Depois de focar em robotáxis e robôs humanóides, ações da Tesla perdem R$ 700 bilhões em valor de uma só vez

elon musk smoking
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A confiança do mercado na narrativa tecnológica da Tesla perde força nesta sexta-feira, levando as ações a recuarem mais de 12% após um trimestre decepcionante.

O movimento elimina mais de US$ 140 bilhões (R$ 709,7 bilhões) em valor de mercado, depois que lucro e fluxo de caixa livre ficaram abaixo das expectativas.

A fabricante registra receita recorde de US$ 28,24 bilhões (R$ 143,2 bilhões) no segundo trimestre, avanço anual de 26%, apoiado por 480.126 entregas.

O volume também representa um recorde, mas surge praticamente isolado entre indicadores financeiros que mostram margens menores e custos de expansão muito mais elevados.

O lucro operacional cai 57%, para US$ 398 milhões (R$ 2 bilhões), enquanto a margem operacional recua de 4,1% para apenas 1,4%.

O resultado ajustado alcança US$ 0,33 (R$ 2) por ação, distante dos aproximadamente US$ 0,53 (R$ 3) projetados por Wall Street.

Pela primeira vez em anos, o fluxo de caixa livre fica negativo em US$ 1,09 bilhão (R$ 5,5 bilhões), pressionado pelo aumento dos investimentos.

Os gastos de capital avançam 142% e chegam a US$ 5,79 bilhões (R$ 29,4 bilhões), refletindo a expansão simultânea de diferentes projetos da companhia.

Outra fonte tradicional de rentabilidade perde relevância, pois a receita de créditos regulatórios diminui 67%, encerrando o período em US$ 146 milhões (R$ 740,2 milhões).

A divisão de energia também apresenta margens menores, apesar de as instalações de armazenamento crescerem 41% e alcançarem 13,5 GWh durante o trimestre.

Até mesmo o recorde de entregas exige ressalvas, já que a Tesla ampliou incentivos e ofereceu financiamentos baratos para sustentar o ritmo das vendas.

Essas condições facilitaram a saída dos veículos, mas reduziram a margem automotiva e limitaram o impacto financeiro positivo do crescimento comercial apresentado.

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A pressão sobre as ações aumentou durante a conferência de resultados, quando Elon Musk voltou a destacar previsões antigas sobre robotáxis e o humanoide Optimus.

Musk afirmou que nenhum humanoide atual executa tarefas generalizadas sem programação e que o Optimus será o primeiro capaz de alcançar esse estágio.

A proposta, porém, coincide com o objetivo perseguido por praticamente todas as empresas do segmento, sem que os números trimestrais demonstrem uma vantagem concreta da Tesla.

Na direção autônoma, a companhia destacou mais de 611.500 km percorridos sem supervisão em seis cidades, sem registrar eventos classificados internamente como relevantes.

A comparação reduz o impacto do dado, pois a Waymo percorre aproximadamente essa distância em um dia, enquanto a Tesla precisou de cerca de seis meses.

Os quilômetros pagos dos Robotaxis permanecem praticamente estáveis na comparação trimestral, em torno de 1,45 milhão, enquanto a frota sem supervisão cai para aproximadamente 21 carros.

Orlando e Tampa receberam novas áreas de serviço poucos dias antes dos resultados, mas a ampliação geográfica não foi acompanhada pelo crescimento da frota ativa.

Musk reconheceu novamente que a segurança limita a evolução, citando a chamada “marcha dos noves” necessária para lidar com casos raros e imprevisíveis.

A marca de 611.500 km também ocorre em áreas pequenas, delimitadas e operadas em velocidades reduzidas, condições que diminuem a complexidade prática do serviço.

O FSD v14 apresenta avanços, mas continua classificado como sistema de nível 2, dependente de supervisão permanente por parte do motorista.

As 1,48 milhão de assinaturas do FSD, portanto, remuneram atualmente um recurso de assistência à condução, e não uma rede plenamente autônoma de robotáxis.

A avaliação do Electrek aponta que sucessivos atrasos diminuíram o peso das previsões de Musk e tornaram investidores menos dispostos a antecipar resultados futuros.

Um comentário de stetrain, apoiado por 31 leitores, também questiona a sobreposição entre projetos da Tesla e da SpaceX diante de uma possível união das empresas.

Segundo essa análise, parte do valor atribuído às iniciativas já estaria refletida separadamente, enquanto a concentração em uma única ação poderia favorecer os pagamentos de Musk.

O contraste aumenta porque o petróleo sobe cerca de 5% e supera US$ 90 (R$ 456) por barril, cenário normalmente favorável à procura por EVs.

A Tesla, entretanto, vinculou grande parte de sua avaliação a inteligência artificial, humanoides e robotáxis, tornando as ações mais dependentes do avanço dessas promessas.

O resultado é uma perda superior a US$ 140 bilhões em um único dia, enquanto a frota autônoma diminui e os prazos continuam avançando.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook