
A mudança na relação entre Huawei e Seres começou a produzir um efeito inesperado entre proprietários da Aito na China, que transformaram a própria insatisfação em piada pública.
Depois da redução do envolvimento direto da Huawei na marca, donos passaram a substituir emblemas por logos da DFSK, empresa mais acessível controlada pela Seres Auto.
A brincadeira ganhou força no Weibo, onde usuários passaram a dizer que a Aito caiu de “príncipe herdeiro da HIMA” para uma marca comum ligada à Dongfeng.
Um proprietário do Aito M7 resumiu parte desse desconforto ao questionar se os modelos ainda conseguem justificar preços elevados sem o mesmo nível de participação da Huawei.
Segundo ele, seu M7 custou mais de 300.000 yuans (R$ 220.100), valor que agora considera difícil de conciliar com a atual estrutura da Seres.
O dono também demonstrou preocupação com a sustentabilidade de longo prazo da fabricante, chegando a comparar seu futuro com o caminho seguido anteriormente pela Neta Auto.
Apesar da crítica, ele afirmou torcer pelo sucesso da Seres e da Aito, principalmente porque a continuidade da marca influencia assistência e valor de revenda.
A publicação ganhou grande repercussão e chegou ao segundo lugar entre os assuntos mais comentados do Weibo no momento em que foi divulgada.
Imagens de um M7 modificado também circularam na plataforma, mostrando a retirada do emblema da Seres e a instalação da identificação visual da DFSK.
Em outro detalhe irônico, o nome AITO apareceu alterado para AUTO, reforçando o tom de provocação adotado pelos proprietários envolvidos na tendência.
A DFSK surgiu originalmente como uma parceria entre Dongfeng e Seres, mas hoje funciona como subsidiária integral da própria Seres Auto.
Sua linha é voltada principalmente a micro-EVs, automóveis de entrada e pequenos veículos comerciais, ocupando uma posição muito diferente daquela associada aos Aito.
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Nas redes chinesas, a marca também é usada com frequência em comparações depreciativas sobre comportamento dinâmico e acerto de chassi dos modelos Aito.
A própria DFSK não respondeu oficialmente ao movimento, mas uma concessionária teria colocado uma faixa declarando apoio aos proprietários da Aito.
A mensagem apresentava a DFSK como uma espécie de “casa de origem” da Aito e prometia continuar apoiando os veículos e seus donos.
A reação acontece em meio às incertezas abertas pelo novo acordo, que transfere mais responsabilidades de desenvolvimento, produção, vendas e atendimento para a Seres.
A Huawei, por sua vez, assume uma posição mais concentrada no fornecimento de tecnologia, reduzindo sua presença direta na condução da marca Aito.
Antes dessa reorganização, a parceria ajudou a Seres a melhorar fortemente seus resultados, mesmo com relatos de que a Huawei recebia 50.000 yuans (R$ 36.700) por veículo vendido.
A questão central agora é saber se a Aito continuará conseguindo cobrar valores superiores aos de concorrentes sem a mesma associação operacional que ajudou a fortalecer sua imagem.
Para muitos proprietários, a resposta ainda está em aberto, e a mistura de humor e preocupação nas redes mostra como a percepção da marca mudou rapidamente.




