Com vendas em queda na China, Volkswagen e GM começam a enviar seus carros para a África

Parte dianteira de um SUV verde-escuro Jetta VS8, com farol aceso, grade frontal ampla e placa com o nome do modelo.
O Jetta VS8 está entre os modelos produzidos na China escolhidos pela FAW-Volkswagen para iniciar as vendas em Madagascar.

A retração das vendas de veículos leves na China está levando Volkswagen e General Motors a ampliar a busca por mercados externos, incluindo países africanos.

A FAW-Volkswagen, parceria entre o Grupo Volkswagen e a China FAW Group, iniciou em 11 de setembro as vendas de veículos produzidos na China em Madagascar.

A operação marca a primeira entrada desse tipo de um fabricante automotivo global no continente africano utilizando modelos montados especificamente em instalações chinesas.

Os primeiros produtos escolhidos são os Jetta VS5 e VS8, ambos movidos a gasolina e anteriormente oferecidos exclusivamente no mercado chinês pela submarca acessível Jetta.

Antes do início das exportações, a FAW-VW afirma ter realizado adaptações específicas e ajustes voltados às condições de rodagem, clima e preferências dos consumidores africanos.

SUV verde-escuro Jetta VS8 visto em três quartos, estacionado sobre um gramado, com teto panorâmico e rodas de liga leve.
A FAW-Volkswagen iniciou em Madagascar a comercialização do Jetta VS8, um dos crossovers antes oferecidos exclusivamente no mercado chinês.

A distribuição dos dois crossovers em Madagascar ficará sob responsabilidade da Sodiama SA, uma das principais empresas locais dedicadas à comercialização de veículos.

A movimentação internacional ocorre após uma redução expressiva nas vendas do Grupo Volkswagen na China, que passaram de 4,2 milhões em 2019 para 2,9 milhões no ano passado.

Os modelos eletrificados não conseguiram compensar integralmente a menor procura pelos produtos movidos a gasolina, pressionando os volumes totais da fabricante alemã naquele mercado.

Durante o primeiro semestre de 2026, as entregas do grupo na China recuaram 26%, ficando em aproximadamente 971 mil unidades, segundo dados divulgados pela sede alemã.

Diante da capacidade produtiva disponível no país, a Volkswagen intensificou desde 2025 as exportações realizadas a partir de suas duas principais operações conjuntas na China.

Vista traseira de um SUV verde-escuro Jetta VS8 sobre um gramado, com lanternas horizontais, teto panorâmico e placa identificada.
O Jetta VS8 faz parte da estratégia da Volkswagen de direcionar parte da produção chinesa para mercados africanos e outras regiões do Sul Global.

A FAW-VW já envia modelos Volkswagen e Jetta movidos a gasolina para regiões do Oriente Médio e da Ásia Central em sua estratégia de expansão externa.

A SAIC-Volkswagen, parceria da fabricante alemã com a SAIC Motor, também passou a exportar veículos da marca Volkswagen para Sudeste Asiático e Ásia Central.

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Um plano anunciado em 3 de setembro prevê ampliar ainda mais essas operações, direcionando parte da produção chinesa para mercados do chamado Sul Global.

A Volkswagen afirma ter definido essa estratégia após avaliar as perspectivas futuras do mercado chinês e as possibilidades comerciais disponíveis em outras regiões do mundo.

Fabricantes chinesas como Chery, Great Wall Motor e BYD também vêm ampliando os embarques para a África em resposta à intensa concorrência doméstica.

SUV cinza Jetta VS5 visto de frente e por cima em um campo verde, com teto panorâmico, barras no teto e rodas escuras.
O Jetta VS5 é o segundo modelo escolhido pela FAW-Volkswagen para a estreia de veículos montados na China no mercado de Madagascar.

Nos primeiros sete meses, marcas chinesas enviaram aproximadamente 142 mil veículos ao continente africano, crescimento de 85% sobre igual período do ano anterior.

A General Motors segue caminho semelhante após registrar uma longa redução nos volumes de sua parceria SAIC-GM, responsável por Cadillac, Buick e Chevrolet na China.

As entregas anuais da SAIC-GM caíram de um recorde de 2 milhões de unidades em 2017 para 535 mil veículos durante 2025.

Já nos seis primeiros meses de 2026, os embarques da operação recuaram 5,7% na comparação anual, chegando a aproximadamente 231 mil unidades.

John Roth, presidente da GM China, afirmou que a empresa continuará focada no mercado chinês, mas enxerga oportunidades relevantes em diferentes regiões internacionais.

Interior de um SUV Jetta, com volante à esquerda, painel digital azul, tela central, comandos de climatização e câmbio automático.
O interior do Jetta mostra painel digital e tela central, enquanto a marca amplia as exportações de veículos produzidos em suas operações na China.

Entre os mercados citados pelo executivo estão Oriente Médio, África, América do Sul, México e Ásia-Pacífico, todos considerados potenciais destinos para veículos produzidos na China.

A declaração foi divulgada em 5 de agosto, depois que General Motors e SAIC renovaram o contrato de sua parceria industrial até 2047.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook