Manutenção

Como amaciar o motor? É mesmo necessário?

dirigindo Como amaciar o motor? É mesmo necessário?

No passado, o amaciamento de motor era algo obrigatório, mas não como hoje, que é recomendado. Com a precisão de montagem ainda bem distante da atual realidade, os propulsores antigos precisavam de um assentamento de suas partes móveis por um certo período de tempo, a fim de evitar que o motor simplesmente quebrasse. A troca do óleo em pouco tempo era necessária para se evitar o acúmulo de material metálico resultante do atrito inicial entre as partes mecânicas.



Hoje em dia, os motores estão bem mais modernos e a precisão na confecção das peças é muito mais exigente, com afinação por laser. As folgas agora possuem tolerâncias mínimas, inimagináveis há 40 anos atrás, por exemplo. De qualquer forma, todas as peças móveis precisam de um ajuste fino para manter a durabilidade por um longo tempo, traduzindo-se em um funcionamento mais suave e econômico, com menos desgaste e ruído, além de reduzir a emissão de poluentes.

Todos os fabricantes recomendam um período de amaciamento do motor, que é quando o motorista deve tomar alguns cuidados com o uso do carro para se obter um melhor assentamento das peças. As recomendações, no entanto, são das mais variadas e não há um consenso sobre todos os detalhes, mas a recomendação geral é a de não forçar o motor nesse período. Esse processo é indicado não só para carros comuns, com motores mais simples, mas também para propulsores potentes e tecnologicamente avançados.

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Como fazer?

Isso vai depender não do motorista, mas do fabricante do veículo. A recomendação de se fazer o amaciamento parte da marca do automóvel e está imprensa no manual do proprietário, que vai dizer exatamente o que fazer. Em alguns casos, o indicado parece ser um tanto absurdo, mas é melhor seguir do que tentar a sorte.

Afinal, foi o corpo de engenharia da montadora que chegou a esse conjunto de ações que o motorista deve seguir para que o motor dure mais tempo e funcione de forma eficiente. Geralmente esse período varia de 300 km a 3.000 km, onde certas coisas não podem ser feitas, mesmo que saibamos que o carro pode faze-las com tranquilidade. Então, essa parte cabe ao que cada fabricante diz.

GM

Nos carros da Chevrolet, o recomendado para se executar o amaciamento nos primeiros quilômetros é não frear de forma brusca o veículo. Além disso, não se deve puxar um reboque ou outro carro nos primeiros 100 km. Nessa mesma distância percorrida, também não pode acelerar demais e nem sair de forma brusca. Com o carro parado e em marcha lenta, igualmente não é recomendado ficar acelerando.

VW

Na Volkswagen, as restrições no período de amaciamento do motor começam aos 300 km para frenagens fortes, mas no caso do motor, recomenda-se que nos primeiros 1.000 km, o dono do carro evite acelerações desnecessárias e o reboque de carga. Após esse período, até 1.500 km, pode-se acelerar mais de forma gradual e aumentando a velocidade igualmente.

Fiat

Na marca italiana, os primeiros 1.600 km são cruciais e nisso a Fiat recomenda que não se puxe um reboque, bem como evitar manter o funcionamento do motor em rotações elevadas. A recomendação da frenagem forte é a mesma dos demais. O propulsor da marca não deve ser forçado durante esse início de vida.

Ford

No fabricante americano, a recomendação para amaciamento vai até 1.500 km percorridos. Nesse curto início de carreira, o motor precisa evitar rotação alta demais, bem como velocidades elevadas constantemente. A variação de velocidade nessa fase é recomendada pela Ford.

Hyundai

Na Hyundai, existem dois manuais de recomendações para amaciamento do motor. A HMB, por exemplo, limita esse período a 1.000 km, enquanto a CAOA pede até 2.500 km para seus carros importados e nacionais. As duas, no entanto, coincidem ao pedir o não reboque nos primeiros 2.500 km. Não se pode forçar o motor por longo tempo, o mesmo em relação a manter velocidades altas no mesmo prazo.

