
A permanência de Toshihiro Mibe no conselho da Honda Motor ganhou fôlego em meio a um encontro anual marcado por cobrança financeira.
O CEO da montadora japonesa recebeu apoio dos acionistas para sua recondução ao conselho na sexta-feira, após pedir desculpas pelo desempenho recente da empresa.
A Honda tenta se recuperar de decisões estratégicas custosas depois de registrar, no mês passado, seu primeiro prejuízo anual em sete décadas.
O resultado foi pressionado por mais de US$ 9 bilhões (R$ 46,6 bilhões) em custos de reestruturação ligados ao negócio de EVs.
A concorrência de fabricantes chinesas também pesa sobre a companhia, que enfrenta mudanças rápidas no maior mercado automotivo do mundo.
Logo no início da reunião, Mibe disse lamentar profundamente a preocupação e o transtorno causados aos acionistas pelo prejuízo líquido do exercício fiscal anterior.
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Além de apoiar Mibe, os acionistas aprovaram os outros 10 indicados da Honda ao conselho, mantendo a estrutura proposta pela direção.
Entre esses nomes, nove buscavam recondução e um era novo diretor, em linha com as recomendações das consultorias Glass Lewis e ISS.
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As duas empresas de orientação a investidores haviam sugerido apoio a todos os diretores, o que ajudou a sustentar a votação favorável.
Mibe explicou que a baixa contábil ligada aos EVs veio após a redução de subsídios e a demanda abaixo do esperado nos Estados Unidos.
Segundo ele, a participação dos carros a bateria no mercado americano ficou muito aquém das previsões internas da Honda para seus próximos modelos.
Para vender esses EVs planejados, a companhia teria de recorrer a incentivos elevados, pressionando ainda mais a rentabilidade do negócio automotivo.
Mibe afirmou que seguir adiante com esses lançamentos poderia manter a divisão automotiva no vermelho por pelo menos cinco anos.
Esse período, segundo o executivo, poderia chegar a sete anos e criaria uma situação extremamente crítica para a Honda.
Nos últimos meses, Mibe passou a ser alvo de forte insatisfação entre antigos executivos da empresa por causa dos erros estratégicos recentes.
Pessoas familiarizadas com o assunto disseram à Reuters que Nobuhiko Kawamoto, antigo CEO da Honda, visitou a sede de Tóquio em abril.
Na ocasião, Kawamoto teria defendido a saída de Mibe do comando, ampliando a pressão interna sobre a liderança atual da montadora japonesa.
Esses antigos executivos questionam Mibe por dar pouca atenção à China, maior mercado automotivo global, justamente quando rivais locais avançam rapidamente.
Eles também veem a aposta malsucedida em EVs como causa central do prejuízo e da maior dependência da lucrativa divisão de motocicletas.
Perto do fim da reunião, um acionista propôs apresentar uma moção para afastar Mibe do cargo de CEO.
O executivo se recusou a submeter o tema à votação, afirmando que o assunto não constava da pauta oficial do encontro.
Por isso, disse Mibe, a proposta não poderia ser considerada naquele momento, apesar do desconforto gerado pelo desempenho financeiro recente.
A Honda Motor, listada pelo código 7267.T, segue buscando alternativas para reorganizar sua estratégia em tecnologias de próxima geração.
Mibe afirmou que as conversas com a Nissan Motor, 7201.T, e a Mitsubishi Motors, 7211.T, estão em estágio avançado.
Essas tratativas, iniciadas em meados de 2024, envolvem cooperação em tecnologias para veículos de nova geração e podem redefinir parte da estratégia japonesa.
