
A concentração de recursos da EA em uma única frente deixa uma de suas séries automotivas mais importantes sem qualquer perspectiva concreta de retorno.
A escolha ocorre num momento delicado para grandes editoras, pressionadas por jogos de alto orçamento caros e frequentemente lançados com falhas técnicas.
Essa retração chama atenção porque o mercado de games supera, em tamanho, os setores de cinema, música e livros somados.
Call of Duty ocupa posição inferior apenas a Pokémon, Tetris e Super Mario em alcance e sucesso, mas enfrenta desgaste após várias edições.
Nesse espaço, a Electronic Arts enxerga Battlefield como concorrente direto e direciona suas equipes para disputar público nos jogos de ação em primeira pessoa.

O custo dessa estratégia recai sobre Need for Speed, série que aparece ao lado de Madden e The Legend of Zelda em vendas acumuladas.
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Lançada em 1994, a franquia tornou-se uma das mais jogadas e bem-sucedidas do setor ao longo de 25 títulos principais.
Além de divertir diferentes gerações, seus jogos também ajudaram muitos usuários a desenvolver interesse real por carros e pela cultura automotiva.
Criterion Games, estúdio britânico que reassumiu a série pela segunda vez em 2020, tornou-se peça central nessa mudança de prioridades.
Need for Speed Unbound chegou em 2022 e recebeu avaliações favoráveis, mas não alcançou o nível de vendas considerado suficiente pela EA.

Um ano depois, a empresa transferiu a Criterion da EA Sports para a EA Entertainment e direcionou seu foco principal para Battlefield.
A pausa passou a ser por prazo indefinido em 2025, acompanhada pela mudança de nome para Criterion – A Battlefield Studio.
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A possibilidade de retomada perdeu ainda mais força após uma entrevista recente de Rebecka Coutaz, vice-presidente e gerente-geral da Battlefield Studios Europe.
Questionada pela IGN sobre uma celebração dos 30 anos da Criterion com um novo jogo, ela respondeu: “Não estamos aqui para falar do passado; nosso foco é exclusivamente Battlefield.”
Sem uma nova transferência para outro estúdio, o cenário aponta para o encerramento de um ciclo que atravessou quatro décadas entre acertos e tropeços.
O desempenho de Unbound já indicava essa direção, pois o reconhecimento da crítica não se converteu em resultados comerciais compatíveis com as expectativas internas.
A reorganização também deixa Burnout em segundo plano, outra série automotiva duradoura conduzida pela Criterion e lembrada pela velocidade e pelo estilo próprio.
Burnout 2: Point of Impact, de 2002, e Need for Speed: Most Wanted, lançado em 2005, aparecem entre os capítulos mais marcantes dessa trajetória.
Most Wanted ainda mantém lugar especial na memória dos fãs graças ao BMW M3 GTR azul e prata, carro central de sua identidade visual.
A avaliação é que Need for Speed poderá voltar algum dia, caso as decisões de compra dos jogadores levem a EA a rever suas prioridades.
Esse eventual retorno dependeria de a empresa reconhecer novamente que games combinam criatividade e negócio, em vez de funcionarem apenas como decisões orientadas por planilhas.