Toyota

No caso da marca japonesa, existe uma recomendação interessante: não rodar em marchas baixas ou velocidades constantes por longos períodos. Marcha baixa? A montadora deve estar se referindo as marchas mais curtas. A recomendação vai até 1.000 km para alguns modelos, entre eles Hilux, SW4, Corolla e RAV4. Se for Etios e Prius, o limite é 1.600 km. No caso do Lexus RX 350, este sobe para 2.000 km. Acelerações bruscas também não pode e, nos primeiros 300 km, nada de frenagens fortes.

Renault

No caso da marca francesa, a única recomendação é não ultrapassar a marca de 3.500 rpm nos primeiros 1.000 km. Em modelos da Renault com motor 1.0, isso significa evitar rodovias ou andar por volta de 100/110 km/h no máximo. Geralmente essa é a faixa de uso em estradas. Em motores maiores, dá até para encarar, mas sem de olho no ponteiro do conta-giros.

Honda

Da mesma forma que nas demais, a Honda pede aos seus clientes que não freiem seus carros bruscamente nos primeiros 300 km por conta do assentamento de pastilhas e discos, mas em relação ao motor, não se pode acelerar de forma brusca nos primeiros 1.000 km de utilização.

Nissan

O fabricante japonês tem limites de amaciamento diferenciados em relação aos demais. A montadora recomenda não rebocar carga até 800 km rodados. A partir daí, o carro já pode faze-lo, mas limitando-se a velocidade em 80 km/h. Porém, isso deve ser feito até 1.600 km rodados no total, ou seja, por mais 800 km. Depois disso, não há problema. No entanto, as limitações continuam. Até 2.000 km, recomenda-se não rodar em longos períodos com velocidade constante e nem acelerar bruscamente. Uma recomendação interessante é não passar de 4.000 rpm.

Peugeot

Embora a irmã Citroën não faça recomendações para amaciamento do motor, a Peugeot apenas diz que não se pode frear bruscamente nos 300 km iniciais. Vai entender…

Mitsubishi

A marca nipônica recomenda nos primeiros 1.000 km, evitar rotações elevadas do motor, bem como partidas, acelerações e frenagens rápidas nesse período. Outra indicação é não manter velocidades altas por muito tempo. Também não se deve carregar peso além do permitido e nem rebocar trailer. A Mitsubishi ainda recomenda um limite de velocidade de 130 km/h.

Mercedes-Benz

Até luxuosa se preocupa com amaciamento e nesse caso, a famosa alemã recomenda que não se faça bruscamente aceleração até as rotações máximas durante os 1.500 km inciais. Bom, nesse caso pode ser um pouco difícil para clientes AMG… Da mesma forma, evitar freadas bruscas nos primeiros 200 km. Então, evite ir para pistas fechadas e pegar rodovias nesse período, o carro agradece.

BMW

O recomendado pelo fabricante de luxo alemão é não ultrapassar 4.500 rpm nos primeiros 2.000 km. Da mesma forma, não se deve andar a mais de 160 km/h nesse período. Além disso, é indicado não manter aceleração elevada e não realizar o “kick down” na transmissão. Após 2.000 km, rotação e velocidade podem ser aumentadas gradativamente.

Land Rover

No caso da inglesa Land Rover, as recomendações também chamam atenção. Uma delas fala de evitar partidas a frio para percorrer trechos curtos. No caso de motores diesel, realmente eles demoram mais a aquecer. Rotações altas também devem ser evitadas nos primeiros 3.000 km.

Volvo

Na marca sueca, a recomendação é que o carro não reboque carga nos primeiros 1.000 km.

JAC

A marca chinesa recomenda não ultrapassar 80 km/h nos primeiros 1.000 km. Depois, pode-se elevar o giro e a velocidade gradualmente nos próximos 1.000 km. Ou seja, as limitações vão até 2.000 km.

