Estudo com 47 milhões de inspeções mostra que elétricos usados reprovam menos que carros a gasolina acima de 193 mil km

Geely EX2 branco perolado estacionado diante de um edifício, visto de frente e pela lateral direita.
O estudo analisou 47,4 milhões de registros de inspeção e encontrou vantagem dos elétricos sobre carros a gasolina em alta quilometragem.

A quilometragem alta costuma levantar dúvidas na compra de um usado, mas uma análise britânica indica que EVs mantêm vantagem sobre carros a gasolina justamente nessa fase.

O levantamento da New AutoMotive, encomendado pela British Vehicle Rental and Leasing Association, examinou 47,4 milhões de registros do MOT, a inspeção periódica obrigatória no Reino Unido.

Acima de aproximadamente 193 mil km, 16% dos EVs reprovaram na inspeção, ante 23,5% dos carros a gasolina, uma taxa 47% maior para estes últimos.

Essa diferença não aparece com a mesma força nos veículos menos rodados, cujos índices de reprovação são próximos quando idade e quilometragem entram na comparação.

Nos primeiros anos de uso, os EVs chegam a apresentar mais problemas, mas também acumulam mais quilômetros por ano do que os modelos a gasolina.

BYD Dolphin SE cinza estacionado em uma rua pavimentada, visto de frente e em ângulo lateral.
A avaliação de um elétrico usado deve incluir pneus, freios e bateria, componente que não é verificado pela inspeção periódica britânica.

Ao comparar veículos com quilometragens semelhantes, a diferença inicial nas taxas de reprovação fica abaixo de um ponto percentual e cresce depois de cerca de 64 mil km.

O estudo também observa se os carros retornam para outra inspeção, usando essa informação para avaliar por quanto tempo permanecem em circulação.

A ausência de um novo MOT, porém, não revela por si só por que determinado veículo deixou de aparecer nos registros.

Parte da explicação para os resultados está nos freios, já que a frenagem regenerativa reduz o uso das peças convencionais nos EVs.

Entre os EVs com mais de dez anos, a vantagem se inverte nesse item, possivelmente pela corrosão associada ao pouco uso dos freios convencionais.

Na suspensão, os EVs apresentaram menos problemas que os carros a gasolina em todas as faixas de quilometragem examinadas, apesar de seu peso adicional.

Os pneus contam uma história diferente: seu desgaste foi maior nos EVs, especialmente em versões elétricas de modelos também vendidos com motor a combustão.

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Nesses veículos, a bateria acrescenta peso a uma estrutura que não foi concebida exclusivamente para a propulsão elétrica, segundo a análise apresentada no estudo.

O VW Golf registrou desgaste de pneus bem superior ao do BMW i3, desenvolvido desde o início como EV.

Na comparação entre versões elétricas e a gasolina de um mesmo modelo, os EVs empataram ou tiveram resultado melhor em todos os casos, exceto no Golf.

O levantamento encontrou uma tendência semelhante nos veículos comerciais leves: a versão elétrica do Nissan NV200 superou a diesel, com exceção do desgaste dos pneus.

Há uma ressalva para quem procura um EV usado: o MOT não mede a saúde da bateria, componente decisivo para a autonomia e para a compra.

Uma pesquisa separada da AVILOO, baseada em mais de 500 mil testes de bateria, encontrou resultados variados entre modelos após cerca de 150 mil km, com vários deles ainda acima de 90% da capacidade original.

Os dados britânicos, portanto, mostram uma vantagem dos EVs nas inspeções em alta quilometragem, mas a avaliação de um exemplar usado ainda exige atenção aos pneus, freios e bateria.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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