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Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

A história do Impala se confunde com a dos mais famosos carros dos Estados Unidos, que mostravam de forma marcante o que significava o conhecido “estilo de vida americano”.

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive


Esqueça aquela história de comprar o carro mais barato ou mais econômico. Naquela época, a prosperidade era visível em quase tudo que os norte-americanos faziam e compravam, e isso incluía os carros, pelo menos até a primeira crise do petróleo.

No final das contas, o que fazia determinado modelo se destacar em meio a tantos outros era o fator emocional. Seu preço não importava (pelo menos para uma parcela da população), nem o quanto ele gastava de combustível com seu enorme motor V8.

Mas o que fez a Chevrolet ter tanto sucesso com o Impala, um modelo que já vendeu mais de 13 milhões de unidades? Quais eram as suas principais características e quais os motivos por trás de um desejo tão forte dos americanos por esse carro?


Impala, o sucesso que começou com o Bel Air

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

A verdade é que a Chevrolet já era uma marca de muito sucesso nos Estados Unidos bem antes do Impala. E parte desse sucesso veio graças ao Bel Air, o modelo que antecedeu o próprio Impala no topo da linha da marca.

A primeira vez que o público viu o Impala foi em 1956, no famoso Motorama Car Show. Mas olhando para o modelo exibido ali (foto acima), é provável que você não esteja vendo nada do que pensamos hoje quando falamos no Impala.

Isso ocorreu por que o primeiro Impala exibido era, na verdade, um modelo de estudo. Pensado por Harley Earl, designer automotivo da marca, ele nunca chegou às ruas.

Mas se tivesse, o cupê com linhas esportivas e teto rígido, que podia carregar quatro passageiros, poderia ter feito certo sucesso.

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

A chegada oficial do Impala ocorreu em 1957, já como modelo 1958, e ela veio inicialmente como um Bel Air Impala. Ou seja, essa história de sucesso começou como uma versão especial de um modelo já existente. Nessa época, o público podia escolher entre as opções conversível ou com teto rígido (hardtop).

Na verdade, esse modelo veio junto com vários outros para marcar o aniversário de 50 anos de produção da General Motors. Vários modelos foram introduzidos, para cada marca, incluindo Cadillac Eldorado Seville, Buick Roadmaster Riviera, Oldsmobile Holiday 88, Pontiac Bonneville Catalina e o próprio Chevrolet Bel Air Impala.

Visualmente, o Impala trazia muitos pontos altos, que viravam a cabeça dos americanos por onde ele passava. Seu conjunto óptico tinha dois pares na frente e seis lanternas, o que o diferenciava de outros modelos da marca.

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

Em comparação com o modelo anterior, esse Impala era um carro mais imponente: tinha um entreeixos maior (em 64 mm), além de ser 229 mm mais longo e 91 kg mais pesado. A linha de motores era igualmente impressionante para os padrões atuais, mas dentro do que o público esperava na época.

Ela começava com um propulsor de 235 polegadas cúbicas, ou 3,8 litros, e seis cilindros em linha. Esse motor, denominado Blue Flame e que também equipava o primeiro Corvette, entregava 145 cv. Subindo na lista, o próximo motor era o Turbo Fire de 4,6 litros (283 polegadas cúbicas), disponível com 185, 230 ou 250 cavalos.

Finalmente, havia o propulsor mais potente Turbo Thrust , com 5,7 litros (348 polegadas cúbicas) e potência entre 250 cv e 280 cv, associado a um câmbio automático de duas marchas. Posteriormente, ele também veio com mais potência, chegando a 300 cv ou até 315 cv.

No total, a primeira geração do Impala teve 55.989 conversíveis e 125.480 cupês produzidos, representando 15% do que a Chevrolet colocou nas ruas na época.

Um modelo independente e as famosas asas-de-gaivota

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

Depois de vendas iniciais mornas, o Impala foi convencendo o público e ajudou a Chevrolet a recuperar a liderança nos Estados Unidos. Mas foi em 1959, em sua segunda geração, que ele realmente se impôs frente à concorrência.

