
Honorários de centenas de dólares por hora agora estão no centro de uma nova ofensiva judicial da Ford contra escritórios ligados à lei do limão da Califórnia.
A montadora acusa o escritório Quill & Arrow, de Los Angeles, de transformar mão de obra barata no exterior em serviços jurídicos cobrados como trabalho premium.
Segundo a ação, atividades feitas por profissionais que receberiam apenas US$ 13 (R$ 66) por hora foram faturadas com valores de até US$ 950 (R$ 4.900) por hora.
A Ford afirma que esses trabalhadores estavam em países como México e Filipinas, embora o serviço fosse apresentado como se tivesse sido executado por advogados da Califórnia.
O processo foi aberto na quinta-feira e ganhou maior repercussão depois de ser noticiado pelo Los Angeles Times.
No centro da disputa está a atuação da Quill & Arrow em milhares de casos envolvendo a lemon law, legislação californiana voltada à proteção de consumidores.
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A Lemon Law (“Lei do Limão”) é uma legislação de proteção ao consumidor focada em garantir o conserto, substituição ou reembolso de veículos com defeitos graves e persistentes (os chamados lemons ou “produtos que azedaram”), adquiridos dentro da garantia do fabricante.
A empresa sustenta que parte relevante desse trabalho teria sido feita por não advogados fora dos Estados Unidos, com posterior cobrança em padrão de escritório californiano.
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A Ford deve pressionar honorários altos na lemon law, como US$ 950/h da Califórnia?
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Desde 2021, a Ford diz ter pago mais de US$ 100 milhões (R$ 515,2 milhões) à Quill & Arrow.
Desse total, aproximadamente metade estaria ligada a honorários advocatícios, justamente o ponto que agora passa a ser questionado pela montadora.
Doug Lampe, advogado da Ford, afirma que as leis californianas do limão precisam de reforma e que as cortes devem exercer mais fiscalização.
Segundo ele, a legislação estaria sendo claramente abusada por advogados de consumidores, enquanto a própria categoria não estaria controlando suas práticas.
Lampe também defende que os juizes analisem pedidos de honorários com muito mais ceticismo e rigor antes de aprovar pagamentos elevados.
A Quill & Arrow rejeita as acusações e afirma que a Ford tenta intimidar advogados que movem ações legais contra a fabricante.
O escritório classificou as alegações como absurdas e diz já ter recuperado mais de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) para consumidores pela lemon law da Califórnia.
A disputa reforça o embate crescente entre montadoras e escritórios especializados nesse tipo de caso dentro do mercado jurídico californiano.
A Ford já havia tentado uma ofensiva mais ampla, com uma ação baseada na legislação RICO contra alguns escritórios do sul da Califórnia.
Esse processo anterior foi rejeitado por um juiz federal, mas a montadora afirma que pretende recorrer da decisão.
Na ação arquivada, a Ford alegava a existência de um esquema coordenado para inflar cobranças em casos ligados à lemon law.
Entre os exemplos citados estavam registros de um advogado cobrando 57,5 horas em um único dia.
Também havia menções a outros episódios em que profissionais teriam lançado 20 ou 24 horas de trabalho no mesmo dia.
Embora a ação anterior tenha fracassado, o juiz responsável não declarou que as acusações apresentadas pela Ford eram falsas.
A nova estratégia parece mais estreita e concentrada em uma pergunta simples: quem realmente executou o trabalho que gerou milhões em honorários.
Para a Ford, essa resposta pode definir se as cobranças refletiam serviços advocatícios legítimos ou uma estrutura de baixo custo vendida como trabalho especializado.
Para o escritório, o processo representa mais uma tentativa de pressionar quem utiliza uma lei favorável aos consumidores contra grandes fabricantes.
A soma envolvida, o histórico recente de litígios e o peso da lemon law na Califórnia indicam que essa disputa ainda deve render novos capítulos.
