
Cortar um sedã que ainda passava de 100 mil unidades vendidas no ano final é o tipo de decisão que pode parecer lógica no papel, mas polêmica na rua.
Em 2020, a Ford tirou o Fusion de cena e encerrou uma era, mesmo com 100 mil vendas naquele último ano e 166.045 em um período anterior recente.
Os volumes vinham caindo, mas o Fusion ainda tinha peso no portfólio, e a saída virou um símbolo do “adeus aos carros” dentro da marca.
O Fusion 2020 partia de US$ 23.170 (R$ 117.500) e, na ficha básica, usava motor 2,5 litros, câmbio automático de seis marchas e tração dianteira.
Na configuração de entrada, ele entregava 177 cv, 24,2 kgfm e consumo de 8,9 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada, números que ainda soam honestos para a categoria.
Em 2026, a Ford prefere olhar para o que cresceu, já que o Bronco virou caso de sucesso e emplacou 146.007 unidades no ano passado.
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O problema é que nem esse bom desempenho encosta no auge do Fusion nos anos 2010, quando o sedã orbitava a casa das 300 mil unidades.
E o argumento de “sedã acabou” não fecha quando Toyota mantém o Camry como figurinha carimbada entre os mais vendidos dos EUA.
Honda e Hyundai também mostram fôlego, com vendas de sedãs em alta, derrubando a ideia de que só SUV resolve a vida do consumidor.
Nos bastidores, Bill Ford e o CEO Jim Farley já sugeriram que abandonar carros talvez não tenha sido a melhor escolha, e Farley acenou mais de uma vez com um retorno.
Só que Andrew Frick, presidente da Ford Blue, foi na direção contrária em entrevista à Automotive News e disse que encerrar os sedãs foi a decisão certa.
A explicação dele é que a Ford precisou sair de alguns segmentos para investir onde é mais forte, trocando o esforço de “competir para competir” por produtos para “vencer”.
Como resultado, a marca direcionou capital para linhas como Bronco, Maverick, Bronco Sport, Tremor e a expansão da família Raptor.
Em números, Bronco, Bronco Sport e Maverick somaram 428.931 vendas em 2025, embora seja uma comparação complicada por envolver três modelos contra um sedã.
A entrevista também reacendeu o rumor de um Mustang de quatro portas, porque Frick falou em expandir a família Mustang desde que faça sentido no portfólio e seja barato de viabilizar.
Existe o Mach-E como Mustang de quatro portas, mas por ser um crossover elétrico ele irritou puristas, e um sedã de verdade pode gerar outra batalha cultural.
O ponto sensível é o risco de apostar tudo em um tipo de produto, já que a Ford quase escapou em 2009 enquanto outras marcas afundavam com caminhões beberrões e pouca alternativa.
Hoje, até a Maverick mais básica mal fica abaixo de US$ 30.000 (R$ 152.200) e, para funcionar como carro de família, a conta pode chegar a US$ 32.000 (R$ 162.300).
Enquanto isso, um Camry bem equipado costuma entregar mais espaço pelo mesmo dinheiro, e Accord e Sonata também ganham tração, com a Sonata subindo 39% e a Ford caindo mais de 13% em maio.
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