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Europa prepara “Plano Marshall” de € 20 bilhões para carros verdes

Europa prepara "Plano Marshall" de € 20 bilhões para carros verdes

A União Europeia estaria preparando um “Plano Marshall” para o setor automotivo, envolvendo a aplicação de pelo menos € 20 bilhões em incentivos fiscais para carros verdes nos 27 países membros do bloco econômico.


Segundo o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, o dinheiro irá somente para promover as vendas de carros ecologicamente corretos, o que deve beneficiar os automóveis elétricos, mas também híbridos plug-in.

Contudo, isso ainda não está definido. A União Europeia ainda discute como será a definição de carro ecologicamente correto. É certo que fabricantes e governos irão fazer pressão para que alguns tipos de veículos sejam incluídos nos subsídios.

O diesel, por exemplo, certamente estará entre os primeiros da fila para pedir ajuda, mas ainda assim, carros a gasolina mais eficientes também querem fazer parte do pacote.

Isso fica evidente quando o jornal expõe o Ministério dos Transportes da Alemanha, que quer simplesmente que os carros com emissão de até 140 g/km de CO2 sejam beneficiados, quando os mesmos estão bem longe da nova meta para 2021: 95 g/km de CO2.

Europa prepara "Plano Marshall" de € 20 bilhões para carros verdes

A ideia do governo alemão é favorecer carros comuns, movidos por gasolina, assim como modelos mais potentes, que ficam dentro dessa faixa. O pedido já é tratado como “inaceitável” em Bruxelas, sede da União Europeia.

A França defende que haja um pacote de estímulo para substituição da frota em todos os segmentos do mercado, mas a Alemanha não deve apoiar isso. Voltando-se ao plano principal de eletrificação, o país deve apoiar a produção de carros elétricos e híbridos plug-in, caso realmente apenas carros com baixa emissão sejam favorecidos no novo pacote.

Acredita-se ainda que os € 20 bilhões façam parte de um pacote ainda maior, de € 100 bilhões para reativar o setor automotivo como um todo e promover uma rápida recuperação da Europa.

A região é a segunda produtora mundial de veículos, perdendo apenas para a China. O plano de incentivos fiscais deverá ser anunciado no dia 27 de maio.

[Fonte: Sueddeutsche Zeitung]

Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

  • Alaor

    Como tem sido praxe desde a queda do muro de Berlim, é a Alemanha indo numa direção de moderação, enquanto o resto do continente come barro e vende como progresso. Pois bem, eu concordo plenamente que carros híbridos devam ser mais incentivados que veículos a combustão, pois já é uma tecnologia madura, excelente, que consegue substituir um carro exclusivo a combustão. No entanto, quanto aos carros elétricos, o que eu vejo é que é uma tecnologia que ainda não é viável economicamente e tecnicamente, os carros custam caro, pesam uma barbaridade, têm autonomia fraca, além de que, a maioria têm baterias com componentes extremamente prejudiciais se despejados no meio ambiente e a matriz energética europeia é ainda muito depende de Usinas Termelétricas a carvão poluidoras. Estão querendo colocar o carro na frente dos bois e isso está esmagando a indústria automotiva a nível mundial, estão todas investindo em algo caríssimo para um retorno financeiro inexistente e um retorno tecnológico mediano. Daqui 10 anos provavelmente o cenário do carro elétrico será outro bem diferente, mas a realidade hoje é esta.

    • CanalhaRS

      O que está acontecendo é que a Europa está usando o carro elétrico como papel de fundo para não comprar mais petróleo de países produtores. O foco é dinheiro (como sempre) e não o meio ambiente. Usando a desculpa do meio ambiente a atitude deles fica “bonitinha” e ganha o apoio popular. Por isso a pressa em adotar normas de emissão cada vez mais rígidas e inviabilizar motores a combustão.
      A realidade de tudo isso é o que você explicou muito bem aí. Concordo contigo.

    • th!nk.t4nk

      Mais ou menos. Na realidade a nova geração de baterias usa pouquíssimo cobalto (substituído por níquel) e também usa apenas uma merreca de lítio. Nem se compara com as antigas baterias altamente poluentes. Outra coisa: são 100% recicláveis. Hoje a lei européia já obriga a reciclagem de pelo menos 50% das baterias, e nos próximos anos esse percentual vai subir até chegar a totalidade. Quanto a dependência do carvão, ela está despencando a cada ano, enquanto a geração de energia renovável cresce a galope. Eu entendo o papo anti-eletromobilidade, só acho que os argumentos estão atrasados em bons anos. Lembre-se de que todo investimento feito hoje, é pensando justamente uma década à frente, e nas suas próprias palavras o cenário irá mudar muito ao longo da década. É assim que funciona, você direciona agora pra colher os frutos lá na frente.

