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Citroen Xsara: história, modelos, motores e a perua Xsara Break

Citroen Xsara: história, modelos, motores e a perua Xsara Break

Houve uma época em que a Citroën tinha um portfólio de carros mais tradicionais e um desses produtos era o Citroen Xsara, que chegou ao Brasil no fim da década de 90, trazendo sua perua.


O modelo seguiu a linha do anterior ZX, abrindo caminho para os sucessores C4 e C4 Pallas, utilizando um recurso revolucionário para a época, mas que se mostrou problemático ao longo do tempo.

O Citroen Xsara chegou ao Brasil em 1998 com três versões, incluindo uma esportiva com bom desempenho. Além disso, viu a perua Break chegar logo depois e ganhou algumas opções interessantes no mercado.

De porte médio, o produto não ousava tanto quanto o irmão maior, o Xantia, que tinha a famosa suspensão hidropneumática Hydractiv.

Citroen Xsara: história, modelos, motores e a perua Xsara Break

Infelizmente, o tempo passou muito rápido para o Citroen Xsara no Brasil, que saiu de cena em 2003 após 25.864 unidades vendidas.

Com sua saída, abriu-se uma lacuna enorme do portfólio da Citroën, que só foi preenchido em 2007 com o C4 Pallas e no ano seguinte com o hatch C4.

Entretanto, a maior proeza da família do Citroen Xsara foi criar um legado que durou uma década após seu fim no país. Neste caso, trata-se da minivan Citroen Xsara Picasso, que foi produzida no país.

Citroen Xsara

Citroen Xsara: história, modelos, motores e a perua Xsara Break

O Citroen Xsara era um carro médio da marca francesa, lançado em 1997 na Europa. Embora fosse o sucessor do ZX, ele mantinha a mesma plataforma do modelo anterior, um meio-irmão do Peugeot 306.

Criado sob uma carroceria elegante, o modelo tinha forma de hatchback com duas ou quatro portas, além de perua de quatro portas, chamada Break. O francês não ousava nas formas, mas assim como todo Citroen, trazia alguma novidade.

Esta era a CATT, um sistema de eixo traseiro direcional, função que os franceses gostam até hoje (leia-se geração atual do Renault Megane), mas sendo conservador nos motores.

Fabricado na França, o Citroen Xsara teve duas linhas de montagem na Espanha, uma na China, outra no Egito e até no vizinho Uruguai.

Citroen Xsara – estilo

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Quando chegou ao Brasil, o Citroen Xsara era bem recente e veio nas versões GLX e Exclusive, que eram equipadas com motor 1.8 16V, enquanto a esportiva VTS tinha propulsor 2.0 16V.

A carroceria de duas portas podia ser adquirida na GLX e, exclusivamente, na VTS. Assim, o hatch francês chegou ao mercado nacional.

Visualmente, o Citroen Xsara tinha linhas bem equilibradas e até certo ponto, conservadoras. Fiel aos hatchbacks da marca parisiense, o modelo tinha frente baixa com capô vincado triplamente, integrando também a grade.

Nesta, o duplo chevron da Citroen estava presente de forma discreta. Os faróis duplos incorporavam os piscas e tinham desenho fluído.

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O para-choque era integrado e tinha um bumper preto bem destacado e que dominava toda a parte superior da peça. A impressão de proteção contra pequenas batidas e arranhões era compartilhada pelos protetores laterais e para-choque traseiro.

Faróis de neblina bem desenhados se harmonizavam com a grade inferior. Havia ainda um pequeno spoiler sob o para-choque. O nome “Xsara” vinha nos borrachões laterais, enquanto os para-lamas tinham repetidores de direção.

Retrovisores pequenos na cor do carro e maçanetas embutidas formavam o conjunto lateral, que ainda tinha portas traseiras amplas, graças ao bom entre eixos.

As colunas C eram largas e a vigia caía sobre uma pequena extensão da carroceria, formando um conjunto que lembrava muito o Ford Escort da época, que estava saindo de cena.

Citroen Xsara: história, modelos, motores e a perua Xsara Break

Aliás, tal como esse, o Citroen Xsara portava também um limpador traseiro, incluindo lavador e desembaçador do vidro. A tampa tinha uma pequena proeminência e portava luzes auxiliares de freio na parte central.

Ela também levava a placa de identificação e os nomes Citroen e Xsara, sendo moldada lateralmente pelas lanternas compactas e de desenho harmônico.

