Cobalt 2012: fotos, detalhe, motor, consumo, preço

O Cobalt 2012 chegou como um lançamento nacional, mas com vistas a exportação para 40 países da América do Sul, Europa, África e Oriente Médio. Com proposta diferenciada, inaugurou um nicho que cresceu muito nos anos posteriores.


Com porte maior que o dos sedãs compactos da época, o Cobalt chegou como um sucessor do Chevrolet Astra Sedan, deixando o espaço aberto para o Chevrolet Prisma substituir o modelo antigo, assim como o Chevrolet Onix fez com o Corsa.

Projetado no Brasil, o Cobalt 2012 usou a plataforma global Gamma II da GM simplificada e modificada para ganhar mais volume aqui, fazendo o sedã crescer para um porte próximo ao dos sedãs médios.

Embora fosse grande para a época, o sedã da Chevrolet era considerado compacto “grande” e também era leve, pesando 1.061 kg. A General Motors, no entanto, pecou em algumas coisas relacionadas ao Cobalt.

O primeiro foi o design, bastante criticado pelos consumidores, visto que o produto tinha uma aparência estranha e que destoava dos modelos anteriores da Chevrolet. Além disso, a GM iniciou as vendas de um carro grande com motor fraco.

Em vez de estrear com o Família I 1.8 8V, muito mais capaz, o sedã compacto apareceu com o diminuto Família I 1.4 8V, que oferecia pouco e tornou o modelo um carro pouco desejável.

O mais estranho foi a GM lançá-lo no mercado já anunciando a chegada do 1.8, numa clara evidência de que algo dera errado no cronograma de lançamento, seja em relação ao produto ou referente à disponibilidade do motor.

Medindo 4,479 m de comprimento, 1,735 m de largura, 1,514 m de altura e 2,620 m de entre-eixos, o Cobalt 2012 era maior que o Astra Sedan e contava com bem mais porta-malas, abrigando 563 litros contra 460 do velho sedã da Opel.

Ainda assim, chegou com motor 1.4 enquanto o antigo morria com o velho Família II 2.0 da era Monza. Com proposta diferenciada, o sedã portava o maior porta-malas entre os compactos e ótimo espaço interno.

Imediatamente ele chamou a atenção dos taxistas, que buscaram na versão LS sua opção preferida para o serviço de praça, aproveitando certa economia do Família I 1.4 8V de até 102 cavalos e 13,0 kgfm.

Com transmissão manual de cinco marchas, o Cobalt 2012 ia de 0 a 100 km/h em surpreendentes 11,5 segundos e tinha máxima de 170 km/h, mas o baixo peso ajudava. Ainda assim, se ressentia em subidas, ultrapassagens e retomadas.

Oferecido nas versões LS, LT e LTZ, ele tinha um pacote básico de equipamentos e foi o último lançamento antes da era digital da GM, que trouxe a multimídia MyLink. No lançamento, o modelo chegou com um rádio 2din de aparência antiga.

Aliás, o Cobalt 2012 lembrava um pouco a proposta do Monza nos anos 80, em estilo, ainda mais com o 1.8 trazendo grandes rodas diamantadas que pareciam inspiradas naquela época, sem contar o rádio de aparência antiga.

A frente alta e desproporcional, carroceria volumosa, janelas sem quebra-ventos e traseira curta, eram algumas das características do sedã da Chevrolet, que rapidamente atraiu compradores. O motivo ia além de seus defeitos e atributos.

Em 2011, a GM estava iniciando uma transição de portfólio, deixando para trás um lineup orientado com base na alemã Opel. Com modelos de 12 anos no mercado, a Chevrolet precisava de algo melhor que o Agile.

Abandonando Vectra, Zafira, Meriva, Corsa, Astra, Celta e Classic, a GM entrava em uma nova fase no Brasil, mas o Agile – assim como a Montana – não representavam essa mudança, foram apenas refugos no período de falência da matriz.

O Cobalt 2012 foi o modelo que iniciou essa mudança com a plataforma Gamma II, que sustentaria a minivan Spin – aparentada com o sedã – bem como a dupla Onix e Prisma. Isso sem contar o Tracker e o Sonic, que chegaram importados.

Nessa alteração, a novidade chamada Cobalt rapidamente atraiu interessados, órfãos da linha Opel e desejosos por algo novo na Chevrolet. Após a chegada do sedã, a GM providenciou o motor 1.8, mais forte, com até 108 cavalos e bom torque.

