
Uma disputa sobre garantias e prioridade no pagamento aumenta a pressão financeira sobre a Aston Martin, já cercada por dificuldades operacionais e necessidade de caixa.
Parte dos credores enviou uma carta jurídica à fabricante britânica para tentar impedir uma operação que reduziria a proteção oferecida aos atuais detentores de títulos.
A Aston Martin Lagonda Global Holdings Plc negocia recursos adicionais com fundos que incluem a HPS Investment Partners, controlada pela BlackRock Inc.
O financiamento seria garantido por ativos transferidos para uma estrutura fora do alcance dos credores existentes, mecanismo conhecido no mercado como drop-down.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, essa movimentação poderia retirar das garantias dos títulos elementos importantes, incluindo direitos ligados à propriedade intelectual.

A carta argumenta que uma operação desse tipo violaria os documentos da dívida, elaborados conforme a legislação do estado de Nova York.
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O documento foi enviado na segunda-feira e preparado com participação de especialistas do escritório Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan LLP.
Os credores concederam prazo de 48 horas para que a Aston Martin confirme que não avançará com a transação nas condições atualmente discutidas.
A mensagem também aponta possíveis riscos sob a legislação inglesa caso a empresa e seu conselho ignorem uma alternativa apresentada pelos credores existentes.
Outro ponto envolve a relação da HPS com a Aston Martin, pois o fundo também possui participação na equipe da marca na Fórmula 1.

Por esse motivo, os credores consideram que a operação poderia envolver questões entre partes relacionadas e prometem analisar cuidadosamente qualquer acordo firmado.
Representantes da Aston Martin e da Quinn Emanuel recusaram-se a comentar as negociações ou o conteúdo da carta enviada.
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A pressão aumentou depois que um grupo mais amplo de detentores de títulos se ofereceu para fornecer novo financiamento, caso a companhia precisasse de recursos.
Esses investidores também propuseram conversas mais abrangentes sobre a estrutura de capital, mas a Aston Martin não teria iniciado as discussões sugeridas.
Sediada em Gaydon, na Inglaterra, a empresa enfrenta atrasos de produtos, problemas de qualidade, demanda enfraquecida na China e tarifas norte-americanas.

Durante anos, a fabricante recorreu a aportes de acionistas para cobrir necessidades de liquidez e manter recursos suficientes para suas operações.
A companhia revelou em abril que alguns investidores forneceram £ 50 milhões (R$ 354,5 milhões) em dívida para reforçar sua disponibilidade financeira.
Esse movimento levou credores a formar um grupo, diante do receio de que novas captações utilizassem permissões presentes em documentos considerados relativamente flexíveis.
Uma operação estruturada dessa maneira poderia deixar os atuais investidores subordinados ou em posição menos favorável diante de outros financiadores.
O grupo contratou a Akin Gump e a Jefferies Financial Group Inc. para assessorá-lo nas possíveis negociações com a Aston Martin.
Entre os participantes estão Arini Capital Management Ltd, BlackRock Inc. e Sculptor Capital Management Inc., além de outros detentores de títulos.
Os credores assinaram nesta semana um acordo de cooperação, comprometendo-se a atuar conjuntamente nas conversas relacionadas à dívida da fabricante.
O grupo reúne proprietários da maioria dos títulos equivalentes a US$ 1,85 bilhão (R$ 9,483 bilhões), com vencimento previsto para 2029.
A estrutura acionária da Aston Martin é liderada por um consórcio comandado pelo bilionário canadense Lawrence Stroll.
Também possuem participações Li Shufu, fundador da Geely, o Public Investment Fund da Arábia Saudita e a Mercedes-Benz Group AG.
A disputa agora concentra-se em quem terá prioridade sobre os principais ativos caso a empresa obtenha novo financiamento em condições diferentes das atuais.
Sem um entendimento, a tentativa de reforçar o caixa pode aprofundar o conflito com investidores que já financiaram a Aston Martin e buscam preservar suas garantias.
