
Bastou uma canetada na tributação chinesa para o híbrido plug-in deixar de ser “o melhor dos dois mundos” e virar um produto em revisão acelerada.
A lógica que vendia o PHEV como meio-termo — rodar um pouco no elétrico e contar com gasolina no resto — ainda rende na Europa, mas na China começou a envelhecer de repente.
As regras mais recentes passaram a recompensar quem percorre muito mais distância só na bateria, tornando a conta mais leve apenas para projetos realmente elétricos no uso diário.
Até pouco tempo, o corte para obter descontos era modesto: 43 km de autonomia elétrica já bastavam para o PHEV entrar na faixa favorecida, segundo a Automotive News.
A partir de janeiro deste ano, o patamar saltou para 100 km, e isso explica por que tantos plug-ins chineses agora exibem números que lembram EVs de anos atrás.
O problema é que muitos PHEVs ocidentais nasceram com baterias pequenas e alcance elétrico comedido, já que o motor a combustão era tratado como protagonista.
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Mesmo entre os melhores de hoje, um exemplo como o Range Rover fica por volta de 121 km no ciclo WLTP, enquanto vários chineses já falam em mais de 160 km.
Em alguns casos, a diferença não é pequena, é constrangedora para o padrão antigo, porque surgiram propostas que empurram a ideia de plug-in para outro patamar.
O novo Lotus Eletre híbrido, por exemplo, promete 420 km por carga no ciclo chinês CLTC com uma bateria enorme de 70 kWh, algo fora do script tradicional.
No ciclo WLTP europeu, a própria Lotus afirma 350 km de autonomia elétrica, reforçando a tendência chinesa de partir de uma base elétrica e adicionar combustão depois.
Essa estratégia de “EV convertido em híbrido” contrasta com a preferência europeia de transformar carros a combustão em PHEVs, mas o incentivo chinês pode inverter prioridades.
A mudança, porém, não é só sobre autonomia, porque os reguladores também apertaram a eficiência quando o carro roda apenas na gasolina, o que castiga projetos pesados.
Para PHEVs que usam motores grandes como rede de segurança — especialmente V8 — a combinação de baixa eficiência e nova régua de impostos faz o conjunto parecer tecnologia de ontem.
O efeito já apareceu no portfólio: Audi, BMW, Mercedes-Benz, Jaguar Land Rover e outras reduziram drasticamente ou praticamente eliminaram plug-ins na China, diz a Auto News.
A consequência pode atravessar continentes, já que marcas chinesas como a Lynk & Co estão levando à Europa o SUV 08 de longo alcance elétrico, e a Volvo prepara o XC70 de 180 km.
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