Depois, foi a vez da caixa automática de seis marchas, alinhando-se com os três irmãos nacionais. Contudo, a chegada do Novo Prisma iniciou uma briga em casa na GM, mas o Cobalt conseguiu resistir a uma atualização e até o começo de 2020.

Com o fim de seu ciclo de vida, onde ganhou redesenho de frente e traseira, assim como reengenharia, o Chevrolet Cobalt cumpriu sua missão ao ser sucedido pelo Onix Plus, de mesmo porte, mas com motor 1.0 Turbo de 116 cavalos.

Tendo sido produzido em São Caetano do Sul, o Cobalt foi feito ainda no Uzbequistão, Bielorrússia e Colômbia, tendo usado motores de 1.3 litro até 1.8, sendo que no Brasil só usou os 1.4 e 1.8, além da opção automática no segundo.

Aqui e no exterior, o Cobalt 2012 rodou 460.000 km em testes de validação e executou 3.700 simulações de condições de rodagem e intempéries. Ele foi visto rodando até na Rússia e no leste europeu, mas foi vendido em poucas regiões ali.

Com suspensão McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, o Cobalt tinha um conjunto robusto e confiável, empregando freios ABS com EDB. Também tinha airbag duplo e cintos dianteiros pré-tensionados.

O pacote incluía ar condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos nas quatro portas, travamento central elétrico, retrovisores elétricos, sistema de som 2din com CD player, Bluetooth, USB, rodas de liga leve aro 15 polegadas e alarme.

O Cobalt 2012 podia ter bancos em couro oferecidos na concessionária, assim como alguns modelos de multimídia chineses que chegavam a ter GPS de eficiência duvidosa. Tendo o necessário para não fazer feio, o sedã estava em dia.

Com bom conforto a bordo, o sedã chegou em boa hora para a Chevrolet, que já via o fracasso do mal-projetado Agile, um modelo que ajudou a retroceder o produto da Chevrolet, assim como o faz até hoje a picape Montana, que involuiu.

Se não fosse pelo Onix Plus, o Cobalt ainda estaria em produção e já esperando por uma sucessão, que ainda pode vir da próxima geração do Monza chinês, que hoje usa a base do Cruze. Com fim iminente deste, o sedã asiático pode ter chance.

Cobalt 2012 – detalhes

O Cobalt 2012 tinha uma frente com faróis bem grandes e de lentes fluidas, compondo um conjunto ótico simples com parábolas únicas, piscas e lanternas incorporadas. A grade dupla era alta e tinha detalhes cromados.

O para-choque era baixo e tinha grade central simples, além de espaço para faróis de neblina circulares nas molduras laterais. Tendo linha de cintura alta, o Cobalt não contava com quebra-vento falso nas janelas traseiras.

Os retrovisores tinham bom tamanho e eram na cor do carro, enquanto os repetidores de direção ficavam nos para-lamas dianteiros. As maçanetas eram na cor do carro e semiembutidas.

Na traseira, as lanternas eram verticais e a tampa do bagageiro mostrava vincos pronunciados no topo e na base, além do logotipo da Chevrolet como na barra dianteira, de mesma cor da carroceria.

O para-choque traseiro vinha com suporte para placa e também friso cromado na versão LTZ. As rodas de liga leve aro 15 polegadas tinham múltiplos raios e pneus 195/65 R15. Nas versões LS e LT eram de aço com calotas integrais.

Por dentro, o interior do Cobalt 2012 era espartano, tendo painel com plástico duro em dois tons na versão LTZ, tendo cluster análogo-digital com conta-giros dotado de ponteiro vermelho e display com computador de bordo e velocímetro.

Esta pequena tela com iluminação Ice Blue trazia ainda nível de combustível e temperatura da água do radiador. O volante podia ter revestimento em couro na versão LTZ e ajuste em altura da coluna, que tinha assistência hidráulica.

Ao centro, o sistema de áudio 2din tinha display Ice Blue com CD player, Bluetooth e USB, além de quatro alto-falantes. O ar condicionado tem botões cromados e iluminados, enquanto o porta-luvas era simples, sem iluminação.

Havia ainda comandos dos faróis no painel, além de ajustes dos espelhos elétricos na coluna A. Já os vidros ficavam no apoio de braço recuado da porta do motorista, cujo assento tinha ajuste em altura.

A alavanca de câmbio trinha base alta e curso curto, tendo engates macios e precisos. O Cobalt 2012 tem cintos de segurança de 3 pontos apenas nas laterais, assim como apoios de cabeça.

Para o quinto passageiro, além da ausência do apoio para cabeça, existia apenas um cinto de subabdominal. O banco traseiro era rebatível e bipartido. O Cobalt tinha ainda bancos em tecido ou tecido aveludado na versão LTZ.

