
Uma mudança radical nas regras de importação transformou o Laos no mercado com a exigência mais agressiva do mundo para novos automóveis de passageiros.
Desde 1º de junho, praticamente todo carro novo liberado para entrar no país precisa ser elétrico, independentemente da preferência demonstrada pelos consumidores locais.
O governo suspendeu até o fim do ano as importações de modelos movidos a gasolina ou diesel, sob coordenação do Ministério da Indústria e Comércio.
A medida fez com que os EVs representassem quase 100% dos automóveis importados em junho, resultado obtido pela retirada temporária das alternativas a combustão.
A restrição não alcança ônibus e outros veículos de transporte público, máquinas de construção, caminhões ligados a projetos e modelos destinados a atividades especializadas.
O diesel continua disponível nos setores em que a eletrificação ainda não oferece soluções viáveis, concentrando a estratégia nos automóveis particulares com opções acessíveis.
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A motivação central não está na procura espontânea por EVs nem em compromissos ambientais, mas na necessidade de proteger a economia e reduzir importações energéticas.
O Laos possui aproximadamente 7 milhões de habitantes, não tem acesso ao mar e produz quase toda sua eletricidade por meio de usinas hidrelétricas.

A exportação de energia para países vizinhos representa parte importante de sua estratégia, enquanto todo o combustível utilizado pela frota precisa vir do exterior.
Essas compras exigem moeda estrangeira, recurso frequentemente escasso no país, tornando cada automóvel a combustão uma fonte adicional de pressão sobre as reservas disponíveis.
Ao substituir gasolina e diesel por eletricidade hidrelétrica produzida localmente, o governo tenta manter uma parcela maior dos gastos de transporte dentro da própria economia.
EVs com preço inferior a US$ 50.000 (R$ 256.300) recebem isenção integral do imposto seletivo, enquanto as taxas de registro também foram reduzidas.
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Empresas de transporte deverão encerrar o ano com pelo menos 10% de suas frotas eletrificadas, ampliando a presença da tecnologia além dos compradores particulares.
A infraestrutura também faz parte do plano, com um acordo assinado em abril entre o governo e 27 organizações dos setores público e privado.
O projeto contempla estações de recarga, pontos de troca de baterias, uma plataforma digital centralizada e produtos financeiros voltados à aquisição de EVs.
A meta nacional estabelece que 30% dos veículos em circulação sejam elétricos até 2030, embora a rede de recarga ainda permaneça limitada.
Fabricantes chinesas ocupam rapidamente o espaço deixado pelos modelos tradicionais, aproveitando preços menores e uma oferta ampla de produtos eletrificados na região.
As exportações chinesas de EVs para os países da ASEAN alcançaram US$ 1,2 bilhão (R$ 6,151 bilhões) somente em junho.
Laos e Camboja registraram volumes recordes, enquanto a vietnamita VinFast também fortalece sua presença por meio da plataforma de táxis Xanh SM.
Na prática, impedir novas importações de automóveis a combustão favorece diretamente quem consegue oferecer EVs baratos, posição atualmente dominada pelas fabricantes da China.
O movimento acompanha uma tendência regional, já que o Camboja eliminou tarifas alfandegárias sobre EVs e outros governos priorizam independência energética.
As vendas mundiais de EVs chegaram a 2 milhões de unidades em junho, enquanto a Europa registrou seu melhor mês para modelos exclusivamente elétricos.
Na China, caminhões elétricos pesados ultrapassaram 50% de participação, mostrando que a transição também avança em categorias além dos automóveis de passageiros.
A experiência do Laos difere daquela observada na Noruega ou na China, onde preço, desempenho e variedade ajudam a convencer compradores espontaneamente.
No mercado laosiano, a alternativa foi retirada por decisão administrativa, tornando o resultado dependente da disponibilidade de veículos, financiamento e pontos de recarga.
A renda reduzida e a infraestrutura limitada podem dificultar a execução, enquanto as exceções demonstram que o governo reconhece os limites imediatos da eletrificação.
Ainda assim, preços do petróleo próximos de US$ 90 (R$ 461) por barril reforçam a lógica para países dependentes de combustível comprado no exterior.
O segundo semestre mostrará se a rede de recarga e a oferta de EVs conseguirão acompanhar a transformação estabelecida pelas novas regras de importação.