Enquanto essas recomendam métodos de amaciamento, marcas como Kia Motors, Jeep, Dodge, Chrysler, RAM e Chery, além da já citada Citroën também não fazem qualquer alerta para os primeiros quilômetros rodados.

 

 

 

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  • 1 Raul

    Na minha época, amaciar o motor significava sentar o pé no carro nas primeiras semanas…

    • Mr. Pereba

      Passei a vida inteira vendo meus pais e tios fazerem isso. Quando peguei meu primeiro 0km (HB20), sentei o pé nos primeiros dois dias, e depois cheguei na parte do manual que recomendava não ultrapassar 4000rpm nos primeiros 3000kms rodados. Ainda assim, não tive nenhum problema nem senti alguma diferença no motor/freios.

      • 1 Raul

        Pois é. Acho que em algum momento temos que dar umas aceleradas. Minha mãe tem um corsa 1.4 2010, que está com 40 mil km, e ela sempre rodou pequenos trajetos diariamente, ou seja, nunca pisou fundo. O carro é frouxo e beberrão. Quem tem este carro diz que o dela é fora da curva.

        Meu pai teve um vectra elegance 2.0 mt, que tirou zero em 2007. Logo na sequência , colocou na estrada e rodou uns 600km. Toda a vida foi um carro frouxo. Não sei se era particularidade do carro, ou se tem a ver com a forma da condução nos primeiros quilômetros.

        • Samluzbh

          Pegue o carro de sua Mãe, ande uns 1000 km com etanol de pê embaixo, cortando giro, ele vai virar outro carro!

          • 1 Raul

            Haha, deixa pro próximo proprietário.

        • KOWALSKI

          Provavelmente o carro se adaptou ao uso que sua mãe faz dele. A estratégia da central de comando do motor é ser auto adaptativa, fique alguns dias com o carro que ele muda.

    • José Barbosa

      Engraçado, pois concordo parcialmente com isto. Um carro que não é acelerado até o fundo, algumas vezes, nos seus primeiros quilômetros, parece que jamais é capaz de chegar a isto depois.

  • afonso200

    kkkkkk, compro Zero e ja saio da CCS com os V6 e 2.5 sentando a bota………….. fico imaginando que nem agora o novo Mustang levando ele zero km no autodromo, e fazendo burnout pra imprensa e publico restrito ver….. nem amaciaram ainda, como podem sentar ferro, kkkkk

    • leandro

      Meu pai sempre disse: se lá dentro tudo é de ferro então vai amaciar o quê?

      • IPZ.4

        Tá sabendo legal.

        • leandro

          Kkkkkk. Ele sempre foi a voz da sabedoria

          • IPZ.4

            Hehehe brincadeiras à parte, pai é pai.

      • Edu

        Ótima!!! kkkk

  • Matthew

    Independente da quilometragem, o mais importante é esperar o motor atingir a temperatura ideal de funcionamento. Tem gente que sai rasgando logo na primeira partida do dia, quebra o filme de óleo das paredes do cilindro e causa ovalização nos mesmos. Num carro novo, cuidado redobrado.

  • Walter Augusto

    Balela…..compro um zero km e depois de uns 100 km rodados na cidade preciso pegar estrada. Não posso ?
    Tá, ligo o dane-se e vou para a estrada andando na media de 110km/h com 2500 a 3000 rpm. Preciso fazer uma ultrapassagem numa estrada simples e não posso levar o giro pra uns 5500 rpm ? Vou ficar andando atrás de um caminhão a 60 por hora pq não posso subir muito o giro do motor ? Balela !!!!! Só passam essas recomendações pq muito Zé já sai detonando da concessionária. Em pouco tempo ferra tudo aí o Zé fala aos 4 cantos que o carro não presta.
    Palavras de quem já teve muita experiência com carro zero km e caiu na estrada com motor com 100 km rodados. E esses motores rodaram 100.000 km sem dar nenhum tipo de problema. Não sei depois dos 100.000 se apresentou algum problema, pq vendi os carros. Mas creio que tudo é bom senso.

