
Um documento de caráter passivo foi suficiente para elevar as ações da Lucid em até 25%, mostrando como qualquer sinal saudita movimenta a empresa.
O príncipe bilionário Alwaleed bin Talal revelou uma participação de 5% na fabricante de EVs, reforçando a percepção de apoio financeiro vindo do país.
A informação consta num formulário Schedule 13G enviado à SEC em 28 de julho, após a participação atingir o limite obrigatório de divulgação.
Alwaleed declarou possuir 19.513.000 ações Classe A, equivalentes a exatamente 5% dos 390.256.808 papéis existentes em 29 de abril.
O evento que determinou o registro ocorreu em 23 de julho, quando a posição alcançou o percentual que exige comunicação formal ao órgão regulador.

O Schedule 13G indica investimento passivo, sem intenção declarada de alterar, influenciar ou disputar o controle da Lucid.
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O príncipe mantém sozinho os direitos de voto e de disposição sobre toda a participação, afastando inicialmente qualquer iniciativa de intervenção administrativa.
Essa posição pertence pessoalmente a Alwaleed, cujos escritórios funcionam dentro da Kingdom Holding Company, e não ao Public Investment Fund da Arábia Saudita.
A distinção importa porque o PIF já ocupa uma posição central na estrutura financeira da Lucid e sustenta a companhia há vários anos.
O fundo soberano investiu mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) em 2018 para ajudar a financiar a fábrica da empresa no Arizona.

Somando aumentos de capital, vendas de ações e linhas de crédito, o PIF teria destinado aproximadamente US$ 9,5 bilhões (R$ 52,7 bilhões) à fabricante.
Uma afiliada do fundo adquiriu em abril US$ 550 milhões (R$ 3,1 bilhões) em ações preferenciais conversíveis da Lucid.
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A empresa também utilizou recentemente cerca de US$ 800 milhões (R$ 4,4 bilhões) adicionais de uma linha apoiada por capital saudita.
Outro acionista relevante é a Uber, que comprou 11,5% da Lucid como parte de um acordo de robotáxis baseado no utilitário Gravity.
Esse negócio envolveu US$ 500 milhões (R$ 2,8 bilhões), acrescentando mais um investidor de grande porte à estrutura acionária da companhia.
A reação de 25% nas ações parece desproporcional para uma participação passiva, mas ocorre num momento de grande fragilidade comercial e financeira.
Os papéis acumulam recuo aproximado de 77% em 12 meses e recentemente tocaram US$ 2,37 (R$ 13), antes de iniciarem uma recuperação.
A empresa realizou um agrupamento de uma ação para cada dez em agosto passado, reduzindo a quantidade de papéis em circulação.
A Lucid também eliminou aproximadamente 18% de sua força de trabalho em junho e atravessa sua terceira fase de comando, agora com Silvio Napoli.
Ao fim do primeiro trimestre, o estoque elevado aumentou as dúvidas sobre a capacidade de atingir a meta anual de produzir 25 mil veículos.
Esse cenário reúne posições vendidas expressivas, preço nominal reduzido e investidores atentos a qualquer indicação de novo suporte vindo da Arábia Saudita.
Uma notícia interpretada como nova compra saudita atrai interessados, leva operadores vendidos a encerrar posições e amplia rapidamente os movimentos de alta.
Mesmo após o avanço, uma ação perto de US$ 6 (R$ 33) continua respondendo mais à expectativa financeira do que aos resultados operacionais.
A participação de Alwaleed funciona como sinal de confiança, mas não modifica os principais desafios enfrentados pela Lucid para ampliar vendas e reduzir despesas.
Air e Gravity recebem avaliações positivas como produtos, porém a empresa ainda não consegue comercializá-los no volume necessário para sustentar sua operação.
Algumas projeções indicam necessidade superior a US$ 5 bilhões (R$ 27,8 bilhões) adicionais nos próximos anos para financiar os planos da fabricante.
A presença de um segundo grande nome saudita reforça a percepção de que o país não pretende permitir o enfraquecimento definitivo da Lucid.
Também surge a hipótese de uma futura retirada da empresa da bolsa, considerando a participação combinada de Alwaleed e do PIF.
Por enquanto, porém, o novo acionista representa uma garantia adicional de apoio, e não uma confirmação de recuperação financeira ou mudança de controle.
