
A distância entre anunciar um recall e entregar a solução começa a pesar no bolso de quem confiou que o problema seria resolvido rapidamente.
A Ford tenta convencer o mercado de que está reforçando seus controles de qualidade para reduzir recalls, mas os números continuam apontando na direção oposta.
A marca ainda emite muito mais campanhas do que suas rivais, e ao menos um caso mostra como a lentidão pode virar prejuízo direto para o cliente.
O episódio envolve Paul Lonergan, morador de Massachusetts, que descobriu em abril um vazamento de fluido na mangueira traseira de freio de seu Ford Edge 2017.
O SUV já estava incluído em um recall anunciado pela Ford em agosto do ano passado, depois que a empresa alertou para risco de ruptura nas mangueiras flexíveis traseiras.
A campanha atinge 497.624 unidades do Ford Edge 2015 a 2018 e do Lincoln MKX 2016 a 2018 nos Estados Unidos.
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Segundo o aviso, a falha pode fazer a mangueira se romper e vazar fluido, comprometendo um componente essencial do sistema de frenagem.
Lonergan afirma que havia sido informado sobre o recall ainda em setembro, mas só levou o veículo à concessionária quando percebeu o vazamento meses depois.
Ao chegar ao local para o reparo, ele recebeu a resposta que nenhum consumidor espera ouvir em uma campanha de segurança.
A concessionária informou que a Ford ainda não havia liberado a solução oficial para o problema, mesmo com o recall anunciado havia vários meses.
Sem alternativa imediata, Lonergan teve de pagar o conserto por conta própria, em uma fatura de US$ 1.854 (R$ 9.400).
Pelas regras dos Estados Unidos, fabricantes devem reembolsar proprietários que pagam do próprio bolso por reparos ligados a defeitos cobertos por recall.
De acordo com a WCVB, a Ford orientou Lonergan a enviar os recibos para “consideração de reembolso”, mas ainda não confirmou se devolverá o dinheiro.
Mesmo nessa hipótese, ele terá de aguardar até que o reparo oficial esteja disponível para que o processo avance conforme previsto.
“Eu não tenho US$ 1.800 (R$ 9.100) para emprestar a uma corporação bilionária”, disse Lonergan.
Ele acrescentou que a situação o irrita porque ainda existe a possibilidade de não receber o dinheiro de volta.
A Ford esperava inicialmente ter o reparo pronto em abril, mas agora o trabalho só deve começar em setembro, mais de um ano após o anúncio do recall.
A demora chama atenção porque a solução não parece exigir engenharia complexa, já que a Ford deveria conseguir obter mangueiras de freio de melhor qualidade sem grande dificuldade.
A decisão de emitir o recall foi correta, mas a execução lenta transformou um problema técnico conhecido em uma disputa financeira para o proprietário.
O caso reforça a pressão sobre a Ford em um momento no qual a empresa tenta vender a ideia de que está fechando o cerco contra falhas de qualidade.
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