Com BYD e Geely ganhando espaço fora da China, indústria dos EUA pede veto definitivo a veículos chineses e seus sistemas conectados

Carroceria sem pintura apoiada em uma estrutura dentro de uma fábrica, com portas e capô abertos.
ford bronco fabrica china 2

A indústria automobilística dos Estados Unidos quer transformar em regra definitiva as atuais barreiras contra veículos chineses, apontando riscos para interesses econômicos e de segurança nacional.

A Alliance for Automotive Innovation pediu ao Congresso uma proibição permanente de carros chineses e das tecnologias conectadas associadas a esses veículos dentro do mercado americano.

O pedido foi enviado às lideranças democratas e republicanas da Câmara dos Representantes e do Senado, ampliando a pressão antes do encerramento da atual sessão legislativa.

Segundo a entidade, os parlamentares deveriam aprovar a medida antes da conclusão dos trabalhos deste ano, já que a próxima etapa legislativa começa em janeiro.

John Bozzella, CEO da Alliance for Automotive Innovation, afirma que fabricantes chineses atualmente espalham pelo mundo veículos subsidiados equipados com software e hardware conectados.

Linha industrial com robôs amarelos trabalhando na montagem de carrocerias
Linha de produção automotiva com robôs industriais amarelos trabalhando ao redor de carrocerias em montagem.

Bozzella reconhece que esse movimento ainda não ocorreu dentro dos Estados Unidos, mas argumenta que a escala e a urgência justificam uma restrição aprovada por lei.

A organização já havia apresentado um pedido semelhante em março, ao lado de outros grupos do setor automotivo, reforçando uma preocupação que ganha espaço entre fabricantes americanos.

Maior associação comercial da indústria automotiva dos Estados Unidos, a Alliance representa fabricantes locais como a General Motors Co. e grupos estrangeiros de grande porte.

Toyota Motor Corp. e Volkswagen AG também fazem parte da entidade, colocando algumas das maiores empresas globais do setor ao lado das fabricantes americanas nessa reivindicação.

O avanço internacional das marcas chinesas ajuda a explicar essa movimentação, especialmente diante do crescimento acelerado de empresas como BYD Co. e Geely Automobile Holdings Ltd.

Essas companhias ampliam participação em diferentes mercados e aumentam suas exportações ao mesmo tempo que enfrentam demanda enfraquecida e preços extremamente competitivos dentro da China.

EVs chineses mais baratos e carregados de tecnologia também começam a aparecer tanto no Canadá quanto no México, países diretamente ligados ao mercado automotivo norte-americano.

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Esse cenário aumenta a preocupação entre executivos dos Estados Unidos, que avaliam a possibilidade de fabricantes chineses buscarem futuramente uma presença mais relevante dentro do país.

Na prática, os veículos chineses já encontram fortes obstáculos para entrar nos Estados Unidos devido às tarifas elevadas aplicadas atualmente sobre produtos automotivos vindos da China.

Outra barreira vem do Departamento de Comércio, que restringe sistemas de veículos conectados provenientes de países classificados pelos Estados Unidos como adversários, incluindo a própria China.

As fabricantes, porém, querem que o Congresso avance além das regras atuais e transforme essas limitações em uma proibição permanente estabelecida diretamente pela legislação federal americana.

A proposta incluiria tanto os carros produzidos por empresas chinesas quanto software, hardware e outras tecnologias conectadas relacionadas ao funcionamento desses veículos dentro dos Estados Unidos.

Diversos projetos analisados pelos parlamentares caminham nessa direção, incluindo uma proposta que avançou por uma comissão do Senado em julho e segue dentro da discussão legislativa.

A movimentação mostra que o setor não considera suficientes as tarifas e restrições administrativas existentes, preferindo uma regra mais duradoura contra a entrada de veículos e tecnologias chinesas.

Para a Alliance for Automotive Innovation, consolidar essa restrição antes do fim da atual sessão impediria que uma eventual mudança regulatória futura reabrisse espaço para fabricantes chineses.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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