Escort Zetec: história, detalhes, motor e equipamentos (1996 a 2003)

Escort Zetec: história, detalhes, motor e equipamentos (1996 a 2003)

O Escort Zetec é a versão do modelo médio da Ford que foi fabricado na Argentina, já sob controle da própria marca.


O modelo teve papel importante, pois, trouxe de volta o controle das operações para a Ford na região.

Antes presa à Autolatina, a Ford produziu duas versões do Escort com DNA VW e este é conhecido como Escort Europeu.

Mesmo assim, muitos consumidores deram essa designação também ao Escort Zetec por conta da semelhança.

Desenvolvido pela própria Ford, como na Europa, trouxe para a região o motor que lhe dá o sobrenome: Zetec.

Até recentemente a Ford usou essa designação na Europa para versões do Fiesta e Focus.

O motivo é que os motores Sigma e Duratorq diesel também fazem parte da família Zetec.

Escort Zetec: história, detalhes, motor e equipamentos (1996 a 2003)

Eles são da época do Escort Zetec, que infelizmente teve vida curta.

Se não fosse pela Autolatina, provavelmente teríamos tido esse carro bem antes.

O modelo chama atenção pela decisão da Ford de trazer toda a gama, incluindo sedã e perua, além do notchback.

Forte, o produto resistiu até à chegada do Focus em 2000, sendo feito até 2003.

Com motor moderno, design refeito e uma família realmente interessante, o Escort Zetec deixou saudades.

Escort Zetec

Escort Zetec: história, detalhes, motor e equipamentos (1996 a 2003)

Em essência, o Escort Zetec pode-se resumir na versão com motor 1.8 litros.

Esta opção refletia exatamente a modernidade que a Ford queria passar através de um motor realmente novo.

Apesar da presença do simplificado Zetec Rocam 1.6 em 2000, o modelo se manteve quase íntegro até o fim.

Fabricado em General Pacheco, província de Buenos Aires, o Escort Zetec apareceu em 1996.

Mantendo-se fiel à carroceria da segunda geração do produto no Brasil (sétima na Europa), ele é facilmente reconhecido.

Oferecido nas versões GL e GLX, o Escort Zetec apareceu com faróis arrendondados refletindo a linha de estilo “New Edge” da Ford.

Os piscas eram separados ainda, mas com lente branca.

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Já a grade era oval, mas diferente da anedótica adotava no Escort Europeu da Autolatina, esta era mais harmônica.

O motivo é que ela realmente era a junção do capô e do para-choque, tendo uma grelha com frisos horizontais e logotipo da Ford.

O capô também era bem liso e levemente ovalizado, assim como o para-choque.

Este, por sua vez, tinha faróis de neblina e uma boca inferior igualmente ovalizados, refletindo o estilo da Ford.

No entanto, essa união de formas não era vista nas laterais e restante da carroceria, ainda presa ao início dos anos 90.

Havia agora repetidores de direção nas laterais e retrovisor esquerdo convexo.

Os para-lamas eram iguais aos do modelo da Autolatina, assim como as portas, teto e a carroceria no geral.

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Porém, o Escort Zetec tinha lanternas traseiras diferenciadas, apesar das laterais da carroceria também serem iguais ao do modelo anterior.

Nesse caso, as lanternas passavam a ser duplas e eram levemente arredondados na parte interna.

Uma nova tampa do porta-malas foi adicionada, agora com corte reto na altura do conjunto ótico traseiro.

A placa continuava na tampa do bagageiro, tendo cobertura preta e iluminação.

Já em relação ao para-choque, este também era arredondado e tinha até uma grade inferior, além do corte para o escape.

Nas laterais, o Escort Zetec tinha um protetor na cor do carro em baixo relevo, bem como maçanetas embutidas e retrovisores na cor da carroceria.

Na GL, as maçanetas eram pretas e nas duas versões, havia antena exterior no teto, próximo do para-brisa.

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Esta versão de acesso também tinha para-choques pretos, assim como retrovisores e rodas de aço aro 14 polegadas com calotas e pneus 185/65 R14.

O notchback tinha ainda limpador traseiro com lavador.

Já as rodas eram de liga leve aro 14 e com os mesmos pneus da GL.

O Escort Zetec notchback, que tinha a carroceria clássica, media 4,136 m de comprimento, 1,700 m de largura, 1,350 m de altura e 2,525 m de entre eixos.

Com medidas generosas, tinha 380 litros no porta-malas e 64 litros no tanque de combustível.

Tinha suspensão McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, algo herdado da Autolatina.

Ia de 0 a 100 km/h em bons 9,8 segundos e tinha máxima de 196 km/h, refletindo a performance do motor Zetec.

Interior do Zetec

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Por dentro, o Escort Zetec tinha um painel novo em relação ao modelo da Autolatina e acabamento melhor.

O cluster tinha velocímetro, hodômetros analógicos, conta-giros, nível de combustível e temperatura da água.

Tinha volante (com direção hidráulica e ajuste apenas de profundidade) tinha espaço para airbag e o painel contava com um simpático relógio analógico.

Os comandos do ar condicionado eram bem distribuídos, enquanto o sistema de som com rádio e CD player era 2din.

Havia igualmente um espaço para objetos e um cinzeiro grande.

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Imagem comparativa da versão europeia

O ambiente tinha tecido nas portas e os bancos eram bem ergonômicos com tecido de boa qualidade.

No Escort Zetec GLX, apenas os vidros dianteiros eram elétricos até 1999, quando os traseiros ganharam esse acionamento.

Os botões na frente ficavam no console entre os bancos e havia até opção de teto solar elétrico.

O banco traseiro era bipartido e tinha até apoio de braço central, bem como luzes de leitura.

Nesse mesmo ano, grade e moldura da placa ficavam cromadas no GLX.

Escort Zetec duas portas

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Em 1998, a Ford teve a infeliz ideia de relançar o Escort de duas portas, que havia sido cortado na transferência da produção para a Argentina.

Disponível nas versões GL e RS, esta última tentou captar um pouco da nostalgia do antigo XR3.

O Escort Zetec RS era um pseudo-esportivo, utilizando saias laterais e aerofólio traseiro, além de spoiler no para-choque traseiro apenas.

Os amortecedores eram mais firmes e no interior, chamava atenção pelo volante em couro e cluster de fundo branco.

Escort Zetec: história, detalhes, motor e equipamentos (1996 a 2003)

Portando rodas de liga leve aro 14 de desenho exclusivo, fazia alusão ao clássico e poderoso Escort RS Cosworth europeu, mas era inferior visualmente ao antigo Escort Racer 2.0 da Autolatina.

Como no GL, tinha janelas traseiras basculantes e morreria em 2000, junto com o sedã.

Fazia 10,3 km/l na cidade e 14,7 km/l na estrada, pois, era mais leve, pesando 1.195 kg.

Entretanto, tinha mesma aceleração e final do modelo de quatro portas, tendo a mesma altura: 1,440 m.

Escort Zetec Sedan

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Em 1996, além do modelo descrito, chegava o Escort Zetec Sedan, a versão de três volumes do modelo.

Herdando as mesmas alterações estéticas frontais, no entanto, a Ford decidiu não mexer com a traseira.

Com exceção do para-choque envolvente, que era mais liso que o do notchback, o sedã mantinha o conjunto traseiro.

As lanternas eram escurecidas, mas as mesmas do antigo Verona.

A parte central com suporte de placa permaneceu, assim como a própria tampa do porta-malas.

Escort Zetec: história, detalhes, motor e equipamentos (1996 a 2003)

O Escort Zetec Sedan também era oferecido nas versões GL e GLX, ambas com motor 1.8 Zetec.

Em termos de tamanho, media 4,229 m de comprimento e tinha 1,440 m de altura.

Seu porta-malas era de era 459 litros, com o mesmo tanque e desempenho.

Fazia 9,7 km/l na cidade e 13 km/l na estrada, sendo bons resultados para um sedã compacto.

Escort Zetec SW

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Uma das coisas boas do Escort Zetec foi sua variante perua, que surgiu igualmente em 1996 nas versões GL e GLX.

Ela utilizava a mesma arquitetura das outras duas versões, mas traseira prolongada de estilo cativante.

Chamada simplesmente de Escort SW, ela era maior, medindo 4,300 m de comprimento e 1,410 m de altura, com as demais medidas iguais às dos outros.

A perua tinha quatro portas e um bagageiro com 460 litros até a altura dos vidros, sendo muito maior acima disso.

As vigias laterais eram suavemente arredondadas nas colunas C.

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Já na traseira, as lanternas coloridas eram verticais e lembram às da picape Ford Courier.

A tampa do porta-malas era grande e descia bem, cortando uma parte do para-choque, que era liso como nos demais.

Vinha também com limpador e lavador traseiro, assim como desembaçador e cobertura de bagagens interna.

Tinha banco traseiro bipartido e barras longitudinais no teto.

Além do motor Zetec-E 1.8, teve ainda o Zetec Rocam a partir de 2000 na versão GL.

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Quando chegou, tinha detalhes externos pretos, como protetores laterais, retrovisores, maçanetas e barras de teto.

Fazia 7,3 km/l na cidade e 11 km/l na estrada com o Zetec 16V.

Ia também de 0 a 100 km/h em 11,2 segundos e com máxima de 190 km/h.

Era uma das melhores opções familiares do fim dos anos 90 e início dos anos 2000.

Motor Zetec

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O propulsor do Escort Zetec levava esse nome e fora lançado originalmente em 1992.

Essa primeira variante do Zetec era o “E”, da qual fazia parte o 1.8 argentino usado no modelo.

Feito até 2004, ele existia também como 1.6 e 2.0, mas estas duas opções não vieram.

Sua arquitetura envolvia o uso de bloco de ferro fundido e cabeçote em alumínio com duplo comando de válvulas e 16 válvulas, sendo quatro por cilindro.

O nome Zetec não era original, visto que o projeto era chamado Zeta, sendo lançado assim desde 1992.

No entanto, a Lancia – que era dona no nome Zeta – entrou na justiça europeia contra a Ford e, depois de algum tempo, esta foi obrigada a mudar a nomenclatura dos novos motores, que passou a ser Zetec.

A Ford usou a designação também como nível de acabamento em modelos que usavam esse motor ou derivados.

Escort Zetec: história, detalhes, motor e equipamentos (1996 a 2003)

Esses derivados são os Zetec-R (Duratec até 2004), Zetec-SE (Sigma, ainda em produção), Zetec-Rocam (nacionalizado) e Zetec TDCI (diesel ainda em produção).

No Escort Zetec o propulsor era o 1.8 Zetec-E, que tinha taxa de compressão de 9,8:1 e abastecido apenas por gasolina.

Com 1.796 cm3, o motor entregava 115 cavalos a 5.750 rpm e 16,3 kgfm a 4.500 rpm.

Ele era sempre acompanhado de uma caixa de transmissão manual de cinco marchas, a mesma argentina que foi usada no Escort brasileiro na época do motor CHT.

Esse câmbio tinha relações longas, o que ajudava no conforto e na economia, uma vez que o Escort Zetec tinha bom torque em baixa rotação e era bem esperto.

O motor Zetec 1.8 16V seguiu fielmente sem alterações até 2000.

Ele equipou todas as carrocerias oferecidas pelo Escort Zetec no mercado brasileiro.

Zetec Rocam

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Em 2000, a Ford decidiu lançar uma opção de acesso mais barata e com motor menos potente.

Na versão GL somente (foto abaixo), o Escort Zetec notchback e perua tiveram esse motor, que foi nacionalizado.

Chamado de Zetec-Rocam, foi uma solução de baixo custo e baseado no 1.6 europeu, mas com cabeçote de 8 válvulas.

Com comando de válvulas simples, o propulsor foi produzido até 2014 e usado em diversos carros da Ford no país.

Isso encerrou a importação do Zetec-E da Inglaterra e barateou o Escort Zetec diante do Focus.

Assim como o Zetec-E, o Rocam tinha injeção multiponto e trabalhava com 9,5:1, tendo ainda 1.596 cm3 e potência de 95 cavalos a 5.500 rpm.

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No entanto, diferente do irmão de 16V, o Rocam era mais esperto nas saídas, graças ao cabeçote com apenas duas válvulas por cilindro.

Isso favorece o torque em baixa, onde a 2.250 rpm, ele simplesmente entregava seus 14,2 kgfm.

Entretanto, perdia rendimento em altas rotações, onde o Zetec-E era bem superior.

No Escort Zetec, ele rendia apenas 7,8 km/l na cidade, mas fazia ótimos 16,2 km/l de gasolina na estrada.

Isso era feito com gasolina e chegou a ter versão à álcool no Escort Zetec antes de seu fim.

Ia de 0 a 100 km/h em 12,1 segundos e tinha final de 178 km/h, o que era nada mau.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.