Com gasolina premium a R$ 12 o litro e alta de 21% desde abril, o Uruguai já compra mais elétricos que carros a gasolina

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O combustível caro virou o empurrão que faltava para os EVs deixarem de ser promessa e assumirem a dianteira nas lojas uruguaias.

Entre janeiro e maio, consumidores no Uruguai compraram cerca de 9.500 EVs, contra aproximadamente 8.600 veículos a gasolina ou diesel.

A virada acontece em um país conhecido por atrair os ultrarricos da América do Sul, mas onde abastecer virou um peso diário.

A gasolina premium custa hoje cerca de R$ 12 por litro, segundo a Bloomberg, em um dos maiores valores da América Latina.

O governo uruguaio controla importações e refino de combustíveis, e elevou os preços em cerca de 21% desde 1º de abril.

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A justificativa para a alta está nos custos de energia gerados pela guerra no Irã, que pressionaram o petróleo e chegaram aos postos.

Embora ainda fique atrás de Hong Kong e Suíça, o preço uruguaio supera Noruega, França e Reino Unido, segundo o GlobalPetrolPrices.com.

A diferença impressiona porque a renda no Uruguai é significativamente menor que nesses mercados, ampliando o peso financeiro sobre os motoristas.

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O contraste regional também pesa, já que a gasolina custa cerca de R$ 7 na Argentina.

No Brasil, o valor fica perto de R$ 6-7, também abaixo do patamar visto no Uruguai.

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Gustavo Berrueta, de 56 anos, entrou nessa nova fase ao comprar em maio um hatch BYD Seagull por pouco menos de R$ 114.000.

A escolha veio por recomendação de amigos que já conheciam a BYD Co., empresa chinesa que superou a Tesla Inc. em vendas globais de EVs.

“Nós temos a gasolina mais cara do mundo neste país”, disse Berrueta, enquanto dirigia seu novo Seagull.

“Este carro vai ser usado para trabalhar com Uber, e com um carro a gasolina isso seria impensável”, afirmou ele.

O avanço dos EVs coloca o Uruguai na liderança sul-americana em adoção, puxado por marcas chinesas como BYD e Geely.

Segundo dados compilados pela associação automotiva Acau, os EVs chegaram a 43% das vendas de veículos novos entre janeiro e maio.

Essa participação é quase o dobro da registrada no mesmo período do ano passado e contrasta com os baixos dígitos vistos ainda em 2023.

No sentido oposto, veículos novos a gasolina e diesel caíram para 39% do mercado nos cinco primeiros meses de 2026.

No ano passado, esses modelos respondiam por 68% das vendas, terreno em que marcas ocidentais e japonesas costumam ter presença mais forte.

Os híbridos ficam com a parte restante do mercado uruguaio de veículos novos, em meio à reorganização acelerada da demanda.

Até formuladores de política econômica acompanham a mudança, incluindo Guillermo Tolosa, presidente do Banco Central uruguaio.

Tolosa afirmou recentemente que EVs e uma rede elétrica ancorada em energia renovável ajudaram a reduzir o efeito inflacionário do choque do petróleo.

A infraestrutura de recarga ainda não virou gargalo em um país pouco maior que a Flórida, onde muitos motoristas carregam em casa.

A estatal UTE expandiu sua rede pública nacional para quase 500 pontos de recarga, ante 136 no fim de 2021.

Martin Nuñez, chefe de vendas em concessionárias como a Sadar Portones, em Montevidéu, percebeu alta na procura desde abril.

Naquele mês, o governo elevou a gasolina em 7%, reforçando a busca por EVs nos salões de venda.

“A explicação de muitos clientes que chegam ao meu showroom é que eles não aguentam mais aumentos de combustível”, disse Nuñez.

Segundo ele, esses compradores também querem se antecipar a possíveis altas de impostos antes que o preço final dos EVs mude.

Hoje, EVs pagam imposto de registro reduzido e são isentos de tarifa de importação de 23% no Uruguai.

Eles também escapam do Imesi, imposto aplicado a veículos a gasolina que pode chegar a 46% no país.

Gabriel Oddone, ministro da Economia, disse no mês passado que o governo pretende reduzir gradualmente parte desses incentivos no segundo semestre.

Para Oddone, o setor já está suficientemente estabelecido para competir sem subsídios no mercado uruguaio.

Essa mudança pode acelerar ainda mais as vendas nos próximos meses, antes que eventuais aumentos tributários entrem em vigor.

Delfina Matos, consultora sênior da Exante, em Montevidéu, avalia que o ritmo recente talvez não se sustente depois das mudanças.

“Provavelmente não veremos a mesma taxa de crescimento dos últimos anos”, disse Matos sobre o mercado local de EVs.

Ela acrescentou que algumas vendas não acontecerão sem os benefícios fiscais, dado o peso deles no preço final.

Justino Terra e sua esposa avaliaram um SUV Geely EX5 antes de fazer o pagamento inicial de um BYD Yuan Plus.

O modelo escolhido custa R$ 192.000 e tem entrega prevista para meados de julho.

Terra, bancário de 29 anos, calcula rodar milhares de milhas por ano e queria parar de depender da gasolina.

“Agora era a hora de comprar, porque ouvi que pode haver mudanças no Imesi e no imposto de registro dos EVs”, disse ele.

“Nós nunca consideramos um carro a gasolina”, afirmou Terra, resumindo a nova lógica de compra que se espalha pelo Uruguai.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook