
A velocidade inédita dos lançamentos automotivos na China começa a cobrar atenção sobre a qualidade das baterias, segundo um alerta feito pela liderança da CATL.
Robin Zeng, presidente da Contemporary Amperex Technology Co., Limited, afirmou em 3 de setembro que ciclos cada vez menores de desenvolvimento estão pressionando os processos de validação.
Durante a World Power Battery Conference 2026, realizada em Yibin, na província de Sichuan, o executivo relacionou esse ritmo acelerado a problemas encontrados em determinados lotes.
Mais de 600 novos modelos chegaram ao mercado chinês durante 2026, segundo Zeng, volume que equivale aproximadamente a três lançamentos por dia.
O presidente da CATL afirmou que a redução dos ciclos de validação para acompanhar essa cadência contribuiu para falhas em lote de alguns produtos de baterias.

Nenhuma fabricante de automóveis ou fornecedora de baterias relacionada aos casos mencionados foi identificada por Zeng durante sua apresentação no evento.
A pressão também passa pelos preços, já que alguns EVs chineses de grande volume registraram redução nos valores de transação durante o primeiro semestre.
Células de fosfato de ferro-lítio, conhecidas como LFP, chegaram a valores inferiores a 0,35 yuan/Wh, reforçando o cenário de forte contenção de custos.
Esses indicadores ajudam a explicar as dificuldades comerciais enfrentadas por fabricantes e fornecedores, embora isoladamente não comprovem relação direta entre preços menores e falhas nas baterias.
Casos anteriores mostram que discussões envolvendo qualidade já chegaram a diferentes empresas, entre elas a subsidiária da Geely chamada Viridi E-Mobility Technology.

A companhia abriu uma disputa contra a Sunwoda em dezembro de 2025 por alegados defeitos em células fornecidas entre junho de 2021 e dezembro de 2023.
A Viridi buscava 2,31 bilhões de yuans em compensação, e posteriormente houve um acordo pelo qual a Sunwoda aceitou pagar 608 milhões de yuans.
Enquete
Qual requisito os ciclos de validação precisam cumprir antes da produção em massa de baterias?
Vote e veja o resultado em tempo real.
7 votos
Outro episódio envolveu aproximadamente 213.000 veículos GAC Aion equipados com células da CALB, segundo informações divulgadas em julho sobre diferentes problemas relacionados às baterias.
Entre os relatos estavam inchaço das células, perda de potência e outras falhas, cenário após o qual a CALB anunciou novas medidas de inspeção e qualidade.
Zeng também questionou os tradicionais limites de defeitos medidos em partes por milhão, conhecidos como PPM, considerando-os insuficientes para a produção de baterias em grande escala.

Uma bateria de tração reúne células em configurações conectadas em série e paralelo, fazendo com que o desempenho do conjunto dependa também das unidades individuais.
Pelo chamado efeito barril, autonomia operacional, comportamento de recarga e estabilidade térmica podem ser limitados pela célula com menor capacidade ou maior impedância.
Uma taxa de 1 PPM permitiria até 1.000 células defeituosas entre 1 bilhão produzidas, proporção considerada elevada diante do atual volume industrial.
A CATL afirma trabalhar internamente com meta máxima de um defeito por 1 bilhão de células, ou 1 PPB, índice 1.000 vezes inferior.
Esse número representa uma meta interna de engenharia e controle produtivo da empresa, e não uma taxa de falhas de veículos verificada de forma independente.
Zeng também apresentou o Opponent Group, equipe multidisciplinar existente desde a fundação da CATL e formada por especialistas de áreas como eletroquímica, engenharia mecânica e inteligência artificial.
O grupo procura modos potenciais de falha, submete sistemas de baterias a condições extremas e possui poder de veto individual sobre etapas relevantes de projetos e embarques.
A dimensão desse desafio cresce porque fabricantes chinesas respondem por mais de 70% do volume mundial de instalação de baterias de tração.
A SNE Research contabilizou 608 GWh instalados globalmente durante o primeiro semestre, com fornecedores chineses ocupando sete das dez primeiras posições do ranking.
Nesse patamar de produção, até proporções muito pequenas de defeitos podem representar milhares de células, embora controles posteriores possam impedir que elas cheguem aos veículos.
A questão levantada por Zeng se concentra, portanto, em saber se ciclos de desenvolvimento cada vez menores ainda deixam tempo suficiente para identificar problemas antes da produção em massa.




