
Botões físicos, comandos giratórios e materiais autênticos voltam ao centro dos planos da Audi para recuperar uma característica marcante de suas cabines mais elogiadas.
A fabricante alemã pretende reduzir o protagonismo das grandes telas em sua próxima geração de interiores, integrando os recursos digitais de maneira mais discreta.
Essa mudança não será imediata, pois lançamentos previstos para os próximos dois anos ainda seguirão a atual organização visual dos painéis da marca.
Entre eles estão os novos Q7 e Q9, que manterão a filosofia vigente, mas já apresentarão detalhes relacionados à futura direção estética da Audi.
Um desses sinais será o uso de revestimento feito de ardósia verdadeira, reforçando a intenção de priorizar materiais naturais e uma percepção mais sofisticada.

Rouven Mohr, diretor técnico da Audi, explicou ao site australiano GoAuto que a tecnologia deixará de funcionar como a principal atração das cabines.
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Segundo o executivo, a empresa historicamente buscou liderar o desenvolvimento de sistemas multimídia sem permitir que os componentes digitais dominassem visualmente o ambiente interno.
A meta agora é recuperar essa abordagem, incorporando a linguagem Radical Next com telas menores e elementos táteis cuidadosamente distribuídos pelo painel.
Mohr afirma que os futuros interiores deverão combinar recursos atuais com uma apresentação sutil, mantendo tamanho de displays e comandos físicos sob maior controle.
A decisão representa uma revisão importante para uma empresa que adotou painéis cada vez mais dependentes de superfícies sensíveis ao toque nos últimos anos.

Durante essa transição, a Audi também abandonou o conhecido seletor giratório do sistema MMI, anteriormente valorizado pela facilidade de uso sem contato visual constante.
A nova postura reconhece que muitos consumidores ainda preferem encontrar determinadas funções pelo tato, reduzindo a necessidade de desviar os olhos da via.
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Essa preferência seria especialmente relevante entre compradores da Europa, América do Norte e Austrália, mercados citados na discussão sobre a futura organização dos comandos.
O reposicionamento ocorre justamente quando BMW e Mercedes-Benz apresentam soluções bastante diferentes para integrar informação, entretenimento e funções de condução aos seus painéis.
O novo Panoramic iDrive da BMW combina uma projeção extensa na base do para-brisa com uma tela sensível ao toque posicionada na região central.
A Mercedes-Benz segue uma direção mais expansiva, transformando praticamente todo o painel de alguns modelos em uma grande superfície digital contínua.
Embora a atual linguagem interna da Audi tenha estreado há apenas três anos no A5, dois estudos recentes já antecipam uma possível mudança.
O conceito Nuvolari apresenta uma cabine contida, com quadro de instrumentos convencional protegido por uma cobertura e uma tela vertical instalada mais abaixo no console.
Essa posição reduz o domínio visual do display e preserva uma separação clara entre as informações do motorista e os demais recursos do veículo.
Apresentado no ano passado, o roadster Concept C adota solução igualmente discreta, mas utiliza uma tela horizontal montada no centro do painel.
O protótipo, que lembra o antigo TT, antecipa um modelo de produção previsto para 2027 e evita transformar a cabine em uma vitrine tecnológica.
Tanto o Nuvolari quanto o Concept C mantêm aparência moderna sem excessos e incluem seletores giratórios instalados diretamente em seus volantes.
Mohr considera esses componentes parte do DNA da Audi e defende que botões e comandos rotativos continuem presentes nos futuros modelos da empresa.
Cada elemento físico deverá ainda reproduzir o clique, o toque e a sensação tradicionalmente associados aos interiores da marca alemã.
