, rodas de liga leve aro 16 polegadas, faróis de neblina, lanternas em LED, sistema de áudio com CD player e mini-USB, ABS com EDB e airbag duplo.

Freios a disco nas quatro rodas, suspensão traseira multilink e até escape duplo (hatch) eram primazias de poucos carros naquela época. Pequenas correções no conteúdo, como limpador traseiro, teriam tido bom impacto. A qualidade, porém, era baixa e se provou inferior ao Face nos anos seguintes.

Chery A3

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Na China, o Chery Cielo era chamado A3 e não tinha qualquer relação ou pretensão de ser o Audi A3, visto que o Face era o A1. Apesar da simplicidade no Brasil, o modelo tinha alta conta na China.

Ganhou cinco estrelas no C-NCAP, sendo um dos primeiros carros chineses a fazer isso. O Chery Cielo também foi projetado para ser algo bem melhor do que conhecemos. Ele tinha 40% da carroceria em aço de alta resistência.

Lá ele chegou a dispor de controle de cruzeiro e até adaptativo, seis airbags, controles de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, câmbio automático de 4 marchas, teto solar elétrico, multimídia, entre outros.

O Chery Cielo foi produzido também no Egito, Taiwan e Venezuela. Teve diversos nomes em vários mercados. Ele teve também motores 1.6 com 126 cavalos, 1.8 com 132 cavalos e 2.0 com 139 cavalos.

Legado

Chery Cielo: detalhes, motor, equipamentos e manutenção

Foi o primeiro carro da marca a impressionar fora de casa. O Chery Cielo teve uma boa recepção em várias regiões. Depois de sete anos de produção internacional, o modelo foi substituído por uma série de produtos que culminaram no Arrizo7, que é um sedã de porte bem maior, além do atual Arrizo5.

Além disso, o projeto de design europeu com tecnologia nativa foi ampliada posteriormente para o Riich G5, bem recebido na Europa, mas com vendas apenas na China. Depois dele, a Chery mostrou o Qoros 3.

Este, assim como o Chery Cielo, teve inicialmente a pretensão de entrar na União Europeia, mas fez o mesmo, serviu apenas de chamariz para ter respaldo de imagem no mercado chinês.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.