
A retração das vendas de veículos leves na China está levando Volkswagen e General Motors a ampliar a busca por mercados externos, incluindo países africanos.
A FAW-Volkswagen, parceria entre o Grupo Volkswagen e a China FAW Group, iniciou em 11 de setembro as vendas de veículos produzidos na China em Madagascar.
A operação marca a primeira entrada desse tipo de um fabricante automotivo global no continente africano utilizando modelos montados especificamente em instalações chinesas.
Os primeiros produtos escolhidos são os Jetta VS5 e VS8, ambos movidos a gasolina e anteriormente oferecidos exclusivamente no mercado chinês pela submarca acessível Jetta.
Antes do início das exportações, a FAW-VW afirma ter realizado adaptações específicas e ajustes voltados às condições de rodagem, clima e preferências dos consumidores africanos.

A distribuição dos dois crossovers em Madagascar ficará sob responsabilidade da Sodiama SA, uma das principais empresas locais dedicadas à comercialização de veículos.
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A movimentação internacional ocorre após uma redução expressiva nas vendas do Grupo Volkswagen na China, que passaram de 4,2 milhões em 2019 para 2,9 milhões no ano passado.
Os modelos eletrificados não conseguiram compensar integralmente a menor procura pelos produtos movidos a gasolina, pressionando os volumes totais da fabricante alemã naquele mercado.
Durante o primeiro semestre de 2026, as entregas do grupo na China recuaram 26%, ficando em aproximadamente 971 mil unidades, segundo dados divulgados pela sede alemã.
Diante da capacidade produtiva disponível no país, a Volkswagen intensificou desde 2025 as exportações realizadas a partir de suas duas principais operações conjuntas na China.

A FAW-VW já envia modelos Volkswagen e Jetta movidos a gasolina para regiões do Oriente Médio e da Ásia Central em sua estratégia de expansão externa.
A SAIC-Volkswagen, parceria da fabricante alemã com a SAIC Motor, também passou a exportar veículos da marca Volkswagen para Sudeste Asiático e Ásia Central.
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Um plano anunciado em 3 de setembro prevê ampliar ainda mais essas operações, direcionando parte da produção chinesa para mercados do chamado Sul Global.
A Volkswagen afirma ter definido essa estratégia após avaliar as perspectivas futuras do mercado chinês e as possibilidades comerciais disponíveis em outras regiões do mundo.
Fabricantes chinesas como Chery, Great Wall Motor e BYD também vêm ampliando os embarques para a África em resposta à intensa concorrência doméstica.

Nos primeiros sete meses, marcas chinesas enviaram aproximadamente 142 mil veículos ao continente africano, crescimento de 85% sobre igual período do ano anterior.
A General Motors segue caminho semelhante após registrar uma longa redução nos volumes de sua parceria SAIC-GM, responsável por Cadillac, Buick e Chevrolet na China.
As entregas anuais da SAIC-GM caíram de um recorde de 2 milhões de unidades em 2017 para 535 mil veículos durante 2025.
Já nos seis primeiros meses de 2026, os embarques da operação recuaram 5,7% na comparação anual, chegando a aproximadamente 231 mil unidades.
John Roth, presidente da GM China, afirmou que a empresa continuará focada no mercado chinês, mas enxerga oportunidades relevantes em diferentes regiões internacionais.

Entre os mercados citados pelo executivo estão Oriente Médio, África, América do Sul, México e Ásia-Pacífico, todos considerados potenciais destinos para veículos produzidos na China.
A declaração foi divulgada em 5 de agosto, depois que General Motors e SAIC renovaram o contrato de sua parceria industrial até 2047.
