China História

DongFeng virou gigante chinesa e acionista da PSA Peugeot Citroën

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DongFeng Joyear

Fundada em 1969 como Second Automobile Works, a futura DongFeng nasceu em Wuhan, província de Hubei, China. Como parte de um plano estratégico de industrialização do país, a montadora foi instalada longe do litoral para evitar ser tomada ou destruída em caso de invasão estrangeira.

A fabricação de veículos comerciais leves foi dedicada quase que exclusivamente até 1978, quando passou a produzir também caminhões pesados. Várias operações separadas da empresa foram unificadas na década de 80 e a companhia ganhou autonomia maior em 1985, respondendo assim apenas ao governo central em Pequim.

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DongFeng Mini

Em 1992, a Second Automobile passa a ser chamada de DongFeng e forma sua primeira joint-venture, a DongFeng-PSA. Assim como outros fabricantes de veículos na China, a empresa sofreu dificuldades financeiras a partir de 1995, tendo sido reestruturada e recuperada apenas em 1999.

A partir de 2000, a DongFeng decidiu estreitar os laços com outras montadoras estrangeiras e formar novas joint-ventures para adquirir mais experiência na produção de carros modernos. Com a PSA, a empresa já produzia versões locais de modelos europeus, tais como o famoso Citroën ZX Fukang, por exemplo.

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DongFeng Oting

Em 2002, ela forma a joint-venture DongFeng-Honda e no ano seguinte mais uma parceria, mas com a Kia Motors, criando assim a DongFeng-Yueda-Kia. Outra associação é feita em 2003, mas com a Nissan. A última empresa mista foi formada em 2013 com a Renault. Nesse período, a DongFeng começa a desenvolver produtos próprios.

Sem uma identidade própria, a gama de produtos da DongFeng utilizava estilos emprestados de suas associadas e também de outras marcas, tal como a grade da BMW, utilizada em vans comerciais leves, inclusive já disponíveis aqui no Brasil.

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DongFeng Khan MA

A influência geral é maior por parte da Nissan, inclusive tendo gerado uma marca chamada ZNA, que é utilizada como uma “linha B” da marca japonesa no mercado colombiano. Outra parceria interessante com a nipônica é a marca Venucia, que utiliza versões locais do Tiida, March e também do Leaf.

A DongFeng sempre produziu caminhões e possui grande participação no mercado doméstico, assim como com marcas específicas para vans comerciais leves e utilitários esportivos. Várias submarcas surgiram, tais como FengShen, Mengshi, FengXing, DFSK, Sokon, entre outras.

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DongFeng-Nissan BlueBird

Em 2010, a DongFeng produziu 2,72 milhões de veículos, enquanto nos anos seguintes, os volumes só aumentaram, chegando a 3,06 milhões em 2011 e 3,76 milhões em 2012. No segmento de caminhões, a mais recente parceria foi realizada em 2013 com a Volvo, tendo participação de 55% contra 45% da sueca. Além disso, comprou a parte da Nissan em outra joint-venture.

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DongFeng-Peugeot 308 Sedan

PSA

Parceira da PSA desde 1992, a DongFeng produziu vários modelos das duas marcas francesas e ainda assim não criou empecilhos para uma recente união entre os franceses e a rival Changan. No entanto, o grupo europeu começou a enfrentar uma grave crise após 2009 e só mesmo uma reestruturação financeira o salvaria da falência.

Assim, a estratégia era atrair capital chinês para ajudar a compor uma PSA renovada financeiramente e assim, a PSA foi convidada a se juntar ao grupo em 2013. Antes com a família Peugeot como principal acionária, após as mudanças, a empresa passou a ter três sócios principais: os fundadores Peugeot, o governo francês e a montadora chinesa.

Com isso, a DongFeng se torna uma das poucas montadoras chinesas com participação direta em fabricantes estrangeiros. No Brasil, a DongFeng ainda tem presença tímida, embora rumores sobre investimentos em caminhões existam desde 2010. Algumas vans leves circulam pelo Brasil através de um representante nacional, mas ainda sem atuação comercial.





  • Thiago_NCO

    Gostem ou não, o fato é que nas próximas décadas os chinas vão dominar o mercado (se em quantidade ou qualidade, isso já é outra história…)
    Enquanto isso, não temos marcas nacionais (não me refiro às Lobinis da vida, mas marcas de volume, como a Gurgel foi um dia)

    • Natanael Gomes Lima

      Gurgel – faliu, Troller – não é mais genuinamente brasileira, TAC – ninguém nem ouve mais falar. Fazer o que né? Só nos resta aproveitar o que vem de fora.

      • Bruno Alves

        Troller não é mais genuinamente brasileira? Ah, da licença. Ninguem fala que a Volvo é chinesa, que a Chrysler é italiana, que a Land Rover é indiana. Mas porque todo mundo cisma em dizer que a Troller não é brasileira só porque a Ford comprou ela? Os carros da Troller continuam sendo projetados no Brasil, apenas com ajuda financeira da Ford.

    • RTEC30

      Reparem que a empresa passou por várias dificuldades, mas resistiu/reestruturou (provavelmente com ajuda e proteção do governo quando necessário). A China permite entrada direta de estrangeiras -mas normalmente ocorre através de Joint-ventures (acho que por imposição de Pequim).
      Aqui eu não duvidaria da capacidade do governo de ter empurrado a Gurgel ladeira abaixo. Em favor de sabemos quem

  • Tosoobservando

    Interessante os nomes, la tem a FAW (First Automotive Works), ae eles criaram a Second kkkk

    Impressão minha ou o primeiro modelo é a minivan Mitsubishi Grandis?

  • m_Ferrari

    França e Inglaterra já foram referencias no mercado automotivo, parece que em algum momento perderam o “bonde da história”. Os franceses ainda estão de pé, principalmente a Renault, mas os ingleses não conseguiram “segurar” nada de relevante.

  • Mazembe 2X0

    Talvez a última saída para PSA seja se “entregar” totalmente a essa DongFeng.

    E esse Joyear é o Mitsubishi Grandis sem tirar nem por.
    Legal este Hummer.

    • FaloNaCara ¯ _ (ツ) _ / ¯

      Pegaram um Grandis, deram uma encurtada e a lateral é “inspirada” na da Scénic II.

  • Tosca16

    Chinesas dominando o mercado, alguma novidade ? Não, só o nosso preconceito que ainda é imenso …

  • Magnus Cordeiro

    É impressão minha ou aquela van lá em cima é uma Mitsubishi Grandis???

  • Leandro

    E a arbitragem que essa empresa responde por nao cumprir um investimento no brasil?



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