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EUA: Preocupação do mercado agora é com os financiamentos

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Após sair da crise de 2008, o mercado automotivo americano estava preocupado em recuperar-se rapidamente da grande queda nas vendas. A resposta não demorou muito e logo as vendas já estavam num patamar anterior à crise, crescendo ano a ano e chegando a 17,6 milhões de automóveis e comerciais leves em 2016.

A pujança nas vendas foi apoiada em grande parte pelo financiamento de veículos, mais exatamente pelo leasing “americano”, que facilitou a aquisição e troca de carro para muita gente. Porém, a indústria automotiva dos EUA já está preocupada com essa linha de crédito fácil, que já está dando muito prejuízo para os fabricantes de veículos.

Para alcançar grandes volumes, os bancos das montadoras e suas parcerias com financeiras independentes facilitaram muito o crédito com mensais de leasing muito baixas. O cálculo sempre leva em consideração o custo de revenda após três anos, prazo médio dos planos. Porém, verifica-se uma grande depreciação nos usados, especialmente nos elétricos, gerando assim prejuízo para os fabricantes que recompram os carros, pois terão de revender com valor mais baixo que o esperado.

Além disso, com a grande oferta de novos por preços e condições atraentes, um grande volume de usados surge a cada ano para tornar as coisas mais difíceis para as montadoras, que não têm o que fazer com uma enxurrada de veículos de segunda mão, porém, seminovos e ainda com garantia.

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Ao mesmo tempo em que crescem os usados e a depreciação decorrente disso, a inadimplência sobe. Em período de 30 dias, os EUA acumulam US$ 23,3 bilhões em prestações atrasadas somente nos planos de financiamento de carros, como aconteceu em dezembro de 2016, segundo o Federal Reserve. A alta foi de 14% em comparação com o mesmo mês de 2015. Diante disso, os bancos começam a cogitar um breque na carteira de crédito, reduzindo os números de aprovação de contratos novos.

Assim, os fabricantes de automóveis já estão revendo os números de 2017. A expectativa era de vender 17,2 milhões esse ano, mas já se fala em 15 milhões, conforme previsão da Goldman Sachs. Março fechou com queda de 1,7%. Para várias consultorias americanas, haverá consequências com a criação de um mercado tão grande, baseado em planos de financiamento. A GM prevê queda de 7% nas vendas de usados esse ano e de 2% a 3% nos próximos anos.

Com menos crédito, as vendas tenderão a cair, mas ainda assim muitos consumidores estarão se candidatando a entrar no grupo dos devedores, pois vários renovam seus contratos para pegar um carro maior ou melhor, pagando mais e aumento o saldo devedor em planos tradicionais. O risco de inadimplência aumenta muito e as empresas do setor financeiro temem que isso tome proporções irreversíveis. Estima-se que uma restrição na oferta de crédito reduziria as vendas em 175 mil neste ano.

Isso é apenas 1% do mercado de 2016, porém, os fabricantes de veículos não têm mais margem para absorver esse montante, pois estão fazendo volumes com enormes descontos, juros zero e outras promoções. Da mesma forma, alguns segmentos estão em apuros, tais como subcompactos, compactos e familiares. Hatch, sedãs e minivans são os que mais foram atingidos com o baixo preço da gasolina. Estoques enormes ampliam os prejuízos dos fabricantes, que não encontram compradores. Com isso, fecham-se fábricas e despedem-se funcionários.

Ainda assim, espera-se que dois fatores empurrem as vendas de usados e venha a reduzir os prejuízos dos fabricantes. Acontece que os salários nos EUA não acompanham a inflação e o preço médio do carro – US$ 35.000 – é o mais alto da história. Diante disso, muitos acabam migrando para carros menores e/ou usados. Já existem financeiras se concentrando apenas em contratos para carros de segunda mão na esperança de alavancar esse mercado.

[Fonte: Auto News]

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