Com a pressão para juntar seus negócios, Elon Musk vê crescer o plano SpaceX + Tesla, e o detalhe jurídico no Texas pesa no fim

tesla logo (2)
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Poucas fusões corporativas despertam tanta especulação quanto uma operação capaz de reunir foguetes, EVs, satélites, inteligência artificial, robôs e redes sociais sob o mesmo guarda-chuva.

É esse o cenário que ronda Elon Musk, hoje pressionado por admiradores, investidores e analistas que enxergam sentido numa combinação entre SpaceX e Tesla.

A expectativa ganhou força após a SpaceX realizar o que pode ter sido a maior oferta pública inicial da história, abrindo espaço para apostas ainda mais ambiciosas.

Entre os entusiastas do empresário, a ideia é unir boa parte de seus negócios numa espécie de conglomerado tecnológico avaliado em cerca de US$ 4 trilhões (R$ 20,3 trilhões), segundo o The New York Times.

A possível operação envolveria a SpaceX, controlada por Musk, e a Tesla, fabricante de EVs da qual ele também é diretor-presidente e maior acionista individual.

elon musk 1
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Investidores, analistas e até uma alta executiva da SpaceX já discutiram os méritos dessa combinação em redes sociais, relatórios de pesquisa e até entrevista na televisão.

As duas empresas mantêm há anos uma convivência estreita, dividindo executivos, recursos e até projetos bilionários em desenvolvimento conjunto em áreas consideradas estratégicas.

Por controlar a SpaceX e ao mesmo tempo ser o maior acionista da Tesla, Musk acabaria essencialmente negociando consigo mesmo, situação que naturalmente levanta dúvidas jurídicas.

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Esse tipo de transação poderia provocar processos de acionistas insatisfeitos, sob a alegação de que os interesses dos demais investidores foram deixados de lado em benefício do bilionário.

Ainda assim, especialistas em direito societário afirmam que barrar Musk não seria tarefa simples, principalmente porque Tesla e SpaceX hoje têm domicílio corporativo no Texas.

A Tesla transferiu sua sede de Delaware para o Texas no ano passado, depois da irritação de Musk com uma decisão judicial sobre seu pacote de remuneração de 2018.

Esse pacote, mais tarde revertido, ajudou a inflar a fortuna do homem mais rico do mundo, e a SpaceX seguiu caminho semelhante ao migrar para o Texas em 2024.

Segundo Charles Elson, diretor-fundador do Weinberg Center for Corporate Governance, da University of Delaware, Musk chegou a um ponto em que pode fazer quase tudo o que quiser.

A diferença legal é decisiva porque, em Delaware, qualquer acionista prejudicado pode processar a empresa, enquanto no Texas o autor precisa deter ao menos 3% do capital.

Na Tesla, isso representaria um bloco dissidente de ações equivalente a cerca de US$ 45 bilhões (R$ 228,9 bilhões), considerando o valor de mercado atual de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,6 trilhões).

James Spindler, professor de direito societário da University of Texas School of Law, resume esse requisito como um obstáculo gigantesco para qualquer rebelião acionária organizada.

Pela lógica mais provável, a SpaceX, apontada como a empresa maior em valor de mercado, ofereceria suas ações em troca de papéis da Tesla para formar a nova companhia.

O grupo resultante reuniria construção de foguetes, Starlink, inteligência artificial, carros e caminhões elétricos, baterias, energia solar, a rede social X e produtos ainda em desenvolvimento.

Entre esses projetos aparecem centros de dados orbitais, táxis autônomos e robôs humanoides, mostrando como a complementaridade tecnológica alimenta o discurso favorável à fusão.

Pela lei texana, dois terços dos acionistas da Tesla precisariam aprovar a operação, mas Musk já controla cerca de 20% dos votos da companhia.

Boa parte dos demais investidores demonstra forte admiração pelo executivo e aprovou recentemente um pacote de remuneração que pode chegar a quase US$ 1 trilhão (R$ 5,1 trilhões).

O conselho de administração da Tesla também tem histórico de apoiar as ideias de Musk, num ambiente em que vários conselheiros mantêm amizades antigas ou relações de negócios com ele.

Eric Talley, professor da Columbia Law School, pondera que essa lealdade pode ter limite caso os termos da aquisição favoreçam demais a SpaceX e prejudiquem claramente a Tesla.

Gwynne Shotwell, presidente e diretora de operações da SpaceX, tampouco esfriou o debate e afirmou à CNBC que a combinação poderia até tornar a vida de Musk mais fácil.

Ela acrescentou que existe, sem dúvida, sinergia entre os futuros da Tesla e da SpaceX, comentário que ajudou a legitimar ainda mais a conversa no mercado.

Os próprios documentos regulatórios da SpaceX admitem a hipótese de fusões ou aquisições, embora alertem para desafios de integração entre operações, sistemas e culturas empresariais distintas.

Na prática, os vínculos já existem e incluem planos para produzir chips de inteligência artificial numa fábrica proposta chamada Terafab e desenvolver software por meio do projeto Macrohard.

A Tesla também investiu na xAI, empresa de IA de Musk incorporada à SpaceX neste ano, e vendeu à fabricante aeroespacial centenas de milhões de dólares em baterias e veículos.

Do lado da SpaceX, a bênção necessária para qualquer acordo parece depender basicamente de uma pessoa, já que Musk detém mais de 82% dos votos dos acionistas.

Isso ocorre porque ele possui uma classe especial de ações com poder de voto dez vezes maior que a dos papéis mantidos pelos demais investidores da empresa.

Brian Quinn, professor da Boston College Law School, observa que essa estrutura pode permitir a Musk preservar controle majoritário de votação numa companhia combinada com a Tesla.

Alguns gestores, como Tasha Keeney, diretora de análise de investimentos e estratégias institucionais da ARK Investment Management, avaliam que a fusão faz sentido industrial e estratégico.

Na leitura dela, a experiência da Tesla em semicondutores e construção de centros de dados se encaixaria bem nos planos da SpaceX para infraestrutura orbital.

Keeney afirma ainda que, se a SpaceX provar o conceito de centro de dados no espaço, sua divisão de IA poderá ganhar vantagem contra Anthropic, OpenAI e outras rivais.

Mesmo assim, a executiva diz preferir que a fusão só aconteça depois que a Tesla se consolide como força dominante em táxis autônomos.

A montadora já testa pequenas frotas desse serviço no Texas e em San Francisco, além de ter iniciado a produção do Cybercab sem motorista.

Advogados, políticos e alguns acionistas ainda podem tentar bloquear o negócio, inclusive com ações federais por fraude caso informações relevantes sejam omitidas antes das votações.

Especialistas, porém, avaliam que um processo desse tipo só teria chance concreta se a companhia fundida fracassar e os acionistas acabarem sofrendo perdas financeiras relevantes.

Também existe a possibilidade teórica de questionamentos regulatórios por antitruste ou segurança nacional, dado o peso combinado de IA, robótica, comunicações e espaço.

Na visão de Talley, porém, as autoridades americanas dificilmente reagiriam com dureza enquanto Donald Trump estiver na presidência, e a Europa talvez também encontre dificuldade para provar dominância excessiva.

No fim, o maior freio pode não estar nos juizes nem nos governos, mas numa eventual queda acentuada das ações, cenário que costuma dissipar o entusiasmo em qualquer mercado de alta.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook