
Colecionadores terão de decidir quanto vale um marco da Ferrari que reúne exclusividade absoluta, visual controverso e uma ruptura inédita na história da marca.
O exemplar chamado Chassis 0 é o primeiro chassi de produção do programa Luce e será oferecido em leilão durante a Monterey Car Week, em agosto.
Toda a arrecadação seguirá para a Ferrari Foundation, instituição reconhecida nos Estados Unidos, acrescentando caráter beneficente a uma venda cercada de expectativa.
A RM Sotheby’s apresentará o automóvel sem preço mínimo, garantindo que ele trocará de mãos independentemente do valor alcançado entre os participantes.
A própria casa informa uma estimativa superior a US$ 1.100.000 (R$ 5,72 milhões), embora o resultado final permaneça difícil de prever.

Parte dessa incerteza nasce do fato de o Luce ser o primeiro EV da Ferrari, sem V12, V8 ou qualquer motor a combustão.
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Esse elemento o distancia de todos os modelos inaugurais já negociados pela marca e pode tanto elevar sua importância histórica quanto limitar o entusiasmo tradicional.
O peso simbólico do primeiro exemplar fabricado costuma ser enorme entre colecionadores da Ferrari, mesmo diante de um projeto que rompe expectativas antigas.
Além da posição única na sequência produtiva, o Chassis 0 recebe uma configuração especial criada pelo programa de personalização Ferrari Tailor Made.
A carroceria utiliza a pintura exclusiva Madreperla Semi-Gloss, um acabamento branco desenvolvido especificamente para este automóvel e não compartilhado com outros exemplares.

Rodas, pinças de freio e até o fundo do emblema da Ferrari seguem a mesma tonalidade clara, reforçando uma aparência quase monocromática.
Segundo a fabricante, o pigmento produz reflexos iridescentes que variam do verde ao violeta conforme a intensidade e o ângulo da iluminação.
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A proposta continua na cabine, revestida pelo couro metálico Le Mans na tonalidade Perla, também reservado ao catálogo Tailor Made.
Produzido com peles suíças selecionadas, o material apresenta propriedades reflexivas destinadas a espalhar a luz pelo interior e ampliar a sensação de brilho.
Outros componentes internos trocam o preto tradicional pelo branco Grigio Corvara, criando continuidade visual entre a parte externa e o espaço dos ocupantes.

Uma placa exclusiva identifica o automóvel como Chassis 0 e confirma sua condição de primeiro chassi de produção ligado ao programa Ferrari Luce.
O interior foi desenvolvido por Jony Ive, ex-designer da Apple, e sua equipe, recebendo uma reação mais favorável que a carroceria na apresentação inicial.
Já o desenho externo provocou críticas intensas entre público e especialistas, principalmente pela percepção de que o modelo não parece suficientemente ligado à Ferrari.
Algumas avaliações associaram suas linhas a produtos de novas marcas de EVs, projetos voltados ao setor tecnológico ou modelos de fabricantes generalistas.
Essa comparação se torna especialmente delicada porque o Luce custa US$ 640.000 (R$ 3,328 milhões), valor que exige uma presença visual claramente excepcional.

Para a Ferrari, a exclusividade percebida sustenta preços elevados, tornando a imagem do modelo tão importante quanto sua tecnologia ou posição dentro da gama.
Leiloar o primeiro exemplar em Monterey, diante de compradores de alto poder financeiro, oferece uma oportunidade estratégica para reforçar prestígio e interesse mundial.
Uma quantia elevada, ligada ainda a uma finalidade beneficente, pode ajudar a cercar o Luce de reconhecimento positivo após uma estreia visual pouco consensual.
Mesmo assim, o resultado não responderá completamente se clientes tradicionais aceitarão um Ferrari sem motor a combustão e com aparência distante dos ícones históricos.
O leilão mostrará apenas até onde um comprador está disposto a ir para possuir o primeiro capítulo elétrico da marca italiana.






