Com chineses lançando carros a cada 2 anos, Renault vai cortar 800 postos de engenharia para não ficar atrás

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A disputa tecnológica na Europa pressiona a Renault a mexer na própria estrutura antes que a diferença de ritmo fique ainda maior.

O Renault Group planeja cortar 800 postos de engenharia na França até o fim de 2027 para tornar sua organização mais leve.

A medida faz parte de uma resposta direta ao avanço das fabricantes chinesas, que ampliam presença com tecnologia elevada e preços muito competitivos.

Philippe Brunet, diretor de tecnologia da Renault, disse a jornalistas em teleconferência que a participação chinesa mais que triplicou na Europa em dois anos.

Segundo Brunet, fabricantes coreanas, japonesas e europeias sofrem no continente, incluindo a própria Renault, diante dessa nova pressão competitiva.

A França reúne 5.500 profissionais de engenharia da Renault, número que representa metade de todo o quadro global da área.

A empresa já havia indicado, em meados de abril, intenção de reduzir sua força total de engenharia entre 15% e 20% até o fim de 2027.

Os 800 postos franceses entram nesse movimento mais amplo, pensado por uma das menores montadoras tradicionais diante de rivais mais velozes.

A Renault espera obter em julho a aprovação dos sindicatos para seu plano de transformação, com implementação prevista a partir de setembro.

O pacote também prevê requalificação de 2.500 trabalhadores, numa tentativa de deslocar competências internas para áreas consideradas mais estratégicas.

Entre 150 e 200 novas contratações estão previstas, principalmente para eletrificação de veículos, software e inteligência artificial.

Brunet também anunciou uma revisão da organização e dos métodos de trabalho, buscando simplificar as operações de pesquisa e desenvolvimento.

O objetivo é tornar a Renault mais ágil numa corrida em que fabricantes chinesas passaram a estabelecer um novo padrão de velocidade.

Essas rivais já conseguem desenvolver modelos em apenas dois anos, contra um ciclo tradicional de quatro a cinco anos na indústria.

Para Brunet, o ponto central é a rapidez, frase que resume a urgência interna por decisões mais curtas e processos menos pesados.

Ele pretende reduzir a complexidade dos projetos de veículos, diminuir o número de etapas e cortar em 20% o tempo gasto em reuniões.

A mudança não se limita a uma redução de quadro, pois reorganiza prioridades num momento em que software e eletrificação definem competitividade.

Também pesa o fato de que a Renault precisa preservar escala e investimento mesmo sendo menor que vários concorrentes históricos.

A ofensiva chinesa muda a referência de custo, prazo e tecnologia, deixando menos espaço para ciclos longos e estruturas internas lentas.

Nesse contexto, a engenharia francesa da Renault vira peça central de uma transformação que tenta trocar tamanho por velocidade operacional.

A companhia busca se adaptar sem abandonar sua base técnica, mas deixando claro que antigas formas de desenvolvimento já não bastam.

A pressão descrita por Brunet mostra que competir na Europa passa a exigir menos camadas internas, mais foco digital e respostas muito mais rápidas.

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