
A promessa de eletrificar o maior sucesso europeu da Nissan acaba de perder prioridade, num momento em que rivais chinesas pressionam cada vez mais.
O Qashqai, modelo mais vendido da marca na Europa em 2025, teve mais de 147.200 unidades comercializadas e respondeu por cerca de 42% das vendas regionais.
A versão EV do crossover deveria chegar já neste ano, mas a Nissan teria interrompido o desenvolvimento ainda no início de 2025.
A informação foi publicada pela Reuters na terça-feira, com base em seis fontes familiarizadas com o assunto dentro e ao redor do projeto.
A decisão surge enquanto a fabricante japonesa tenta reduzir custos e acompanhar marcas chinesas de preço mais competitivo, especialmente a BYD.

O Qashqai EV fazia parte de um trio anunciado em 2023 para produção na fábrica de Sunderland, no Reino Unido.
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Ao lado dele estavam o novo LEAF e o Juke, dois modelos que seguem nos planos de eletrificação da Nissan na Europa.
A produção do novo LEAF começou em Sunderland em dezembro, reforçando a importância da unidade britânica na estratégia regional da empresa.
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Com Qashqai EV fora do cronograma, híbridos devem ganhar mais espaço na Nissan?
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Mais cedo neste ano, a Nissan confirmou que o Juke EV também será feito ali e, em abril, indicou venda a partir da primavera de 2027.
A empresa, porém, não confirmou nem negou à Reuters a suspensão do Qashqai EV, preferindo reafirmar compromisso com uma linha “eletrificada”.

Essa escolha de palavras inclui híbridos, ponto importante num cenário em que a Nissan fala em demanda por EVs marcada por forte instabilidade na Europa.
Daqui em diante, a fabricante diz buscar uma estratégia de eletrificação mais “equilibrada”, sem concentrar todos os esforços em modelos totalmente a bateria.
A Nissan também negocia com Londres apoio financeiro para Sunderland, e novos detalhes sobre essa conversa devem aparecer nos próximos meses.
Caso o Qashqai EV volte ao calendário, duas fontes afirmam que isso dificilmente ocorrerá antes de 2030.
O recuo pesa porque o Qashqai não é um produto secundário, mas o eixo comercial da Nissan em um dos mercados mais competitivos do mundo.
A Electrek avalia que abandonar o plano do Qashqai totalmente elétrico ampliaria a distância entre a Nissan e concorrentes que avançam mais rápido.
A pressão não se limita à Europa, pois a marca já anunciou no ano passado o corte de 20.000 empregos, cerca de 15% de sua força global.
Essas medidas integram o plano de recuperação chamado “Re:Nissan”, que também prevê o fechamento de várias fábricas para tentar reorganizar custos.
A companhia ainda cancelou uma nova fábrica de baterias no Japão, outro sinal de cautela em investimentos ligados diretamente aos EVs.
Mais cedo neste ano, a Nissan também desistiu de produzir dois novos SUVs elétricos na planta de Canton, Mississippi, priorizando híbridos.
A economia imediata pode aliviar o caixa, mas o risco estratégico aumenta se a migração para EVs ganhar força mais rápido que o esperado.
Para a Electrek, insistir em tecnologias híbridas já pressionadas por futuras regras e preferências de mercado pode deixar a Nissan numa posição vulnerável.
O caso Qashqai mostra uma fabricante tentando ganhar tempo, ao mesmo tempo em que seu produto europeu mais importante fica sem uma rota elétrica clara.
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