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Chineses querem investir no Brasil

A tão comentada invasão chinesa no mercado automobilístico brasileiro parece estar prestes a acontecer. Porém, ainda não é possível saber em que medida. Ontem (11) uma comitiva formada por empresários e representantes do governo da China esteve em São Paulo em busca de parcerias e joint ventures. A Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico realizou um seminário, seguido por uma rodada de negócios, para que fossem expostas as oportunidades de investimento nos dois países. Consideradas por alguns como uma ameaça às empresas estabelecidas no Brasil, a entrada das montadoras chinesas no País também pode ser vista como uma oportunidade. Foi isso o que disse o presidente da General Motors, Ray Young, no final do ano passado. “O mercado de lá é emergente, por isso temos que trabalhar juntos, desenvolvendo produtos para o mundo todo.” Esse foi o foco da reunião de ontem.

Atualmente, a China é a quarta maior nação do mundo em produção, dentro do setor automobilístico, tendo fabricado 5,7 milhões de veículos no ano passado. Em 2002, quando houve a aproximação entre o país e a Organização Mundial do Comércio, esse número era de apenas 3 milhões de unidades. A frota chinesa é de mais de 30 milhões de veículos.

Para atender a esse mercado consumidor tão grande, a nação intensificou, de quatro anos para cá, a firmação de joint ventures. O governo chinês tomou várias medidas para incentivar o investimento de empresas internacionais. Entre elas, baixou os impostos de exportação de 45% para 9% e, em janeiro deste ano, derrubou um sistema de cotas de importação, que estava em vigor há mais de 20 anos. “Tudo isso foi determinante para nosso crescimento. Temos de lembrar que, em 2001, éramos apenas o oitavo mercado mundial”, afirmou Zhang Ji, diretor do Ministério do Comércio da China.

Agora o país está entrando com força no mercado internacional de autopeças. Neste setor, 92,2% de tudo o que é exportado vai para Asia, América do Norte e Europa. “Nossa intenção é começar a investir em mercados como o Brasil, com PIB mais baixo, mas com muitos consumidores de carros”, disse Zhang.

Em 2005, as exportações brasileiras para o país oriental somaram US$ 10 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 4 bilhões. “Porém, o desconhecimento que temos do mercado de lá ainda atrapalha nossas relações”, disse Flávio Musa, secretário executivo de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Estado de São Paulo.

Caminhos possíveis

Além de Flávio, também participaram do evento o governador do Mato Grosso do Sul, José Orcílio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, e o secretário do Desenvolvimento da cidade de Wuhan, An Weidong. Eles expuseram para todos os participantes as condições de investimento em suas regiões.

Zeca do PT chamou a atenção para a localização do Mato Grosso do Sul como um diferencial competitivo. O Estado faz divisa com Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Também está na fronteira com Paraguai e Bolívia.

An Weidong foi pelo mesmo caminho, já que Wuhan está localizada no meio do país. Além disso, é o segundo pólo intelectual da China, logo atrás de Pequim, e um dos mais antigos centros industriais da nação.

Já o representante de São Paulo preferiu dar destaque às tecnologias brasileiras que poderiam ser aproveitadas no mercado chinês. Citou como exemplos o carro flex e o ônibus a gás. “A utilização desses combustíveis seria interessante em um país tão populoso. Isso diminuiria bastante os níveis de emissão de poluentes”, explicou.

Marco Aurélio Zanni, da Agência AutoInforme

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