    • Calma, rapaz. Ninguém disse que não pode: são recomendações de como proceder pro conjunto se sair da melhor forma. Segue quem quiser, sabendo que podem acontecer consequências ruins futuramente (ou não). Se os engenheiros que estudaram, projetaram, testaram e analisaram por anos recomendam, é porque existe um motivo pra isso.

    • Bruno Leite

      Calma amigo experiente… Você pode fazer o que você quiser no seu carro novo! Mas não venha querer que eu e outros ligue o “dane-se” também e faça o mesmo que você só pq vc já teve “muita experiência com carro zero km”. Se o próprio fabricante recomenda, eu que não vou meter o louco. Afinal, lutei para comprar um carro 0km e não quero futuros problemas por causa de mal uso.

  • Samluzbh

    O mais sensato seria uma primeira troca de óleo e filtro tipo com uns 3000 km,

  • Hugo Leonardo Dos Santos

    Meu cunhado comprou um celta zero km em 2012, aí ele é daqueles pé de chumbo, assassino de carros. Então, quando ele comprou veio com aquele papo que tinha que moer o carro nos primeiros 3 mil km pra amaciar hahaha, não deu 1 ano o motor quase fundiu. A sorte dele é que como estava na garantia e recém feito a revisão na CSS, ele encheu tanto o saco que a culpa era deles, que acabaram consertando o motor. Hoje ele ainda tem o carro, pense num carro acabado, meu Celta 2007 vendi com 170 mil km com mecânica zerada.

  • Alexandre Maciel

    4 anos e 8 meses com um Ford. Fiz viagem logo no início e, obviamente, não tive como não exigir do motor. Sem problemas até hoje. Aconteceu o mesmo com um GM. Como falaram aqui, acho que o importante realmente é não esticar a rotação com motor frio, além, claro, de usar o bom senso.

  • Resumindo, é só não baixar o Paul Walker e o Vin Diesel “paraguaios” nas primeiras saídas com o carro.

  • Geraldo Xavier

    O mais importante é realizar a primeira
    troca do óleo na metade do período. Nas primeiras km de uso do motor o óleo contamina mais rápido com limalha. Depois disso a troca pode ser normal. O indicado em qualquer carro é não acelerar forte até que o óleo esteja circulando por todas as partes do motor. 3 min depois de ligado pode acelerar na boa. Isso vale pra qualquer km.

  • PH Sacchi

    Ainda que os motores sejam melhores vale a pena ter esses cuidados nos primeiros quilômetros para ter um motor que pelo menos não fique baixando óleo depois (ainda que funcione bem ) e o principal é esperar que esteja na temperatura ideal de funcionamento para exigir desempenho …

  • zekinha71

    Meu atual carro peguei na ccs zero na sexta e já peguei a estrada, na segunda pela manhã já levei de volta pra ccs, pois nessa viagem percebi que a suspensão dianteira esquerda estava solta, já cheguei soltando os cachorros e falando um monte, como a Nissan fabrica um carro e não tem controle de qualidade da montagem.
    E quando peguei o carro não saí acelerando forte porque nesse caso as pastilhas de freio ainda não estão assentadas, então nos primeiros kms tem que tomar cuidado, o mesmo quando rola uma substituição.
    De resto já está quase com 37K kms e tudo normal.

  • predadordemarea .

    O pior, são aquelas pessoas que tiram um carro turbo 0km (UP Tsi por exemplo) e logo em seguida colocam um Tork One.
    O carro sai de 105 cv e vai para mais de 150 cv além de ter o torque aumentado.
    Força motor, força câmbio, força embreagem e quando dá problema, reclamam e vão procurar a garantia.
    Hoje em dia é preocupante comprar um UP TSi seminovo.
    Aqui onde eu moro, tem um vermelho com Unichip.

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