Com exceção do bumper preto, o para-choque traseiro era até que bem limpo visualmente, tendo apenas um recorte para o cano de escape.

Por dentro, o Citroen Xsara tinha um ambiente espaçoso e aconchegante, tendo painel com formas arredondadas e voltada para o condutor.

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Os difusores de ar integrados seguiam a mesma linha, enquanto havia espaços definidos para airbag do passageiro e porta-luvas, com direito a aplique diferenciado na fechadura.

O rádio com CD player era integrado de 1din, tendo seu visor em uma tela acima. Ele tinha controles no volante, que mais pareciam botões de vidros elétricos…

Aliás, o volante tinha airbag do motorista e ajuste em altura. O Citroen Xsara tinha ainda ar condicionado manual e botões dos vidros elétricos, estranhamente menores que os citados do volante, na parte inferior do console.

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O cluster era analógico com velocímetro, conta-giros, nível de combustível e temperatura da água. Os bancos tinham bom acabamento e padronagem jovial.

O Citroen Xsara tinha ainda freios ABS, direção hidráulica, travas elétricas e retrovisores elétricos, além dos itens já citados.

Com 4,167 m de comprimento, 1,698 m de largura, 1,401 m de altura e 2,540 m de entre eixos, o modelo tinha 408 litros no porta-malas e mais 54 no tanque de combustível.

Xsara VTS

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Com duas portas, o Citroen Xsara VTS até que era um carro discreto para um esportivo que realmente andava no fim dos anos 90. Seu visual era bem limpo e não havia elementos estéticos exagerados.

Na frente, o único diferencial era um spoiler mais pronunciado na parte inferior do para-choque, que era igual ao das demais versões. A grade tinha apenas um friso cromado, como no Exclusive.

Diferente dos demais, que tinham rodas de liga leve aro 14 polegadas com pneus 185/65 R14, o Citroen Xsara VTS tinha rodas de liga leve aro 15 polegadas com desenho mais esportivo e pneus 195/55 R15.

Elas formavam lâminas que identificavam o VTS em qualquer lugar. Além disso, o esportivo francês tinha borrachões laterais com a sigla da versão.

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Com duas portas grandes, o Citroen Xsara nessa carroceria tinha linha de cintura que se elevava suavemente em direção à extensão da traseira. As janelas laterais eram amplas e basculantes, enquanto as colunas C eram mais estreitas e elegantes.

No teto, havia vidro com abertura elétrica e antena frontal, como nos demais. Na traseira, o Xsara VTS chamava atenção pelo aerofólio pouco elevado, mas esteticamente interessante. As lanternas tinham a parte central escurecidas.

O escape não era projetado para fora e nem cromado, criando um visual estranho com o recorte aparentemente vazio no para-choque.

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Outra exclusividade era a suspensão alguns milímetros mais baixa e os freios reforçados, sendo discos nas quatro rodas, como nos demais.

Por dentro, o Citroen Xsara VTS tinha bancos mais esportivos, acabamento diferenciado e volante em couro. O modelo tinha como maior diferencial, o motor 2.0 16V de 167 cavalos.

Atualização

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Em 2001, o Citroen Xsara recebeu um facelift de meia vida. Hatchback e perua ganharam um layout inspirado no C5 e na minivan Picasso, ganhavam faróis complexos de formato amendoado e grade estilizada com duplo chevron ampliado.

Os para-choques ficaram mais envolventes e agora em cor única, além dos borrachões laterais. As rodas de liga leve aro 15 polegadas tinham cinco raios e aparência bem elegante, parecendo maiores do que realmente eram.

O ambiente ganhou novas texturas e tonalidades, além de um novo volante de quatro raios, sem os comandos anteriores, agora resumidos a uma haste na coluna de direção.

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O Citroen Xsara trocou o motor 1.8 16V pelo 1.6 16V na versão GLX, enquanto o 2.0 16V com câmbio automático ficava mais potente: 138 cavalos.

Em 2002, entra a versão Paris no lugar da Exclusive, também com motor 2.0 16V de 138 cavalos, mas o VTS passava a ter essa mesma opção, não dispondo mais do 1.8 16V desde o ano anterior.

No ano seguinte, apenas o Citroen Xsara GLX 1.6 16V automático, estava disponível e assim saiu de cena, junto com a perua Break.

