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Conteúdo maior graças à concorrência acirrada

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Lembra-se do kit visibilidade? E do chamado pacote “completo”? Pois é, parece que foi ontem quando os anúncios em jornais, revistas e TV colocam tais pacotes em destaque nas ofertas de veículos. Itens de segurança então, nem mesmo eram citados na maioria dos casos. Isso parece algo dos anos 90, mas sabemos bem que há poucos anos desta década, era isso o que o consumidor acabava comprando. Ele queria isso mesmo ou eram as montadoras que desejavam oferecer o básico aos seus clientes?



Para as duas questões, uma resposta: não havia concorrência acirrada como agora. Mesmo com o IPI majorado de 30% como impedimento para a importação de automóveis em larga escala, bem como a defasagem cambial e, por fim, a crise, o mercado brasileiro não ficou livre de uma disputa por clientes entre os fabricantes. O motivo é simples. A crise fez as vendas despencarem e, quando poucos compram, fazer a diferença é essencial para sobreviver.

Se antes, limpador/lavador do vidro traseiro, retrovisores com controle interno e o quarteto “ar, direção, vidro e trava” eram incluídos em algumas ofertas como um verdadeiro “prêmio” para quem comprasse naquele feirão de fim de semana, agora ofertar um carro sem eles é quase uma blasfêmia.

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Existe sim, para quem ainda quer se apegar ao passado, carros sem “ar e direção”, mas isso para fazer preço chamariz que, em alguns casos, dá até confusão na loja. Afinal, o consumidor atual se acostumou com um popular completo e quando vem a surpresa da ausência de itens básicos, a casa cai. No entanto, na maioria dos casos, o popular se renovou. Subiu de preço, é claro, mas ganhou mais conteúdo. Essa elevação nos valores, porém, esbarrou no segmento superior.

Assim, quando não dá para cobrar mais – também por conta das vendas em baixa, onde preços mais altos significarão perder clientes para os rivais – o conteúdo extra entra como arma. Os kits visibilidade da vida e os “ar, direção, vidro e trava” agora são de série em boa parte dos compactos e mais, agora adiciona-se uma kit multimídia e um layout mais sofisticado para dar uma impressão de valor agregado maior. Não é luxo, mas conta muito um ambiente envolvente e com qualidade percebida mais elevada.

Nesse novo espaço dos populares, a conectividade se tornou a principal arma para atrair os consumidores, agora em menor número, oferecendo integração de smartphones com aplicativos diversos, especialmente de navegação, bem como câmera de ré e sensores de estacionamento. Mas estes itens há cinco anos atrás, não eram de carros de luxo? Na média sim. Agora, eles já fazem parte do jogo no segmento de acesso.

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E tem mais, a briga pelo cliente fez sistemas mais complexos entrarem de vez na dança, tais como Start&Stop, câmbio automático, concierge, LEDs diurnos, serviços online, piloto automático, paddle shifts, sensor de pressão dos pneus, hotspot WiFi, Bluetooth, bancos em couro, chamada de emergência para o SAMU, entre outros. Para atrair ainda mais os interessados, as diferenças de preços entre as versões caíram bastante, a fim de forçar uma mudança para uma versão mais cara, mas de melhor conteúdo.

Esse movimento em decorrência da disputa pelo mercado menor, também se reflete em segmentos superiores, onde as tecnologias de carros de luxo muito caros hoje já estão disponíveis para uma boa parcela do mercado. O segmento médio, por exemplo, acabou avançando sobre a lacuna deixa pelos luxuosos, que após o período de chegada (das fábricas) ao país, acabaram por elevar bem os preços para compensar as perdas em decorrência do menor volume.

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Mas, isso fez com que tecnologias associadas aos luxuosos acabassem chegando ao segmento. Assim, estacionamento automático, frenagem automática de emergência, alerta de invasão de faixa com correção, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão e fadiga, aviso de ponto cego e tráfego traseiro, por exemplo, são alguns dos itens. E muitos deles entraram até nas picapes médias e logicamente nos SUVs. Mesmo entre os luxuosos, oferecer tecnologias para dar exclusividade é uma tarefa bem difícil, mas importante para não ficar nivelado no mercado.

Não vai demorar muito para que algumas dessas tecnologias acabem nos modelos de entrada. Para o consumidor, a vantagem é que não irá precisar migrar mais cedo para ter acesso a alguns itens de carros mais caros. Para os fabricantes, a garantia de que ele não irá buscar estes dispositivos tecnológicos na concorrência. Por fim, teremos consumidores “mal acostumados”. Mas, pelo preço que se paga em um carro novo, quem não quer ser também?

[Com informações da Folha]

 

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