Isso aconteceu quando a Chevrolet decidiu fazer dele um modelo de acabamento próprio, e não mais uma versão do Bel Air.

Assim, o Impala passou a ser o carro top da marca, ganhando novidades visuais que marcariam sua história e estando disponível nas versões sedã, cupê, perua e conversível.

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

Na frente, o Impala recebeu uma nova entrada de ar acima dos faróis, e nas laterais, duas marcantes linhas de cintura. A inferior terminava na altura das lanternas (ainda com o conjunto de seis partes) e a superior ia até as famosas e únicas asas-de-gaivota, um desenho original que tem fãs até os dias atuais.

A segunda geração tinha motores 3.9 de seis cilindros em linha, 4.6 V8 e 5.7 V8, com potência variando entre 185 cv e 335 cv.

Entre os equipamentos, o Impala tinha apoio de braço dianteiro e traseiro, relógio, janelas com manivela e os opcionais bancos com ajustes elétricos em seis posições e uma espécie de regulador de velocidade, que emitia um som caso o motorista a ultrapassasse.

Década de 60 marca a chegada do esportivo SS

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O visual do Impala é apreciado até hoje, mas os designers da marca perceberam na época que algumas mudanças eram necessárias.

Com grande influência da NASCAR, que fazia cada vez mais sucesso entre os norte-americanos, o Impala ganhou a versão esportiva SS. Foi o primeiro modelo a receber essa designação, viva até hoje na linha da Chevrolet.

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

Entre os principais diferenciais, o Impala SS perdia a alavanca de câmbio na coluna de direção para dar lugar ao montado no assoalho, como nos carros de corrida. Os motores, é claro, eram todos V8, variando entre 305 cv e 360 cv.

Outras mudanças mecânicas incluíam freios e direção com assistência, suspensão e freios revisados e novo conjunto de pneus e rodas.

Ver o Impala SS apenas com esses big blocks acabou em 1962, quando a marca decidiu vender o esportivo com qualquer motor, além de disponibilizá-lo nas versões cupê e conversível.

Isso abriu a possibilidade de colocar um propulsor ainda maior no modelo: o enorme 409 V8, que inicialmente entregava 360 cavalos, depois passando a 409.

Novo estilo e recorde de vendas

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

Como em qualquer outro modelo com uma vida tão longa, o Impala mudou bastante seu visual no decorrer das gerações. Mas talvez a principal mudança tenha ocorrido no meio da década de 1960.

O público passou a apreciar modelos mais limpos, com desenho mais sóbrio e elegante. A Chevrolet correu para adaptar o Impala a essa tendência, e isso acabou sendo um divisor na história do modelo.

Tanto é que 1964 é o último ano procurado por quem deseja um Impala clássico nos dias de hoje.

Naquela época, porém, as mudanças foram muito bem recebidas. Prova disso é o recorde de vendas em 1965: um milhão de unidades, um número que até hoje impressiona e que nunca foi batido por outro modelo.

O estilo fastback, com vidro traseiro bem inclinado, passaria a estar presente na linha do Impala, que também recebeu a caixa Turbo Hydramatic e o chassi do tipo perimetral. Tudo isso acabou sendo uma espécia de despedida de um grande modelo, que fez muito sucesso, pois a partir do próximo ano tudo mudou.

Caprice ganha destaque e Impala perde o prestígio

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Assim como o Impala substituiu o Bel Air no topo da linha da Chevrolet, chegou a vez do Impala ser substituído pelo Caprice. Esse foi o primeiro sinal de que o modelo não teria mais o mesmo prestígio dos últimos anos.

Outro fator que contribuiu pra isso foi o modo como a Chevrolet passou a colocar o Impala SS no mercado. Esqueça aquele modelo com foco realmente esportivo. Agora, essa versão dava mais destaque ao visual do que ao conjunto mecânico, e isso fez o público que buscava um carro de alto desempenho passar a olhar para outras opções.

Um último fator que tirou o brilho do Impala, especialmente da versão SS, era a chegada dos muscle cars, modelos menores e com desempenho superior. O resultado veio na forte queda nas vendas, que chegou a 50%.

