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Esticar marcha estraga o motor?

Esticar marcha estraga o motor?

A mudança de marcha está envolvida na forma pela qual o motor consegue passar sua energia para as rodas, através da embreagem e transmissão, passando depois pelo eixo cardã ou semieixos até as rodas. Essas alterações de velocidade do câmbio são motivadas pelo fato do motor a combustão ter regimes de torque máximo variados, não entregando toda sua força de uma vez, como ocorre em motores elétricos.


Com isso, o câmbio apresenta diferentes engrenagens dentadas para que haja uma multiplicação ou redução da força gerada pelo motor. Dessa forma, quanto mais velocidade se requer de um automóvel, menos força direta o propulsor fornecerá às rodas. Mas, de forma inversa, uma redução vai exigir rotação mais alta em decorrência de uma marcha mais curta e onde a força do motor se eleva de tal forma que acaba ajudando a reter parte da energia cinética do veículo.

Tudo é feito por meio da diferença entre as diversas engrenagens dentadas do câmbio, que aumentam ou diminuem a velocidade do veículo. Por conta disso, cada transmissão possui relações dessas engrenagens criadas especificamente para atender aquele determinado carro, com base em sua proposta, peso, dimensões, motor, etc. Ou seja, são diversos fatores que levam os fabricantes a criar determinadas combinações de marchas.

No passado, alguns motoristas conseguiam até trocar de marcha no “tempo” sem o uso de embreagem. Esta, por sua vez, transfere gradualmente a força do motor para a transmissão e é de importância muito grande no momento das trocas. Geralmente os carros possuem limites para cada marcha, alcançáveis em determinadas rotações. Existem alguns sistemas que impedem que o motor ultrapasse seu limite de funcionamento e então vem o corte na alimentação para que a rotação volte para uma faixa mais adequada de trabalho.


Além disso, recentemente surgiu avisos de mudança de marchas, onde a programação do automóvel prevê uma faixa de atuação econômica do motor e indica ao motorista o momento certo de trocar de marcha. Antes, os condutores normalmente se baseavam no próprio trabalho do motor, interpretando o momento para mudança de marcha. O conta-giros é um bom indicador nesse caso, pois o motorista pode ajustar o funcionamento do motor e a velocidade do veículo de acordo com a rotação.

Esticar marcha estraga o motor?

Esticando as marchas

Em cada marcha, a relação poderá ser mais curta ou longa, mas a tendência é que sempre as primeiras sejam mais curtas e as últimas mais longas. Cada intervalo corresponderá a uma faixa de rotação de trabalho do motor e para se prover uma condução com eficiência, as marchas precisam ser trocadas de forma que o motor esteja sempre em uma zona de funcionamento ideal para dispor de força e velocidade adequadas, mas com o consumo ideal.

Quanto mais se abrevia a troca de marcha, sem exigir do acelerador, mais a rotação ficará em um nível mais baixo. Se esticarmos as marchas de forma a alcançar rotações mais altas, ganha-se mais velocidade, mas desde que não se atinja rotação alta com uma marcha muito curta, pois isso apenas forçará o motor. Para uma condução mais esportiva, esticar a marcha significa aproveitar mais a força do motor para ampliar o desempenho.

O mesmo pode ser feito nas ultrapassagens, onde uma marcha geralmente é reduzida para que a rotação do motor fique em um nível mais alto, onde potência e torque são mais abundantes (dependendo do tipo de motor), permitindo assim um ganho extra de desempenho para vencer a velocidade do veículo que está sendo passado e no tempo mais curto possível, se o caso for de uma pista simples, por exemplo.

Subidas de serra são vitais para se esticar mais as marchas, visto que é necessário energia para manter o veículo subindo um plano inclinado. Se a mudança for feita muito rapidamente, a tendência é o giro cair abruptamente e o veículo perder força e velocidade, pois em giros mais baixos, o motor perde potência e a capacidade de mover o carro naquela velocidade. Dessa forma, esticar as marchas é imprescindível para que o motor mantenha o fôlego.

Se for necessário mudar de marcha, caso a rotação ultrapasse a potência máxima do veículo, é preciso saber que após a mudança, o ponteiro irá descer muito, mas isso depende se suas relações forem muito longas (espaçadas entre si) ou curtas (abreviadas). Num câmbio longo, a perda de rotação é maior e consequentemente a força. Num curto, a perda é menor, podendo-se assim manter o mesmo ritmo.

Esticar marcha estraga o motor?

Manutenção a longo prazo

Como já comentamos acima, atualmente os motores possuem sistemas de proteção que cortam a alimentação do motor em regimes muito elevados, evitando assim uma quebra ou danos estruturais no propulsor. Mas, manter o motor em regimes bem elevados significa reduzir sua vida útil e aumentar os custos de manutenção mais adiante. Algumas marcas chamam esse trabalho de uso severo e até reduzem o tempo de troca de óleo e revisão por conta disso.

Um exemplo é o Renault Sandero R.S. 2.0, que tem revisões a cada 8.000 km. O motivo é a proposta esportiva do carro, onde o motor F4R será exigido mais do que o comum, pois os proprietários vão mante-lo em regimes mais altos de trabalho, buscando performance melhor. Então, por esse uso mais forçado do motor, onde o condutor estica mais as marchas, a troca de óleo se dá em um período menor.

Todos os motores são projetados para funcionar em uma determinada faixa de rotação, inclusive acima do nível de potência máxima. Então, teoricamente cada motor pode suportar tranquilamente as esticadas de marcha. Porém, também é verdade que a faixa de melhor atuação do motor está mais abaixo.

Em motores turbinados, geralmente potência e torque atuam de forma plena por mais tempo, especialmente o segundo, constituindo assim o chamado “motor elástico”, que dispensa em parte a necessidade de se esticar demais as marchas. Mas é aquilo, tudo depende da proposta do carro e da condução imposta pelo motorista.

Usar o motor de forma exagerada naturalmente vai limitar sua vida no geral, aumentando mais o desgaste do mesmo, mas isso não estraga o motor de uma hora para outra. Também não é o caso de um motor se estragar em pouco tempo de uso. Os efeitos podem, se ocorrer, ser a longo prazo. Isso é mais suscetível de ocorrer durante o chamado período de amaciamento do motor.

Esticar marcha estraga o motor?

Amaciamento do motor

Cada fabricante possui um conjunto de recomendações para que o motorista possa reduzir o desgaste inicial do motor, cujas partes recém-montadas, ainda não se ajustaram perfeitamente. Assim, uma das recomendações é não esticar marchas ou manter o propulsor em regimes de rotação elevada por muito tempo. Esse período geralmente tem limites que vão de 300 km a 3.000 km, quando então o veículo pode ser usado plenamente.

Nessa fase, evita-se inclusive o reboque, bem como acelerações bruscas e frenagens fortes. Mesmo o câmbio precisa ser usado com cautela para que não se utilizar variações rápidas de rotação para preservar o motor nos primeiros quilômetros. Então, apenas nesse caso do amaciamento, é que esticar marchas pode estragar o motor, mas da mesma forma, não rapidamente.

Com o tempo, ele dará sinais de que as recomendações dos primeiros quilômetros deveriam ter sido atendidas pelo proprietário, mesmo que a folga nos motores atuais seja bem inferior àquelas de propulsores do passado. Em carros com câmbio automático, também se requer prudência em manter altos giros retendo marchas de forma manual nessa fase.

Esticar marcha estraga o motor?
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3 Comentários

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    • A própria Honda não faz quando liberou o novo Civic si okm para os jornalistas moerem.
      Se bobear até com o motor frio estavam cortando giro.
      Cheio de vídeo no YouTube de neguinho cortando giro em esportivo com o motor frio.
      Ontem eu vi um Jetta TSI, o cara deu uma esticada, só vi fumaça de óleo no escapamento…
      Por isso q digo q comprar esportivo usado é a maior furada.

  • pqp essa foi uma das materias mais fracas desse site!! quer uma frase boa?? forcar motor e nao dar manutencao adequada! acelerar o motor ate o limite de giro e ver a felicidade do engenheiro que o desenhou!!!

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