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Chrysler Turbine, uma inovação que não decolou nos anos 60

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No começo dos anos 60, a Chrysler decidiu apostar no desenvolvimento de um automóvel movido por turbina a gás. Outros fabricantes fizeram a mesma coisa antes e depois da gigante de Detroit. Em seu caso específico, uma série de fatores acabaram por enterrar o projeto, algo igualmente visto nos demais casos.

Antes mesmo de começar a década de 60, a Chrysler já havia desenvolvido uma turbina automotiva e, para o novo projeto, a quarta geração do dispositivo acabara de ficar pronto. Colocá-lo em um modelo existente era praticamente impossível, por isso um novo carro foi desenvolvido, sendo desenhado pelo estúdio Ghia, na Itália.

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Chamado Turbine Car ou simplesmente Turbine, o novo modelo da Chrysler estava de acordo com o estilo da época, exceto pelo exagero da traseira, que fazia alusão natural ao fato de ser movido por uma turbina. A frente lembrava um pouco o Ford Falcon da mesma época. O interior era exótico, com instrumentação bem peculiar e túnel central em formato de tubo de torque.

A nova turbina girava a 44.500 rpm e entregava 130 cv e excelentes 58,5 kgfm. Batizada de A381, ela ainda seria substituída por mais três modelos até 1977, quando a Chrysler finalmente abandonou a ideia. De funcionamento extremamente suave – pode-se colocar um copo com água sobre ela em funcionamento – essa turbina dava um bom desempenho ao Turbine, exceto em altitude elevada.

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Mas, um de seus “defeitos” era produzir um som que mais lembrava um aspirador de pó gigante, o que não atraiu o interessante do público, acostumado com o ronco vigoroso dos grandes V8 a gasolina. No entanto, ela tinha uma grande vantagem, podia ser abastecida com gasolina sem chumbo, querosene, gasolina de aviação JP-4 e até óleo diesel. Mas, não suportava gasolina com chumbo. Na época, dizia-se que poderia beber de óleo de amendoim até Chanel N°5. No México, o presidente do país o abasteceu com tequila.

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Surpreendentemente, a turbina A381 se mostrou extremamente durável em comparação com um motor a pistão, diferentemente do que geralmente ocorre. O cupê duas portas se alimentava basicamente da energia do propulsor, que acionava os freios e direção hidráulica.

Vidros e travas elétricas estavam presentes, assim como o ar-condicionado. O painel tinha iluminação eletroluminescente e a bateria era de 100V. Para mover os 5,12 m de comprimento, a turbina A381 usava uma transmissão Torqueflite adaptada.

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A Chrysler construiu cinco protótipos e 50 exemplares entre 1963 e 1964. Para testar o modelo, foram contratados 203 motoristas, sendo 23 do sexo feminino. Eram condutores comuns, que deveriam dar um parecer sobre o produto. O custo por veículo chegou a US$ 50.000, um valor astronômico para a época, o que equivaleria a US$ 381.000 em dias atuais.

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Em 1964, a Chrysler decidiu encerrar o projeto Turbine com a destruição completa de 46 exemplares “de produção”, a fim de evitar pesada multa e seguir a prática da indústria de não vender produtos fora de série ou protótipos para consumidores comuns. Algo semelhante foi feito pela GM com o elétrico EV1 no começo dos anos 2000.

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Dos nove sobreviventes, incluindo cinco protótipos, a Chrysler fez com que todos os que fossem enviados aos museus tivessem a turbina desativada, restando apenas três funcionais para o acervo da montadora. No entanto, alguns carros enviados aos museus e instituições acabaram chegando à mão de colecionadores. Nos dias atuais, um dos exemplares da empresa está com Jay Leno. Dos nove, cinco estão ativos atualmente.





  • afonso200

    imagina quanto o Jay Leno pagou, no minimo um milhao de dolares

  • fbl

    Muito maneiro. Jay Leno sabe das coisas. Tem uma baita grana nas mãos

  • Parafraseando a economia cheguei a uma conclusão. Não existe mundo sem inflação. Os 50 mil dólares em 1963 equivalem ao mesmo de 381 mil dólares nos tempos atuais. Por mais que tenha passado meio século é uma inflação considerável.

    • duhehe

      inflação é saudável para a economia, valores entre 1 e 2%, só tendem a agregar, problema é quando ela foge do controle.

  • Ailton Junior

    Muito bacana esse caro.

  • Bruno_O

    O problema foi apenas o som gerado? Pq isso parece tão fútil hehe. E o consumo? E o 0-60 comparando com outros carros de vlor similar?

    • Ainnem Agon

      “The car was powered by a JP-4 jet fuel engine that delivered a total of 130 horsepower and was able to get the car to 60 mph in 12 seconds.”

  • Everton Lourenço

    Top…rsrs… Eu gostei.. Design inovador pra época..

  • Rafael Yashiro

    Se não fosse o túnel atravessar o banco traseiro, o interior seria muito mais interessante.
    Alias, esse interior na parte da frente é muito bacana.

    • Ainnem Agon

      Discordo. O interior é lindíssimo, parece os Spykers atuais (como o Laviolette)

  • Zé Mundico

    Tá certo, a gente dá o desconto para a época….mas sabe aquelas coisas que você faz sabendo que vai dar errado?
    É por aí….

  • Mumm Rá

    Noticias Automotivas façam uma reportagem sobre o Ford Nucleon

  • pedro rt

    gostei do design mas nao do ronco do motor parece um aspirador de po gigante ou de turbina de aviao

  • Tosoobservando

    Agora os chineses que copiaram a ideia, aperfeiçoaram e prometem lançar aquele eletrico alimentado por mini turbinas, da TechRules.

  • Draga

    Turbina eh muito mais eficiente que um motor alternativo, poderia ser usada p/ mover geradores de carros elétricos, o grande empecilho é emissões e ruido.

  • FocusMan

    Que coincidencia! Estive com um ontem a tarde! Olhem a foto!

  • Rafael Trindade

    sim, de fato um aspirador de pó gigante!

  • Redpeak77

    Que carro louco! Parece um brinquedão!

  • Zé Carioca

    A ideia é legal, mas esse barulho é MUITO chato! Pqp se um vizinho meu tivesse um carro desses, depois da primeira semana eu comprava o carro dele só pra jogar num compactador…

  • Draga

    Oh FocusMan, este dai é o do museu Henry Ford neh? Qd vi nunca imaginava que já teve um carro movido a turbina!



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