
Um número chamou atenção no anúncio chinês do dia 5 de junho: um motor axial com densidade efetiva de potência de 25,73 kW/kg, o equivalente a 35,0 cv/kg, e rotação acima de 18.000 rpm.
O projeto foi desenvolvido em conjunto pela Pangoo Power e pelo Ningbo Institute of Materials Technology and Engineering, da Academia Chinesa de Ciências, com divulgação atribuída à CCTV.
A dupla apresentou um novo material de ímã permanente pensado especificamente para motor axial, mirando melhor produto energético magnético, estabilidade em alta temperatura e resistência mecânica.
A ideia é atacar um gargalo industrial sem perder compatibilidade com produção em massa, ponto que costuma separar protótipo de “coisa vendável”.
Motores axiais diferem dos radiais porque o fluxo magnético corre paralelo ao eixo, e o formato em disco reduz o comprimento e aproxima a geração de torque do diâmetro externo.

Essa arquitetura aumenta densidade de torque e potência e pode reduzir peso, ao mesmo tempo em que facilita empacotamento e libera espaço útil no chassi.
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O conceito é antigo e remonta aos primeiros motores do século 19, mas materiais magnéticos e técnicas de fabricação limitaram a comercialização por décadas.
Agora, com avanços em ímãs, eletrônica de potência e manufatura de precisão, o motor axial voltou a ser tratado como rota real para EVs e outras aplicações.
Pesquisadores chineses afirmam que, em desempenho equivalente, o axial pode reduzir massa e dimensão axial em cerca de 50%, algo valioso para trem de força compacto.
O problema clássico sempre foi manter o disco estável em alta rotação, porque deformações estruturais e desequilíbrios de forças magnéticas ficam mais críticos conforme o rpm sobe.
Segundo os desenvolvedores, a melhora de material magnético e de estabilidade térmica reduz riscos de desmagnetização sob alta carga e alta velocidade.
O motor “pronto para produção” teria chegado aos 25,73 kW/kg e superado 18.000 rpm, mirando exatamente o uso exigente de EVs em estrada e em acelerações repetidas.
A comparação aparece num momento em que marcas chinesas puxam tecnologia em direções diferentes, como a Xiaomi Auto ao falar em motor a 28.000 rpm e módulo SiC próprio.
A Xiaomi também citou ganho de 5,9% no conjunto, lâminas de aço silício de 0,15 mm e eficiência de 98,38%, enquanto a BYD vem levando motor de 240 kW, ou 326 cv, a EVs mais baratos.
Além dos carros, o foco inclui robótica humanoide, com densidade de torque de 293 N·m/kg, equivalente a 29,9 kgfm/kg, que os pesquisadores dizem ser 22% maior que produtos de referência.
Outro mercado citado foi o de aeronaves de baixa altitude, onde cada quilo economizado melhora carga útil e eficiência, reforçando por que densidade virou a métrica do momento.
No pano de fundo, a China também segue ditando volume de EVs, com a BYD citada como líder global em maio ao vender 330.215 veículos, enquanto Geely Galaxy, Leapmotor, Zeekr e Xpeng aparecem entre as mais vendidas.
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