Citroen Xsara – motores

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O Citroen Xsara chegou com motor 1.8 16V nas versões GLX e Exclusive. Esse propulsor era o XU7 de 1.761 cm3 e que tinha duplo comando de válvulas no cabeçote, acionados por correia dentada.

Ele entregava 112 cavalos a 5.500 rpm e 16,1 kgfm a 4.250 rpm. A transmissão era manual de cinco marchas e o hatchback ia de 0 a 100 km/h em 10,7 segundos com máxima de 195 km/h.

O consumo médio na cidade era de 7,2 km/l, ruim, mas fazia na estrada 13,5 km/l. Ele pesava 1.100 kg.

Já no Citroen Xsara VTS, o propulsor 2.0 16V era o XU10J4RS, que também tinha injeção multiponto e entregava 167 cavalos a 6.500 rpm e 20,1 kgfm a 5.500 rpm.

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Com 1.998 cm3, ele fornecia a energia necessária para o esportivo atingir os 100 km/h em excelentes 6,9 segundos e atingir 225 km/h, usando um câmbio manual de cinco marchas curtas. Fazia 14 km/l na estrada e 7,3 km/l na cidade.

Em 1999, o Citroen Xsara Exclusive ganha câmbio automático de 4 marchas com motor 2.0 16V de 126 cavalos a 5.500 rpm e 18,7 kgfm a 4.200 rpm, indo assim de 0 a 100 km/h em 11,9 segundos com máxima de 192 km/h.

Dois anos depois, o 1.8 16V dava adeus e em seu lugar, chegava o 1.6 16V usado pelo Xsara Picasso. O TU5JP4 tinha 1.587 cm3 e entregava 110 cavalos a 5.750 rpm a 5.750 rpm e 15,3 kgfm a 4.000 rpm.

Citroen Xsara: história, modelos, motores e a perua Xsara Break

Oferecido com câmbio manual de cinco marchas ou automático com quatro velocidades, o Citroen Xsara nesse último caso, ia de 0 a 100 km/h em 14,2 segundos e tinha máxima de 192 km/h.

Na outra ponta, o 2.0 16V pulava para 138 cavalos a 6.000 rpm e 20 kgfm a 4.100 rpm. A Citroen Xsara Break fazia de 0 a 100 km/h em 11,7 segundos nesse caso, mas a final era de 207 km/h.

O 2.0 16V de 167 cavalos morreu. Os motores maiores eram inclinados para trás, de modo a reduzir o centro de gravidade.

CATT

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A designação é brasileira – só foi usada aqui – mas a tecnologia é 100% francesa. O sistema CATT é o famoso eixo autodirecional da PSA, que equipou o Citroen Xsara.

Usando um eixo com barras de torção e braços semi-arrastados, o sistema utiliza um conjunto de buchas elásticas, que se deformavam diante do deslocamento de peso da carroceria em curvas.

Essa deformação programada, fazia com que o ângulo das rodas traseiras seguisse a mesma direção das dianteiras, mas em muito menor grau.

O efeito era apenas o suficiente para que a traseira do Citroen Xsara ficasse mais dentro da curva, garantindo maior estabilidade, conforto e segurança.

Citroen Xsara: história, modelos, motores e a perua Xsara Break

 

Quando rodando em linha reta, as buchas retornavam às posições originais, mantendo as rodas traseiras centradas novamente. Apesar da revolução em dirigibilidade, o CATT apresentava alguns inconvenientes.

Com o passar do tempo, essas buchas perdiam suas propriedades elásticas e geravam problemas no posicionamento das rodas, o que ocasionava desgaste prematuro dos pneus.

O desgaste dos mancais do eixo também era outro problema, sendo obrigatório a substituição do mesmo.

Familiar Break

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Com 4,350 m de comprimento, 1,700 m de largura, 1,400 m de altura e 2,540 m de base, a perua Citroen Xsara Break era a variante familiar do hatchback francês no Brasil.

Até as colunas C, incluindo as portas traseiras, ela era exatamente igual ao hatch, porém, acrescentava a extensão traseira familiar, que vinha com vigias inclinadas.

As colunas D eram estreitas e a tampa do bagageiro era ampla, descendo até o meio do para-choque, que era exclusivo dela. Com 517 litros apenas no bagageiro, ela completava a família do Xsara.

A Break chegou em 1999 nas versões GLX e Exclusive, ambas com motor 1.8 16V. Com barras no teto discretas, ela ganhou opção 2.0 16V com câmbio automático na versão mais cara e atualização visual de meia vida em 2001.

Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

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