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Citroën Ami era estranho, mas fez sucesso na França

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Citroën Ami 6 Sedan

O estilo dos carros franceses até bem pouco tempo atrás era bem peculiar. No passado, não era estranho um modelo ousar no visual, mesmo que parecesse estranho para outras culturas automotivas.

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Em 1961, a Citroën decidiu colocar no mercado um carro derivado do lendário 2CV. Ele foi oficialmente chamado de 3CV no mercado francês, mas ficou conhecido como Ami. Ele surgiu em um segmento que nasceu da necessidade de um carro maior que o 2CV. Na época, a resposta da rival Renault era o modelo 4.

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Citroën Ami 6 – Frente

Utilizando-se da plataforma do 2CV, o Citroën Ami era maior e mais espaçoso, tendo uma carroceria quadrada e dotada de faróis retangulares com bordas arredondadas foram os primeiros não-redondos em automóveis, assim como o Ford Taunus P3. O capô rebaixado. O visual lembra picapes americanas da época.

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Citroën Ami 8 Break – Painel

A “cabine” também parecia ser inspirada nestes veículos, tendo as colunas C inclinadas como as A e B, criando assim um desenho fluído, porém, estranho na parte traseira, onde nascia um capô sob a vigia negativamente avançada. Por dentro, o ambiente era típico da marca parisiense. Ou seja, extremamente ousado.

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Citroën Ami 6 Sedan

O volante tinha apenas um raio e este nem era centrado com a direção, pendendo para a esquerda. A alavanca de câmbio também era exótica, ficando apenas o painel como algo mais tradicional. Tal como é hoje, o Citroën Ami foi classificado como compacto, medindo 3,92 m de comprimento, 1,52 de largura, 1,44 de altura e 2,41 de entre-eixos.

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Citroën Ami 8 Fastback

Além do estranho sedã, o Citroën Ami teve também uma perua quatro portas (chamada Break) e uma van com duas entradas. O modelo também ganhou uma carroceria fastback, bem mais simpática, feita pela empresa Heuliez. Este era chamado Ami 8, enquanto os originais eram os Ami 6.

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Citroën Ami 6 Sedan – Painel

O propulsor era o mesmo do 2CV, sendo um boxer dois cilindros refrigerado a ar com 602 cm3 e entregando 22 cv inicialmente. Versões posteriores alcançaram 32 cv. O Ami também recebeu um motor boxer quatro cilindros a ar de 1.015 cm3 em 1973, que passou a equipar o Ami Super e oferecia bons 55 cv.

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Citroën Ami 8 – Raio-x

Mas, o Ami era um Citroën e como tal, não podia deixar de ser revolucionário. Assim, em 1969, a Citroën desenvolveu uma versão experimental em conjunto com a Heuliez, gerando assim o Ami M35. Ele era um cupê duas portas dotado de motor rotativo Wankel. Este tinha 49 cv e levava o protótipo até 143 km/h. O projeto não foi adiante nesse carro, sendo feito apenas para clientes testarem.

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Citroën Ami 6 Sedan

A suspensão era do 2CV, tendo eixos ligando os braços dianteiros com molas helicoidais, mas posicionados atrás do eixo, sendo exatamente o oposto atrás. Assim como no clássico, o Ami tinha bancos traseiros removíveis. Mas, um dos pontos fracos do modelo era a pouca resistência à corrosão, que hoje o torna algo raro.

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Citroën Ami 8 Break

O Citroën Ami resistiu bem por quase duas décadas, sendo o mais vendido da França por vezes. No total, 1,84 milhão haviam sido fabricados, quando deixou a linha de montagem em 1979. Além da França, o modelo foi fabricado também na Espanha e na Argentina.

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Citroën Ami 8 Break – Motor

Ele ainda chegou a ser montado no Chile, mas em CKD e com peças oriundas da Argentina. Foi sucedido pelo Citroën Visa, um hatch compacto bem mais moderno, que mais tarde daria lugar ao famoso AX. O Ami nunca colocou suas rodas de forma oficial no Brasil.





  • Felipe

    Inventiva, ousada e revolucionária! Assim foi (e é) a Citroën “dentro de casa”.
    Pena que no Brasil a marca não pode receber esses adjetivos… Vejo que a Citroën atua por aqui com certa timidez, e com um pouco de comodismo e estagnação.

    Faltou uma foto do Ami M35 pra ilustrar a matéria:

    • HENRY ME

      Gostei desse modelo, para 61 mt interssante

    • Darlon Anacleto

      É que brasileiro teme o diferente e aqui, carro ainda é considerado investimento (justificado pelos valores absurdos que pagamos). Porém, creio que o grande problema enfrentado aqui foi o filme queimado com o temido câmbio automático que, segundo a fama, gera muita manutenção.

  • Mr. Car

    O Etios é liiiiiiiiindo, he, he, he!

  • Douwe

    O melhor dos carros franceses, especialmente os Citroën, é essa ousadia, ainda que tenham adotado nos últimos tempos linhas mais pasteurizadas.

  • zekinha71

    Que volante mais estranho com apenas um raio. Nunca tinha visto, no mínimo com dois.

    • CignusRJ

      O primeiro Citröen DS tb o tinha, lá pelos idos de 1955

  • Matheus Ulisses P.

    Tenho uma “tara” por esses francesinhos antigos, ainda mais pelos Citroën como o Ami!. Desde que foi absorvida pela PSA, a marca nunca mais pôde ser a mesma.

    • dallebu

      Meu pai já teve um Ami 8 Break kkkkk Ele ainda é apaixonado pela suspensão que o carro tinha, pois seria ideal pras ruas esburacadas que tem aqui aonde moramos.

      • Racer

        Eu viajava seguido para a Argentina….lá era carro comum a Ami 8.

  • Bruno Luís

    Inspiração da traseira do VTR veio do ami 6 sedan

    • Felipe

      Verdade. Aliás, o VTR é um baita carro!

  • Marco

    Senhor dos Passos!!! Nunca vi tanto carro feio junto. Conseguiram fazer carros mais feios que o Agile, a Monstrana, o coCôbált (antes do face-lift) e a Spin!!!

  • afonso200

    que bomba

  • HENRY ME

    Vlw N.A
    Já vi esse carro, vários filmes franceses e sempre quis saber o nome e marca.
    É por isso,gosto da Citroen.
    Para 61 bem ousado.
    Autentico Citroen
    Creative technology

  • HENRY ME

    Conceito vale tudo.

  • Darlon Anacleto

    Morei na Argentina quando criança e minha avó tinha um Ami 8 Super (igual ao caramelo da foto acima). Ela morava no centro, assim, rodava pouco e o carro, apesar da idade, parecia tinindo de novo. Era um carro muito peculiar. Já meu tio possuía um 2cv azul, todo desbotado, com aquele teto de lona que podia ser enrolado e ignição por manivela.

  • DiMais

    mais um veículo francês ‘normal’, já que entre os europeus essa turma adora uma excentricidade..



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