      • Alaor

        Os argumentos anti carros elétricos estão bastante atuais. O que está adiantado demais é forçar os mercados a consumirem esses veículos antes de a tecnologia estar efetivamente em sintonia com a realidade, além de forçar fabricantes a investirem em algo que está secando os caixas deles e não tendo retorno. O cenário atual é este, os governos vão quebrar metade das fabricantes de automóveis tentando forçar algo que só vai acontecer efetivamente daqui 10 anos, independente da vontade política, porque a tecnologia não se desenvolve num estalar de dedos, só porque um governo deu uma canetada.

  • Baetatrip

    Como aqui tem 1 combustivel altamente renovável e nao poluidor: Carro a álcool (Etanol para nova geração)
    Aqui tem muitas hidréletricas e poucas termeletricas a diesel…!

    Lembra da materia do Renault Zoe na ilha F.Noronha?
    Que o Zoe está fazendo lá sem poluição, pois a termeletrica da região manda a energia p/ Zoe rodar…!
    Como a Europa tem montes termeletricas poluindo o ar….. Querem investir num carro elétrico para não poluir .
    Quem manda o “combustível” é simplesmente termelétricas trabalhando fornecendo a energia p/ carros, casas, fabricas etc

    Como o Brasil tem hidrelétricas por ae e carros a álcool que cana de açúcar está sempre renovando sem comprometer com meio ambiente…!

    Hoje em dia tem carro flex (Acho meio gambiarra essa adaptação) funciona qualquer propoção…!
    Lembra do carro só a álcool? Bebia menos do que carros flex hoje em dia…
    Exemplo:

    Carro álcool faz média de 10km/l
    Carro flex faz média de 7km/l
    Carro a gasolina faz média de 14 lkm/l

    Ponto a frente ao BR!

    • LL

      Alem disso acho que a tecnologia e-power da nissan, seria muito mais adequada para nosso pais. um motor pequeno, “abastece” o motor elétrico mais potente.

      • MFerrari

        Não conheço tecnologia da Nissan, mas me lembro das aulas no ensino médio: “energia não se cria, se transforma”. Por essa lógica, o carro elétrico, cuja energia seja gerada pelo motor a combustão, não conseguiria ser mais eficiente que um puramente a combustão. Não sou especialista, é só uma opinião de mesa de boteco

        • th!nk.t4nk

          Sim, você está correto. Por isso apenas os veículos 100% elétricos são realmente mais eficientes, porque podem pegar energia elétrica gerada em usinas térmicas (que usam turbinas a gás ou vapor muito mais eficientes do que os motores a combustao). Lógico que o ideal é a geraçao “verde” (solar, eólica ou mesmo hidroelétrica), mas a geração em turbinas a gás por exemplo é extremamente eficiente e gera uma merreca de poluição. E adivinha só, o Brasil possui esse tipo de geração. Há ainda as usinas de biogás (proveniente de compostagem), que está se tornando comum em dezenas de países pelo mundo. Esse é o caminho, e não esse híbrido da Nissan que queima petróleo pra gerar energia (já que sejamos francos, a imensa maioria dos brasileiros nao irá abastecer com 100% etanol).

      • th!nk.t4nk

        Eu vejo que muita gente está idolatrando essa tecnologia da Nissan sem entender tudo o que está envolvido. Estamos falando de carros com 2 motores (excesso de componentes, peso elevado, etc) e que poluem duplamente na sua fabricação. Também são carros de desempenho que deixa a desejar (principalmente na estrada) por usarem motores elétricos bem fracos. E por fim, é uma tecnologia ponte: o motor à combustao fica ligado o tempo todo (elevada emissao local, barulho, etc), requer manutençao tal como um ICE comum e ainda por cima tem grande dependência de componentes importados. É uma tecnologia que fica em cima do muro, tendendo a vender pouco e com isso nao incentivar a ampla adoçao da eletromobilidade. Eu sei que é bonita na teoria, mas na prática nao tem futuro. Se for pra investir em híbridos, é melhor partir direto pros plug-ins, pois estes sim combinam o melhor dos dois mundos (alto desempenho, a real experiência de andar 100% elétrico e ainda por cima pode usar energia barata produzida com placas solares em casa).

      • Baetatrip

        Isso
        Hibrido é bem legal….. Nao depende tanto da eletrica e as energias são fabricadas no próprio carro… Como os freios…caixa de marcha….!

  • Disfarce para protecionismo, isso sim.

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