
Ruas estreitas não pedem SUVs inflados, mas carros menores, leves e capazes de transformar a eletrificação em algo compatível com cidades antigas.
Essa é a brecha que modelos como o Renault Twingo E-Tech tentam ocupar, agora que baterias evoluíram e custos industriais ficaram mais administráveis.
Pelas vielas de Londres, o compacto chama atenção por faróis arredondados, pintura “mango yellow” e uma presença que lembra o antigo apelido de “sapo”.
Laurens van den Acker, diretor de design da Renault e líder do desenvolvimento do Twingo, resume para o The Guardian a aposta em uma frase direta sobre escala.
Segundo ele, o mundo não será salvo por grandes SUVs elétricos, mas por EVs pequenos, mais numerosos e tão desejados quanto carros convencionais.

A discussão vai além do desenho, porque o transporte rodoviário responde hoje por cerca de um quinto das emissões da União Europeia.
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Trocar um hatch pequeno a gasolina por um SUV elétrico melhora uma parte da conta, mas adiciona peso, bateria maior e gasto energético superior.
O Twingo parte de € 19.490 (R$ 115.300) na França e deve custar cerca de £ 18.000 (R$ 122.800) ao chegar ao Reino Unido.
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Entre Twingo E-Tech, ë-C3 e E-208, qual compacto elétrico europeu tem melhor custo-benefício para cidade?
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A disputa inclui o Citroën ë-C3, o futuro retorno do nome 2CV em versão elétrica e o Peugeot E-208 dentro do grupo Stellantis.
A Renault já ganhou fôlego com o Renault 5 E-Tech, eleito Car of the Year da Europa em 2025, em uma faixa um pouco maior.

Mini Cooper Electric, Fiat 500e e o futuro Volkswagen ID. Polo reforçam essa retomada, junto de quadriciclos como Citroën Ami e Micro Microlino.
O movimento corrige uma tendência longa, já que carros fabricados em 2024 tinham 4,41 metros em média, 5% mais que em 2016.
Dados de estatísticos do governo holandês também mostram largura média de 1,82 metro, quase 4% maior, algo sensível nas ruas de Amsterdã.
Carros pequenos perderam espaço porque regras de segurança trouxeram mais equipamentos, difíceis de acomodar em carrocerias curtas e pouco rentáveis.
A virada elétrica agravou o desafio no começo, pois baterias caras pressionavam justamente os modelos que sempre foram mais acessíveis.

Smart e Mini talvez sejam as marcas mais ligadas a compactos, mas a Smart mudou de rota após virar parceria Mercedes-Benz e Geely em 2019.
Agora a Smart prepara o #2, uma versão elétrica inspirada no Fortwo, com nome pronunciado de forma pouco natural como “hashtag two”.
Wolfgang Üfer, chefe da Smart Europe, disse em conferência do setor que esse era o modelo pedido por todos, inclusive por sua mãe.
Xuan-Zheng Goh, diretor de produto, marketing e comunicação da Smart Europe, afirma que fazer um carro grande é fácil, enquanto um pequeno exige escolhas cuidadosas.
Para reduzir despesas, a Renault desenhou o Twingo em dois anos, não quatro, fez parte da engenharia na China e cortou peças.
Outros carros usam de 1.500 a 2.000 componentes, mas o Twingo fica em 750, sem abrir mão de detalhes de personalidade.
Van den Acker diz que a marca buscou EVs capazes de despertar afeto, com cores vivas, faróis marcantes e bancos traseiros corrediços.
A bateria de 27,5 kWh entrega 163 milhas, cerca de 262 km, suficiente para trajetos urbanos e menos confortável em viagens maiores.
O repórter Jasper Jolly, ao fazer Londres-Oxford-Londres no fim de semana, precisou parar 20 minutos para recarregar durante o retorno.
A Cupra, do grupo Volkswagen, também reduz suas proporções com o Raval elétrico, que começa em £ 23.785 (R$ 162.300).
Markus Haupt, executivo-chefe da Cupra e da Seat, chama o Raval de divisor de águas para convencer clientes de que a eletromobilidade é presente.
Segundo Haupt, o custo produtivo foi a primeira barreira, exigindo bilhões de euros do grupo Volkswagen em uma nova plataforma compartilhada.
Ele estima custos próximos aos de carros a gasolina até o fim desta década ou o começo da próxima, dependendo da escala industrial.
As metas de emissões também pressionam fabricantes europeias, que precisam transformar EVs em líderes de venda para evitar multas regulatórias.
Híbridos ainda podem ajudar algumas marcas, como Toyota Aygo e Fiat 500, mas entregam emissões de carbono bem mais altas que EVs.
A pressão chinesa amplia a urgência, com BYD Dolphin Surf, Leapmotor T03 distribuído pela Stellantis e modelos Smart projetados na Europa, mas feitos na China.
Haupt defende que fabricantes chinesas comprem componentes e produzam na Europa, após subsídios chineses motivarem tarifas da União Europeia sobre carros do país.
As novas regras “Made in Europe” devem incentivar produção no bloco, embora o Reino Unido corra risco de ficar de fora.
Para Haupt, esse cenário pode atrair investimento, gerar emprego e tornar a base industrial europeia mais interessante diante da nova fase dos compactos elétricos.
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