O que aconteceu com o Impala SS se assemelha muito ao que é comum hoje em dia. A Chevrolet decidiu, em 1968, oferecer apenas um pacote SS, que estava disponível para as versões conversível e cupê (nas opções fastback ou com teto de vinil).

Esse pacote de opcionais custava 179 dólares (o preço do Impala básico era de quase 3.000 dólares).

Transtorno de personalidade

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No início desse texto havia a pergunta “quais eram as suas principais características e quais os motivos por trás de um desejo tão forte dos americanos por esse carro?” A resposta: a forte personalidade do Impala.

Mas, infelizmente, isso só durou até o final da década de 1960. Com o surgimento de vários segmentos no mercado automotivo dos Estados Unidos, o que incluía carros menores, pra combater a concorrência dos europeus, o Impala acabou perdendo sua essência.

Os motores enormes, como o bloco 427 V8, de 425 cv, apareciam num ano e sumiam no outro. A traseira deixou de ser marcante (com as famosas asas-de-gaivota), dando lugar a algo mais comum, com lanternas redondas.

E a tão procurada versão SS foi ficando menos interessante, caindo um pouco nas vendas do Impala 67, e chegando a apenas 2.400 unidades vendidas em 1969.

É claro que o Impala continuava sendo um bom carro e, mesmo nas versões feitas após a década de 1970, continua sendo procurado por alguns colecionadores.

Mas era apenas isso, um bom carro, e não mais o melhor automóvel que os norte-americanos podiam comprar.

Anos 70: um Impala sisudo e pesadão

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

A Chevrolet decidiu reestilizar o Impala de 1968 para apresentá-lo na década de 1970. Com essas pequenas mudanças, o modelo ficava cada vez mais sério, numa tentativa de formar uma imagem de luxo, semelhante a um Cadillac.

A motorização apresentava uma novidade interessante com o novo bloco 454 V8, de 7,4 litros, que podia chegar a 390 cv de potência bruta. Algo realmente impressionante, mas que logo acabaria, já que no ano seguinte entrariam em vigor as novas normas de emissão de poluentes.

A linha de motores também contava com opções mais mansas, como o V8 de 265 cv e o seis cilindros de 155 cv.

Mesmo não sendo mais o Impala da década anterior, o modelo continuava oferecendo tudo aquilo que os norte-americanos queriam. Ele era um carro grande e com muito conforto, com itens como ar-condicionado automático, travas elétricas e toca-fitas de cartucho de oito pistas.

Mas aí veio uma mudança que atrapalhou esse cenário.

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

Em 1972, as normas de emissão de poluentes entraram em vigor, e logo no ano seguinte veio a crise do petróleo. Isso afetou profundamente o Impala, e em vários sentidos.

O primeiro deles era físico. As novas normas exigiam motores menores e mais eficientes: o seis cilindros passava a oferecer apenas 110 cv, enquanto o enorme 7.4 V8 tinha 270 cv (bem menos do que se imagina para um bloco desse porte).

Consegue imagine arrastar um carro de 5,6 metros (um Ford Fusion tem 4,87 m) e quase duas toneladas com apenas 110 cv?

Outro ponto estava relacionado a como a crise do petróleo afetou o público. Se antes ninguém questionava a compra de “barcas” com motores tão grandes, esse novo cenário mudou a mentalidade de muitos.

De repente não fazia sentido ter um carro desse porte para levar apenas uma pessoa, ou ter que gastar tanto com combustível.

Isso levou à procura de carros menores e mais eficientes, com motores de quatro cilindros, algo bem diferente do que era oferecido pelo Impala. Ou seja, uma mudança drástica precisava ser feita, e ela tinha que vir logo.

Uma reformulação total e um até breve

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Essa mudança forçada chegou com o lançamento do Impala 1977, um modelo bem diferente dos anteriores. Por fora, ele tinha ficado menor (tanto no comprimento, quanto na largura) e mais alto. Seu peso também foi reduzido em 300 kg.

Apesar disso, os ocupantes teriam mais espaço no interior, e o motorista logo iria sentir que o Impala estava melhor em sua dirigibilidade. Se algum engenheiro da Chevrolet ficou em dúvida sobre abolir os motores de bloco grande, essa dúvida logo acabou.

As vendas não eram as mesmas de anos anteriores, especialmente quando lembramos do recorde de 1965. Mesmo assim, o “novo” Impala foi muito bem aceito pelo público, sendo eleito o carro do ano por publicações especializadas e totalizando um milhão de unidades comercializadas entre 1977 e 1981.

Isso foi o suficiente para dar um novo ânimo ao Impala, mas não por muito tempo. Muitos sentiam falta de suas características iniciais, e suas vendas passaram a cair novamente.

Mesmo com uma leve reestilização no começo dos anos 1980, o Impala saiu de linha em 1985, ficando o Caprice em seu lugar.

A volta do Impala e o adeus definitivo

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No tempo que o Impala estava fora de linha, a Chevrolet lançou um Caprice totalmente novo, em 1991. Uma das versões do modelo era a perua, que apesar de priorizar a praticidade, acabou sendo alvo de algumas modificações.

Dizem que um desses modelos modificados foi visto por um dos chefes do departamento de estilo da Chevrolet, na garagem de seu vizinho.

A perua tinha rodas maiores, suspensão rebaixada e pintura em preto, e isso fez surgir uma ideia na cabeça do executivo: trazer de volta o Impala.

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

Assim, a marca preparou um conceito para o SEMA Show daquele ano, e o sucesso foi enorme. Logo depois, em 1994, o modelo chegaria às ruas, marcando o retorno do Impala. E nada nesse novo Impala lembrava os modelos antigos, com exceção do nome.

O motor era um 5.7 V8, de 260 cv e 45,5 kgfm de torque, associado a uma transmissão automática de quatro velocidades. Sua aceleração de 0 a 100 km/h era feita em 7 segundos e a velocidade máxima era de 229 km/h.

O Impala SS ainda tinha freio a disco nas quatro rodas com ABS, o tornando bem mais seguro que seus antecessores.

O Impala SS continuou por apenas alguns anos. Em dezembro de 1996 o último modelo saiu das linhas de produção, que agora se concentrariam nos mais requisitados e rentáveis SUVs.

O Impala volta, mas só no nome

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Muitos consideram a descontinuação de 1996 como o verdadeiro adeus do Impala. É verdade que o modelo voltou em 2000, mas isso foi só no nome, já que o carro em si nada tinha a ver com as gerações anteriores.

O “novo” Impala chegava com tração dianteira e duas opções de motorização, 3.4 e 3.8, ambas V6. Nos primeiros anos, ele tinha uma lista de opcionais que incluía teto solar, sistema OnStar, bancos dianteiros com aquecimento e rodas de 16 polegadas.

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

Em 2004, a marca trouxe mais uma vez o Impala SS, que tinha motor 3.8 V6 de 240 cv. Uma versão especial, chamada Impala Indy SS, também foi oferecida, tendo apenas 4.088 unidades produzidas.

Ela tinha grade preta com logo da Chevrolet dourado e vários adesivos da Indy no exterior e interior, além de rodas de 17 polegadas.

Em 2006 chegou ao mercado a nona geração do Impala, apresentada no Salão de Los Angeles. Com uma nova plataforma, o modelo chegava com vários motores V6, entre 3,5 e 3,9 litros, além de um 5.3 V8 para o esportivo SS.

Chevrolet Impala: tudo sobre o grande clássico de 1957 que ainda vive

O modelo atual vendido nos Estados Unidos é o Impala em sua décima geração, que chegou em 2013 (já como modelo 2014). Com o atual estilo da marca, o Impala agradou e ganhou vários prêmios, incluindo a nota máxima da revista Consumer Reports.

Os motores ficaram menores e eficientes, com opções 2.4, 2.5 e 3.6 V6, sempre associados a uma transmissão automática de seis velocidades. A potência varia entre 182 cv e 305 cv.

A expectativa é que o Impala continue sendo vendido e chegue numa nova geração nos próximos anos, provavelmente em 2020.

Impala – fotos

 

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