
A busca por volume deixou uma conta pesada para a Nissan, e Ivan Espinosa agora tenta reconstruir a marca por outro caminho.
O novo CEO disse à Reuters que a estratégia anterior priorizava vender cada vez mais, especialmente para locadoras, sem olhar o efeito de longo prazo.
Segundo Espinosa, a lógica era simplesmente buscar “volume, volume, volume”, prática que ele considera inadequada para administrar uma fabricante.
Essa corrida ajudou a colocar mais carros, picapes e SUVs nas ruas, mas exigiu descontos fortes e reduziu a percepção de valor da Nissan.
A participação da marca nos Estados Unidos caiu de cerca de 9% há uma década para aproximadamente 6% hoje.

O pico recente veio em 2017, com 1,6 milhão de veículos vendidos, antes da queda para 913.000 unidades no ano passado.
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O ponto mais baixo dessa trajetória foi 2022, quando a Nissan vendeu apenas 730.000 veículos no mercado norte-americano.
Agora, Espinosa quer trocar crescimento a qualquer preço por expansão saudável, com foco em qualidade, varejo e recuperação de imagem.
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A empresa afirma ter registrado o 16º mês consecutivo de alta nas vendas a clientes finais, em vez de depender apenas de frotas.
A Nissan também se apresenta como a marca generalista que mais cresce nos Estados Unidos, apoiada por indicadores melhores na JD Power.
Mesmo assim, as vendas para frotas também subiram no último trimestre, passando de 45.661 unidades no segundo trimestre de 2025 para 52.831 agora.
O crescimento nesse canal foi ligeiramente superior ao registrado no varejo, mostrando que a transição ainda não está completamente resolvida.
Um dos pilares da nova fase será a renovação de produtos, embora os próximos modelos ainda não tenham sido revelados oficialmente.
O primeiro passo deve ser uma versão híbrida do Rogue, prevista para chegar ao mercado ainda este ano.
Espinosa reconhece que a Nissan perdeu espaço em híbridos, segmento que cresceu bastante na última década nos Estados Unidos.
A marca não oferecia um híbrido no país desde o Altima 2011 e só lançou seu primeiro PHEV, baseado no Rogue, no ano passado.
A ficha do Rogue 2026 mostra preço inicial de US$ 29.090 (R$ 151.200), motor VC-Turbo 1.5 a combustão e câmbio CVT de duas marchas.
Na configuração básica, o SUV tem tração dianteira, 204 cv, 31,1 kgfm e consumo estimado de 12,8 km/l na cidade, 15,7 km/l na estrada e 14,0 km/l combinado.
Depois do novo Rogue, a Nissan prepara outros produtos, incluindo um Xterra com chassi sobre longarinas e opções V6 ou V6 híbrida.
O sistema e-Power já testado em protótipo entrega comportamento mais próximo de um EV do que de um híbrido tradicional, mas sem tomada.
Ao mesmo tempo, a Nissan reduz custos globalmente, fecha fábricas e tira de linha modelos menos fortes, como o subcompacto Versa.
A estratégia já melhora o resultado financeiro, e Espinosa afirma que a empresa passou da recuperação para uma nova fase de crescimento.
A leitura de mercado é simples: vender muito para locadoras ajuda fábricas em períodos fracos, mas enfraquece o desejo pelo produto.
Um sedã básico, muito usado e revendido barato depois de um ano, pode pesar contra a escolha de um Nissan novo na concessionária.
Por isso, Espinosa diz querer se manter afastado do mercado de locadoras, ainda que abandonar frotas totalmente não faça sentido.
Até marcas premium como BMW e Mercedes-Benz vendem para esse canal, mas a Nissan precisa equilibrar volume, valor e reputação.
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