No teto, além de alças, havia para-sois com espelhos, luz interna e retrovisor interno dia e noite. Já o porta-malas de 563 litros mostra iluminação e acabamento em tecido. A tampa do bagageiro podia ser aberta pelo interior ou chave-canivete.

Cobalt 2012 – versões

  • Chevrolet Cobalt LS 1.4 MT
  • Chevrolet Cobalt LT 1.4 MT
  • Chevrolet Cobalt LTZ 1.4 MT

Equipamentos

Chevrolet Cobalt LS 1.4 MT – Motor 1.4 litro e transmissão manual de cinco marchas, ar condicionado, direção hidráulica, rodas de aço aro 15 polegadas com calotas, pneus 195/65 R15, retrovisores e maçanetas na cor do carro, repetidores de direção nos para-lamas, vidros verdes, desembaçador traseiro, para-brisa degradê, vidros manuais, retrovisores externos com controle interno, travas elétricas, bancos em tecido, banco do motorista com ajuste em altura, preparação para som com quatro alto-falantes e antena, banco traseiro rebatível, cintos de 3 pontos nas laterais, cintos dianteiros com pré-tensionadores, porta-malas com abertura interna, chave com telecomando para as portas e porta-malas, entre outros.

Chevrolet Cobalt LT 1.4 MT – Itens acima, mais airbag duplo, freios ABS com EDB, grade cromada, coluna de direção ajustável em altura, vidros elétricos nas portas dianteiras, chave-canivete, alarme, interior em dois tons e revestimento dos bancos diferenciado.

Chevrolet Cobalt LTZ 1.4 MT – Itens acima, mais rodas de liga leve aro 15 polegadas, faróis de neblina, maçanetas internas cromadas, ar condicionado com comandos cromados, sistema de som com CD/MP3, USB, Bluetooth, friso cromado no para-choque, computador de bordo, vidros elétricos nas portas traseiras e retrovisores externos com controle elétrico.

Preços

  • Chevrolet Cobalt LS 1.4 MT – R$ 39.980,00
  • Chevrolet Cobalt LT 1.4 MT – R$ 43.780,00
  • Chevrolet Cobalt LTZ 1.4 MT – R$ 45.980,00

Cobalt 2012 – motor

O Cobalt 2012 tinha motor da Família I da General Motors, que teve um grande impacto na montadora desde os anos 80. Projetado pela Opel, essa linha era a menor em tamanho e peso, visto que fora desenvolvida para Corsa e Kadett.

Tendo de 1.0 a 1.6 litros inicialmente, depois cresceu para 1.8, a Família I era conceitualmente similar à Família II, porém, esta era mais pesada e volumosa, tendo ido de 1.6 até 2.4 litros.

No Brasil, a GM usou todas as variantes de volume da Família II, desde os 1.6 e 1.8 do Monza, passando pelo 2.0 e seguindo para os 2.2 e 2.4 litros, empregados em modelos como Vectra, S10, Astra e Blazer, por exemplo.

Já o Família I só chegou ao Brasil em 1994 com a família Corsa. O motivo era que a Chevrolet tinha o vetusto Chevette e derivados, não podendo usar o motor alemão, que chegou com 1.0 e 1.6 litro, indo depois para 1.4 e 1.8 litro.

Até hoje a GM produz o Família I no Brasil, sendo o 11.0 SPE/4 para os Joy e Joy Plus, 1.4 para a Montana e 1.8 para a Spin. O Cobalt 2012 usou o 1.4 e depois o 1.8 também.

A herança da Família I gerou a Família 0, não usada no Brasil. Contudo, a linha Ecotec é baseada neles, incluindo a Gen III com o Equinox 2.0 Turbo, que tem o mesmo diâmetro x curso do Monza, mas num bloco de alumínio muito avançado.

O 1.4 era chamado Econo.Flex ou VHC-E, tendo bloco de ferro fundido, cabeçote de alumínio, comando de válvulas roletado, duas válvulas por cilindro, injeção multiponto, correia dentada de acionamento e tecnologia flex.

No Cobalt, a GM introduziu ainda escapamento em aço inox para suportar temperaturas mais altas e torná-lo mais limpo em emissões. Com 1.389 cm3 e 12,6:1 de taxa de compressão, entrega 97 cavalos na gasolina e 102 cavalos no etanol.

Ambos eram obtidos a 6.200 rpm, mas graças à concepção 8V, tinha torque em baixa rotação, entregando 12,9 kgfm no primeiro e 13,0 kgfm no segundo, ambos a 3.200 rpm. O que significa menos esforço no dia a dia de funcionamento.

O câmbio manual F17 com close ratio e embreagem de acionamento hidráulico oferecia cinco marchas. A seguir, o Cobalt ganhou motor 1.8 8V com 106 cavalos na gasolina e 108 cavalos no etanol, além de câmbio automático de 6 marchas.

Na atualização de meia vida, recebeu modificações no motor 1.8, que o tornaram mais eficiente em consumo e emissão, chegando a 111 cavalos no etanol. Manteve o 1.4 para frotistas, também atualizado, até o fim da linha.

Seu sucessor Onix Plus abandonou o Família I em prol do CSS Prime, um motor de três cilindros em alumínio com duplo comando variável e injeção indireta, além de aspiração natural ou turbo, entregando 82 cavalos ou 116 cavalos, respectivo.

Desempenho

O Cobalt 2012 tinha um bom desempenho com o motor 1.4, apesar de seus números não empolgarem. A vantagem do sedã era seu baixo peso, tendo apenas 1.061 kg. Isso permitia que o Família I pudesse impulsioná-lo com desenvoltura.

Com bom torque em baixa, o motor conseque imprimir um bom ritmo ao Cobalt, que ia de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos e com máxima de 170 km/h. Isso usando uma caixa manual de cinco marchas com relações bem escalonadas.

  • Chevrolet Cobalt 1.4 MT – 0 a 100 km/h – 11,5 segundos
  • Chevrolet Cobalt 1.4 MT – Velocidade máxima – 170 km/h

Consumo

Já no consumo, o Cobalt 2012 tinha resultados medianos, fazendo com etanol pouco mais de 7 km/l na cidade e quase 10 km/l na estrada. No caso da gasolina, ele garantia quase 9,5 km/l na cidade e quase 13 km/l na estrada.

Esses resultados tem muito a ver com o motor 1.4 tendo bom torque em baixa, o que resulta em menos esforço do motor para manter uma condução no dia a dia, o que exige menos trocas de marchas.

Cobalt 2012 – manutenção e revisão

A rede Chevrolet ainda tem preços de revisão até 60.000 km para o Cobalt 2012, que soma R$ 3.712, um valor acima da média, mas dada a idade do carro, se ajustifica. As revisões são feitas a cada 10.000 km ou 12 meses.

Nas revendas, são feitas trocas de óleo do motor, filtro de óleo, filtro de combustível, velas, filtro de ar da cabine, fluido de freio, correia dentada, correia em V, entre outros. Além disso, faz inspeção na parte mecânica e elétrica.

Também verifica-se itens de suspensão, direção, freios e itens de segurança, além de reparos em pintura, funilaria, instalações de acessórios, alinhamento e balanceamento, cambagem, troca de pneus, buchas, pivôs, pastilhas, discos, etc.

A rede Chevrolet ainda procede com a correção de recall agendado e gratuito, bem como higienização, oxi-sanitização e outros serviços de limpeza, como lavagem geral. As oficinas possuem profissionais altamente treinados em carros da GM.

Revisão10.000 km20.000 km30.000 km40.000 km50.000 km60.000 kmTotal
1.4R$ 256,00R$ 564,00R$ 736,00R$ 456,00R$ 964,00R$ 736,00R$ 3.712,00

Cobalt 2012 – ficha técnica

Motor

1.4

Tipo
Número de cilindros4 em linha
Cilindrada em cm31389
Válvulas8
Taxa de compressão12,4:1
Injeção eletrônicaIndireta Flex
Potência máxima97/102 cv a 6.200 rpm (gasolina/etanol)
Torque máximo12,8/13,0 kgfm a 3.200 rpm (gasolina/etanol)
Transmissão
TipoManual de 5 marchas
Tração
TipoDianteira
Direção
TipoElétrica
Freios
TipoDiscos dianteiros e tambores traseiros
Suspensão
DianteiraMcPherson
TraseiraEixo de torção
Rodas e Pneus
RodasAço e liga leve, aro 15 polegadas
Pneus195/65 R15
Dimensões
Comprimento (mm)4.479
Largura (mm)1.735
Altura (mm)1.514
Entre eixos (mm)2.620
Capacidades
Porta-malas (L)563
Tanque de combustível (L)54
Carga (Kg)488
Peso em ordem de marcha (Kg)1.061
Coeficiente aerodinâmico (cx)0,32

Cobalt 2012 – fotos

https://www.youtube.com/watch?v=ogUUu0v6sVE&t=5s

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.

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