
A fábrica da Rivian em Normal, Illinois, passará a reaproveitar baterias usadas de seus próprios EVs para reduzir custos de energia e aliviar picos de consumo.
A montadora fechou uma parceria com a Redwood Materials, empresa fundada por J.B. Straubel, cofundador e ex-diretor de tecnologia da Tesla.
O projeto será instalado dentro da unidade industrial e representa a primeira aplicação desse tipo em uma fábrica de automóveis nos Estados Unidos.
A estrutura inicial reunirá mais de 100 baterias usadas da Rivian, formando um sistema estacionário com capacidade total de armazenamento de 10 MWh.
A Rivian fornecerá os conjuntos retirados dos veículos, enquanto a Redwood ficará responsável pela integração das baterias em sua plataforma denominada Redwood Energy.

O gerenciamento será feito por software próprio, capaz de coordenar baterias em diferentes condições de uso e fazê-las funcionar como uma única fonte de energia.
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Na prática, a energia armazenada poderá ser utilizada nos momentos de maior demanda, reduzindo a quantidade comprada da rede quando as tarifas ficam mais elevadas.
Essa função ganha importância porque a fábrica prepara o aumento da produção do R2 enquanto continua montando os atuais R1S e R1T.
Quanto maior o ritmo industrial, maiores tendem a ser os picos de consumo, tornando uma reserva energética interna especialmente útil para controlar despesas operacionais.
O projeto também cria uma segunda utilidade para baterias que ainda possuem capacidade significativa, mas já não são consideradas adequadas para continuar dentro de um veículo.

Segundo a Redwood Materials, conjuntos degradados frequentemente preservam mais de 50% da capacidade original, nível suficiente para aplicações estacionárias de armazenamento de energia.
A empresa criou sua divisão dedicada ao setor energético em meados de 2025 justamente para aproveitar esse intervalo entre o fim do uso automotivo e a reciclagem.
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Uma aplicação ainda maior já funciona no campus da Redwood em Nevada, onde 792 baterias formam uma microrrede com capacidade total de 63 MWh.
Essa instalação fornece energia para um centro de dados dedicado à inteligência artificial, enquanto o projeto da Rivian será menor e integrado diretamente à produção automotiva.
Para a Rivian, a solução também oferece destino produtivo para baterias devolvidas em garantia, protótipos de engenharia e conjuntos retirados de veículos com alta quilometragem.

A Redwood, por sua vez, passa a ter uma fábrica de automóveis como referência para seu sistema, além de acesso crescente a baterias de segunda vida.
RJ Scaringe, CEO da Rivian, afirma que prolongar a utilização das baterias pode contribuir para tornar o sistema elétrico mais flexível e confiável.
Straubel destaca a escala potencial desse mercado ao estimar que os Estados Unidos precisarão de mais de 600 GWh de armazenamento até 2030.
Parte dessa capacidade, segundo a lógica defendida pela Redwood, já está circulando atualmente dentro de EVs e poderá ganhar uma segunda função após deixar as ruas.
A iniciativa transforma assim componentes usados da própria Rivian em uma reserva energética para a fábrica, conectando redução de custos industriais e reaproveitamento de baterias.
