
Um empréstimo para pagar um reparo de US$ 3.850 (R$ 20.000) virou o centro de uma disputa na Flórida depois que vídeos colocaram o serviço em dúvida.
Jade Hill levou seu Ford Edge 2008 à AAction Better Built Transmissions, em Pembroke Pines, depois que o veículo deixou de se movimentar e precisou ser transportado.
A oficina afirmou que o Edge precisava de outra transmissão, diagnóstico considerado plausível para um veículo cujo motor funciona normalmente, mas que não consegue sair do lugar.
Segundo Hill, o consultor de serviço apresentou orçamento de US$ 3.850, levando a proprietária a contratar um empréstimo para conseguir recuperar seu automóvel.
O Edge foi devolvido funcionando, porém, alguns meses depois, o mecânico responsável entrou diretamente em contato com Hill e apresentou registros feitos durante o serviço.

Um dos vídeos mostra o profissional substituindo os dois semieixos dianteiros, sem trocar a transmissão, enquanto outro registra o Ford rodando normalmente por todas as marchas.
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O mecânico, que não teve o nome divulgado, também gravou uma conversa com AJ, o consultor que havia informado a Hill sobre a necessidade da transmissão.
Nas gravações exibidas pela Local 10 News, AJ reconhece ter vendido a unidade apesar da constatação sobre os semieixos e menciona novamente os US$ 3.850 em tom de deboche.
A nota fiscal da AAction Better Built Transmissions, porém, descreve revisão e recondicionamento da transmissão, incluindo kit de revisão, filtro, pistões, anéis, fluido e conjunto de válvulas.
O documento ainda registra um conversor de torque novo por US$ 429,03 (R$ 2.200), além de um conjunto de semieixo avaliado em US$ 261 (R$ 1.400).

A mão de obra aparece calculada a US$ 150 (R$ 778) por hora, totalizando US$ 1.383,45 (R$ 7.200), valor correspondente a mais de nove horas.
O total de US$ 3.850 após impostos estaria dentro de uma faixa possível para esse tipo de serviço, caso todos os itens descritos realmente tivessem sido executados.
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Diante das gravações, Hill contratou um advogado e passou a exigir compensação, sustentando que pagou por uma substituição que, segundo o mecânico, não aconteceu.
Alejandro Velez, advogado da oficina, mantém a versão de que a transmissão foi substituída e também questiona as motivações do ex-funcionário responsável pelos registros.
Segundo Velez, o profissional foi dispensado por motivos documentados, incluindo atrasos frequentes e linguagem abusiva, além de ter ameaçado prejudicar seriamente o negócio antes da saída.

A defesa também afirma que ele se recusou posteriormente a deixar as instalações e acabou formalmente impedido de permanecer no local após intervenção das autoridades.
Outro argumento apresentado envolve os óculos inteligentes da Meta usados nas gravações, feitas em uma área exclusiva para funcionários onde, segundo a oficina, haveria expectativa razoável de privacidade.
A Flórida exige consentimento de todas as pessoas envolvidas para determinadas gravações, circunstância que pode dificultar o uso desse material como prova em eventual processo.
A oficina sustenta que os vídeos foram entregues à Local 10 News como retaliação, enquanto a reportagem considera possível que o profissional tenha registrado tudo por discordar da cobrança.
Parte desse material também apareceu por meio da WPLG Local 10 no YouTube, incluindo imagens relacionadas à documentação apresentada sobre o Ford Edge.
Os advogados envolvidos chegaram posteriormente a uma resolução verbal, mas não divulgaram os termos nem esclareceram exatamente quais compromissos foram assumidos entre as partes.
Hill, mesmo assim, insistiu em tornar o caso público, afirmando que a empresa deveria saber quais componentes entram em suas instalações e quais peças são solicitadas.
