Como a Toyota “previu” crise dos semicondutores com um terremoto

Como a Toyota "previu" crise dos semicondutores com um terremoto

Tirando o incêndio na fábrica da Renesas Electronics, a Toyota não parece tensa com a atual falta de semicondutores no mercado internacional, que está parando dezenas de fábricas em vários lugares.


Para o fabricante japonês, ter estoques de semicondutores lhe garante agora uma posição confortável diante de outros players mundiais, incluindo suas conterrâneas nipônicas.

Sem falta do produto para parar suas linhas, a Toyota “previu” o futuro ao se deparar por uma catástrofe, mas esta não ocorreu agora e muito menos tem relação com a pandemia de Sars-Cov 2.

Essa história começa em 2011, quando o terremoto de Tohoku, desligou as fábricas da Toyota por três meses. Sem peças, a montadora listou os itens mais urgentes e descobriu 1.500 componentes vitais para evitar o mesmo problema adiante.

Assim, a empresa que criou a filosofia do just-in-time agora se via com um problema exatamente aí. Em vez de conhecer apenas os chamados fornecedores Tier 1 ou 2, como todo fabricante de automóveis, a Toyota foi atrás da origem dos componentes de cada peça.

Como a Toyota "previu" crise dos semicondutores com um terremoto

Com essa investigação, ela descobriu exatamente de onde viam os itens básicos que compunham cada peça entregue nas fábricas. Dessa forma, por exemplo, a Toyota conseguiu rastrear os fornecedores dos materiais das lentes dos faróis, assim como o fabricante do lubrificante usado nas linhas de montagem para encaixar as borrachas nos carros.

Então, em vez de enxergar apenas as peças prontas para montagem, a Toyota criou um “mapa” de tudo o que compõe seus carros, através dos “fornecedores dos fornecedores”.

Isso possibilitou que ela vislumbrasse exatamente onde teria problemas de abastecimento das linhas de produção e, antecipadamente, criou estoques desses 1.500 componentes cruciais, entre eles os semicondutores…

Sem saber da crise gerada pelos fabricantes de chips e mesmo do fogo na Renesas, a Toyota antecipou-se aos problemas com dez anos de antecedência, não sendo surpreendida.

Ainda assim, em 2016, a dependência de um único fornecedor fez com que a empresa fechasse 26 linhas de montagem no Japão após um terremoto. Mas, na crise atual, aí fica a pergunta: se ela viu isso há 10 anos, por que as demais não viram?

[Fonte: Jalopnik]

 

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.