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China: utilitários esportivos viram vilões no mercado

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Todo mundo quer SUV. Bom, pelo menos uma boa parte dos consumidores em vários mercados desejam ter um veículo utilitário esportivo na garagem. A tendência é a mesma aqui no Brasil, assim como também nos EUA e Europa. O crescimento desse segmento é elevado e muda completamente a estratégia de produto dos fabricantes mundiais.

Na China não poderia ser diferente. O país é um devorador de utilitários esportivos, que alimentam um mercado de 6,2 milhões de unidades só em 2015. Isso é três vezes mais que a previsão de vendas do mercado brasileiro como um todo em 2016. O crescimento das vendas de SUVs na China foi de 52% no ano passado.

Para dar conta do recado, as ofertas de crossovers e SUVs por lá é incrivelmente alta. Praticamente todas as marcas têm representantes no segmento e os fabricantes locais não fazem outra coisa, a não ser lançar mais e mais modelos de utilitários esportivos. Até mesmo as montadoras que estão nascendo – sim, ainda surgem novos fabricantes por lá – começam suas vidas comerciais com utilitários.

 

Os fabricantes estrangeiros festejam. As marcas locais também. O consumidor então, não sabe o que escolher com tantos produtos no mercado. Mas e o governo? Pequim faz vista grossa, mas em realidade não está gostando do que vê. O motivo é simples: o carro elétrico foi deixado de lado.

O governo central gasta bilhões de dólares em incentivos e subsídios para ser o maior player de carros elétricos do mundo, mas o consumidor está indo na contramão, adquirindo SUVs por vários motivos, um deles é a sensação de maior segurança a bordo dos jipões.

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Na China há enorme malha rodoviária precária e poucos guardas de trânsito. O número de acidentes é grande, especialmente nas cidades. Não é raro ver encontros nada amistosos entre veículos, até mesmo entre carros esportivos ou de alto luxo, por exemplo.

Em 2015, mais de 200 mil mortes foram registradas em ruas e estradas chinesas e pelo menos 17 milhões de casos de estresse mental ao volante foram contabilizadas. Assim, quem se aborrece no trânsito chinês, de acordo com estudos, tem maior propensão a comprovar SUV. A compra é descrita como de “auto-defesa”.

Mais ricos e dispostos a gastar, os chineses buscam cada vez mais sedãs de luxo e SUVs, impulsionados especialmente pelo longo tempo de gasolina barata nos postos. Assim como nos EUA, os consumidores começaram a migrar para os modelos mais gastões, mas em 2015, Pequim decidiu rever a fixação de preços dos combustíveis para desestimular o consumo, que cresceu 10% no ano passado.

Apesar de dezenas de milhões de veículos emplacados anualmente, a China ainda é pouco motorizada em comparação com sua gigante população, tendo hoje um carro para cada cinco habitantes. Nos EUA é um para cada 1,3 pessoa, por exemplo. Com os grandes centros já se encaminhando para a estagnação, os fabricantes passaram a migrar para regiões mais distantes do grande mercado consumidor.

Montadoras como GM (Baojun), Geely e Great Wall, começam a investir em produtos para os consumidores de primeira viagem de locais mais afastados e zonas rurais. Essa migração tende a reduzir a diferença entre os que consomem e os que ainda não têm acesso ao automóvel. Receando por um novo boom nas vendas de utilitários esportivos, a China deverá tomar alguma atitude para conter a elevação do consumo de gasolina.

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Possíveis soluções

Uma das possíveis ações é a intensificação da obediência às leis de trânsito, a fim de tornar a convivência diária melhor. Provavelmente as punições deverão ser ampliadas com esse objetivo. Outra ação poderá ser a ampliação dos subsídios para compra de carros verdes também para os híbridos não-recarregáveis, como o Toyota Prius, por exemplo. Mesmo no segmento de SUVs, há um bom número de modelos com esse tipo de propulsão.

Consumidores de zonas rurais e cidades pequenas de regiões menos densamente ocupadas por veículos, poderiam se beneficiar de incentivos, enquanto a pressão nos grandes centros seria intensificada com mais sorteios de licenças. Por fim, um aumento nos preços dos combustíveis reduziria o apetite do consumidor chinês pelos modelos mais gastões em troca de veículos econômicos e ambientalmente amigáveis.

[Fonte: Bloomberg]







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